Um esquema criminoso que desviou cerca de R$ 5 milhões de uma obra de luxo em Campo Grande está sob investigação da Polícia Civil. O montante desviado seria suficiente para adquirir até três apartamentos de alto padrão, com valores que variam entre R$ 1,3 milhão e R$ 2,3 milhões, de acordo com anúncios da HVM Incorporações, a empresa vítima do golpe. A construtora, com sede na capital sul-mato-grossense, possui pelo menos dez empreendimentos na cidade, entre obras concluídas e em andamento.
A operação, batizada de “Abalo Sismico”, foi deflagrada nesta terça-feira (3) pela Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros). Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em residências e empresas, e um empresário foi preso em flagrante por posse ilegal de arma. As investigações apontam para um **superfaturamento de orçamentos e furto de materiais**, causando um prejuízo milionário à incorporadora.
Engenheiros e prestadores de serviço sob suspeita
Segundo as apurações, o esquema envolvia engenheiros e prestadores de serviço contratados pela HVM. Ao todo, seis pessoas tiveram restrições impostas pela Justiça, como a proibição de se comunicarem entre si, para evitar que fossem presas preventivamente. Entre os alvos estão dois engenheiros e três responsáveis por empresas contratadas, além de um almoxarife.
Um dos detidos foi o empresário Francisco Sobreira Pita Neto, proprietário de uma transportadora e de uma empresa de aluguel de maquinário. Outro investigado identificado é o engenheiro civil Kembo de Souza Ganem, com 27 anos de experiência em gerenciamento de projetos, que atuava na HVM como responsável pela área técnica e pela gestão de orçamentos e suprimentos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as investigações revelaram contratos com **quantitativos absurdos e cálculos adulterados**, como em uma análise geológica para fundação de prédio.
Prejuízo milionário em obras de luxo no Jardim dos Estados
Os desvios ocorreram em um canteiro de obras localizado no Jardim dos Estados, bairro nobre de Campo Grande. A HVM possui quatro empreendimentos na região, sendo dois em construção e dois já finalizados. O edifício Downtown Boutique Studios, ainda em fase de construção, terá 22 andares com 220 unidades do tipo estúdio. Já o prédio Anthology, também em construção, conta com 21 andares de imóveis residenciais e 29 salas comerciais.
Um apartamento no edifício Anthology está anunciado por R$ 2.230.000,00. Os condomínios Dom e Três Meia Zero, também no Jardim dos Estados, foram erguidos pela HVM. O delegado Pedro Henrique Pillar Cunha, responsável pela operação, informou que as investigações tiveram início há cerca de seis meses, após a constatação de furtos de insumos na obra. A partir daí, descobriu-se o esquema de superfaturamento. O prejuízo estimado para a incorporadora é de R$ 5 milhões.
Suspeitos podem responder por diversos crimes
Os suspeitos, incluindo os engenheiros e os responsáveis pelas empresas contratadas, poderão responder por **furto qualificado mediante fraude e abuso de confiança, estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais**. Durante as buscas, em uma das residências, foram encontrados R$ 700 mil em espécie. Os mandados de busca foram cumpridos em Campo Grande, Votorantim (SP), Campinas (SP) e Sorocaba (SP).
A HVM Incorporações, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que está apurando as informações internamente e que aguarda posicionamento. Tentativas de contato com Francisco Sobreira e Kembo de Souza não foram bem-sucedidas até o momento. O espaço para as defesas permanece aberto. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a empresa HVM tem forte atuação na região, com diversos empreendimentos que movimentam o mercado imobiliário local. A atuação da Polícia Civil visa coibir fraudes e garantir a segurança jurídica das obras e dos investidores, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

