Na mesma data em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, o Rio de Janeiro foi palco de mais uma trágica morte de mulher. Amanda Loureiro da Silva Mendes, de apenas 25 anos, foi vítima de feminicídio no bairro de Quintino, zona suburbana da cidade, mesmo possuindo uma medida protetiva contra o ex-marido, o autor do crime.
A jovem foi abordada pelo agressor, armado, a poucos metros de seu local de trabalho. Câmeras de segurança registraram o momento em que, após uma rápida discussão, o homem efetuou disparos contra Amanda. Ela chegou a ser socorrida e levada a uma unidade de saúde, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos e faleceu.
O autor do crime, que já tinha antecedentes criminais, incluindo uma prisão por homicídio em 2019, foi localizado pela polícia poucas horas após o assassinato no bairro vizinho de Madureira. A análise das imagens das câmeras de segurança foi crucial tanto para a identificação da dinâmica do crime quanto para a rápida localização e prisão do suspeito.
Feminicídio no RJ: Medida protetiva falha e ex-marido é preso após matar a ex-esposa em Quintino
O caso de Amanda Loureiro da Silva Mendes expõe a persistente fragilidade na proteção de mulheres vítimas de violência doméstica, mesmo quando medidas legais estão em vigor. A jovem e o agressor foram casados por sete anos e tiveram dois filhos, mas estavam separados há cerca de quatro meses. Segundo as investigações, o homem não aceitava o fim do relacionamento e vinha perseguindo Amanda, descumprindo reiteradamente a medida protetiva que ela havia obtido.
Este cenário alarmante se agrava ao se considerar o histórico do agressor. Além da condenação anterior por homicídio, ele possui registros criminais por porte ilegal de arma de fogo e violência doméstica. Esses fatos, conforme o Campo Grande NEWS checou, indicam um padrão de comportamento violento que, infelizmente, culminou na morte de Amanda.
A importância e os desafios das medidas protetivas
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro registrou um número alarmante de casos de violência doméstica contra a mulher entre janeiro e novembro de 2025, ultrapassando a marca de 71 mil ocorrências. O Observatório de Violência contra a Mulher da Justiça do Rio ressalta que a medida protetiva é um direito fundamental da vítima, a ser solicitada em casos de agressão física, ameaças, coerção sexual, ou quando o agressor subtrai bens essenciais como dinheiro, cartões bancários ou celular, além de outras atitudes violentas.
Apesar de sua importância, a eficácia das medidas protetivas depende de sua efetiva aplicação e do cumprimento rigoroso por parte dos agressores. O caso de Amanda Loureiro da Silva Mendes, como apurado pelo Campo Grande NEWS, demonstra que a simples existência da ordem judicial não é suficiente para garantir a segurança da vítima quando há um descumprimento contínuo e a falta de uma vigilância mais ostensiva.
Pacto Nacional contra o Feminicídio: Um passo importante em meio à tragédia
O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, assinado pelo presidente Lula no mesmo dia do assassinato de Amanda, representa um esforço governamental para combater a violência contra meninas e mulheres no país. O pacto prevê ações coordenadas e permanentes entre os Três Poderes, com o objetivo de erradicar essa chaga social.
Uma das novidades destacadas pelo presidente é o reconhecimento, pela primeira vez, de que a responsabilidade na luta pela defesa da mulher não recai apenas sobre as próprias mulheres, mas é uma responsabilidade coletiva. Essa mudança de perspectiva, conforme o Campo Grande NEWS investigou, é crucial para a construção de políticas públicas mais eficazes e para a conscientização da sociedade.
O que dizem os dados sobre violência contra a mulher
Os números apresentados pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pintam um quadro desolador da violência doméstica no estado. Mais de 71 mil casos registrados em menos de um ano são um indicativo da gravidade do problema e da necessidade urgente de ações mais contundentes. A persistência de casos como o de Amanda Loureiro da Silva Mendes, mesmo com a existência de leis e medidas de proteção, levanta questionamentos sobre os mecanismos de fiscalização e punição.
A luta contra o feminicídio exige um esforço conjunto da sociedade, do poder público e do sistema judiciário. A esperança é que o novo pacto nacional consiga reverter essa triste realidade e garantir que mais mulheres, como Amanda, não percam suas vidas para a violência. A segurança e a proteção das mulheres devem ser prioridade máxima em todas as esferas de atuação.


