Urandir e investidora: vídeos viram arma em briga por R$ 300 mil

Uma disputa judicial milionária entre a empresária Ana Carolina e o ufólogo Urandir Fernandes de Oliveira está ganhando contornos cada vez mais complexos, transformando vídeos na internet em verdadeiro “chumbo trocado”. O caso envolve um investimento inicial de R$ 300 mil, feito em 2019, que hoje já ultrapassa os R$ 805 mil com correções e juros. A polêmica se desdobra em dois processos distintos na Justiça de Mato Grosso do Sul, revelando versões antagônicas sobre a aplicação financeira e as consequências jurídicas da repercussão midiática do embate. A empresária questiona a própria existência da empresa citada no contrato, a BKC Distribuição Ltda., e, após acusações feitas por Urandir em suas redes sociais, moveu uma ação por danos morais, que já resultou na determinação judicial para a remoção de um dos vídeos. Ambos os processos seguem em andamento, sem uma decisão final sobre o mérito.

No cerne da controvérsia está o montante de R$ 300 mil que Ana Carolina aplicou como investidora-anjo, mediante um contrato assinado em abril de 2019. A expectativa era de que o valor fosse resgatado após dois anos, em abril de 2021. No entanto, segundo a empresária, o pagamento não ocorreu, motivando a cobrança judicial. Com a aplicação de correção monetária pelo IGP-M, juros de 1% ao mês e multa contratual, a dívida já atingiu a expressiva marca de R$ 805.680,62. O ponto crucial da ação de cobrança reside na alegação de que a empresa indicada no contrato, a BKC Distribuição Ltda., não possuiria existência jurídica comprovada. A autora da ação sustenta que o CNPJ fornecido é inválido, que não há registro da empresa na Receita Federal, que o endereço indicado não funciona como sede empresarial e que inexiste comprovação de atividade econômica. Diante disso, ela pede que Urandir Fernandes de Oliveira e Alan Fernandes de Oliveira, que assinaram o contrato como sócios, respondam diretamente pela dívida com seus bens pessoais, argumentando que a empresa seria apenas fictícia.

Cobrança de investimento inicial e alegações de inexistência da empresa

O primeiro processo judicial, iniciado em dezembro de 2025, foca na recuperação do valor investido. A empresária alega que a falta de comprovação da regularidade da BKC Distribuição Ltda. levanta sérias dúvidas sobre a aplicação do dinheiro. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a autora da ação detalha em sua petição que o CNPJ apresentado seria inválido e que a empresa não possuiria qualquer registro formal ou atividade econômica comprovada. A estratégia legal da empresária é desconsiderar a personalidade jurídica da empresa, argumentando que ela foi criada apenas para dar aparência de legalidade ao negócio, e responsabilizar pessoalmente os sócios pela dívida.

A situação se agravou quando, após a notícia da ação de cobrança começar a circular, Urandir Fernandes de Oliveira teria se manifestado publicamente sobre o caso em suas redes sociais. Essa manifestação motivou um segundo processo, protocolado em janeiro de 2026, desta vez movido pela empresária contra o ufólogo por danos morais. Na ação, Ana Carolina afirma que Urandir fez acusações diretas e nominais contra ela, atribuindo-lhe a apropriação indevida de ativos digitais e insinuando práticas de irregularidades patrimoniais. Além disso, o ufólogo teria sugerido que a empresária teria financiado veículos de imprensa para disseminar notícias falsas ou tendenciosas sobre a disputa, o que ela veementemente nega.

Vídeos na internet e o pedido de remoção de conteúdo

As declarações que deram origem ao processo por danos morais, conforme descrito nos autos, foram feitas em vídeos publicados nas redes sociais, com ampla divulgação. Diante da gravidade das acusações, a empresária buscou a intervenção do Judiciário, solicitando a retirada do conteúdo. Em uma decisão proferida no dia 5 de fevereiro, a Justiça acatou o pedido de tutela antecipada e determinou a remoção imediata do vídeo em questão, visando frear a disseminação das alegações. O pedido da empresária vai além, buscando também a proibição de novas manifestações do ufólogo com o mesmo teor e o pagamento de R$ 60 mil a título de danos morais. A ação sustenta que houve uma clara extrapolação do direito de manifestação, com imputações de condutas que, segundo a autora, atingem diretamente sua honra e reputação profissional e pessoal.

Disputas judiciais se multiplicam e defesa de Urandir se manifesta

O embate judicial entre as partes, apesar da repercussão, permanece concentrado no Judiciário. Um processo busca resolver a questão da existência da empresa e a devolução do investimento, enquanto o outro lida com as consequências jurídicas das acusações feitas após a cobrança inicial. Ambos seguem em tramitação, sem uma definição sobre o conflito financeiro até o momento. Para completar o cenário de litígios, o ufólogo também enfrenta uma disputa judicial contra sua ex-nora, Gabriela Pache da Silva. Em janeiro deste ano, a BDM Soluções Digitais Ltda., empresa ligada a Urandir, moveu uma queixa-crime por calúnia e difamação contra ela. A ação ocorreu após Gabriela utilizar as redes sociais para acusar a empresa de operar como um “sistema Ponzi”, ou pirâmide financeira. O caso tramita em uma Vara Criminal de Campo Grande.

Em resposta à reportagem, a defesa de Urandir Fernandes de Oliveira declarou não ter conhecimento da existência das ações mencionadas. Os advogados afirmaram que, diante da ausência de informações sobre o recebimento dos processos pelo Poder Judiciário ou da possibilidade de que tramitem sob segredo de justiça, a ética profissional os impede, neste momento, de realizar qualquer manifestação, sob pena de eventuais consequências legais, cíveis e criminais. A situação evidencia a complexidade e a amplitude das batalhas legais que envolvem o ufólogo e seus associados, com desdobramentos que alcançam tanto o âmbito financeiro quanto a esfera da honra e da imagem pública. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a Justiça de Mato Grosso do Sul tem sido palco de intensos debates sobre a veracidade das alegações e a responsabilidade dos envolvidos.

A repercussão do caso também levanta questões sobre a **transparência em investimentos** e a **responsabilidade de figuras públicas** em suas declarações online. A dinâmica dos processos, que envolvem desde a análise da validade de contratos e a existência de empresas até a difusão de informações em mídias sociais, demonstra como as disputas financeiras podem rapidamente escalar para batalhas de reputação e difamação. O acompanhamento destes casos, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS, é fundamental para entender os desdobramentos legais e as implicações para todas as partes envolvidas.