Cesta básica em Campo Grande dispara com tomate e aperta bolso do trabalhador

Campo Grande iniciou o ano de 2026 com um peso extra no orçamento das famílias. A cesta básica registrou um aumento significativo em janeiro, figurando entre as capitais com maior elevação no custo. O principal vilão dessa alta foi o preço do tomate, que pressionou ainda mais a renda do trabalhador campo-grandense.

Cesta básica em Campo Grande pesa mais no bolso

Conforme apurado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o valor da cesta básica em Campo Grande alcançou R$ 783,41 em janeiro. Este patamar representa um acréscimo de 0,97% em comparação com dezembro de 2025. Olhando para o cenário anual, a capital sul-mato-grossense apresentou o segundo maior avanço acumulado, com uma elevação de 2,51% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, conforme o Dieese.

Essa escalada nos preços dos alimentos básicos significa que os trabalhadores precisam dedicar mais tempo e esforço para garantir o sustento de suas famílias. A análise detalhada dos itens que compõem a cesta revela que, apesar de alguns produtos terem ficado mais baratos, a força de outros itens, como o tomate, foi suficiente para puxar o custo total para cima.

Os dados do Dieese, que são referência nacional em estudos sobre o custo de vida, indicam uma realidade desafiadora para quem depende do salário mínimo. O aumento contínuo dos preços dos alimentos essenciais corrói o poder de compra, forçando escolhas difíceis no dia a dia das famílias. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação exige atenção das autoridades e busca por soluções que mitiguem o impacto no orçamento familiar.

Tomate lidera alta e impacta o custo de vida

Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a variação de preços dos 13 itens que compõem a cesta básica mostrou um cenário misto. Enquanto alguns produtos essenciais apresentaram quedas expressivas, como o leite integral (-8,00%), óleo de soja (-7,97%) e arroz agulhinha (-6,50%), o aumento de outros superou essas reduções. O tomate, embora não listado individualmente com seu percentual de alta nas fontes fornecidas, é apontado como o principal responsável por puxar o custo geral para cima.

Essa dinâmica de preços demonstra a volatilidade do mercado de alimentos e como eventos pontuais, como safras menores ou questões climáticas, podem afetar diretamente o bolso do consumidor. A alta do tomate, em particular, tem um impacto considerável, pois é um ingrediente presente em diversas preparações culinárias.

O Dieese também calcula o salário mínimo ideal para que uma família de quatro pessoas possa arcar com as despesas básicas. Em janeiro de 2026, esse valor estimado foi de R$ 7.177,57, o que equivale a 4,43 vezes o salário mínimo vigente na época, que era de R$ 1.621,00. Esse cálculo evidencia a defasagem entre o rendimento mínimo e o custo de vida real no país.

Trabalhador precisa de mais horas para comprar os alimentos

O impacto direto no tempo de trabalho é um dos reflexos mais palpáveis do aumento da cesta básica. Em janeiro de 2026, um trabalhador que recebia o salário mínimo em Campo Grande precisou dedicar, em média, 106 horas e 19 minutos de seu tempo para conseguir comprar os itens essenciais. Esse período é menor do que em dezembro de 2025, quando foram necessárias 112 horas e 27 minutos, mas ainda assim representa uma parcela considerável da jornada de trabalho.

Com o salário líquido, após o desconto de 7,5% para a previdência, o trabalhador comprometeu aproximadamente 52,25% de sua renda apenas com a aquisição dos alimentos básicos. Isso significa que mais da metade do que ganha é destinado à alimentação, restando menos recursos para outras despesas como moradia, transporte, saúde e educação. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa situação se agrava quando outros custos essenciais são somados.

A comparação com anos anteriores também é preocupante. Em janeiro de 2025, o salário mínimo necessário calculado pelo Dieese era de R$ 7.156,15, correspondendo a 4,71 salários mínimos. Já em dezembro de 2025, o valor necessário foi de R$ 7.106,83, equivalente a 4,68 salários mínimos. Esses números mostram uma tendência de alta no custo de vida que não acompanha o reajuste salarial.

Salário mínimo insuficiente para suprir as necessidades básicas

O Dieese reforça que o salário mínimo vigente está muito aquém do necessário para garantir uma vida digna. A estimativa de R$ 7.177,57 para janeiro de 2026 para uma família de quatro pessoas, calculada com base nos preços de alimentos, aluguel, transporte, saúde, educação e vestuário, evidencia a **insuficiência do piso salarial**. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa defasagem impacta diretamente a qualidade de vida da população.

A cesta básica é apenas um dos componentes do custo de vida, mas sua evolução serve como um importante termômetro da situação econômica. O aumento constante dos preços dos alimentos básicos levanta preocupações sobre a segurança alimentar e o bem-estar das famílias de baixa renda em Campo Grande e em todo o país. A busca por políticas públicas que promovam a geração de renda e controlem a inflação torna-se cada vez mais urgente.