Mulher simula ligação ao INSS para escapar de agressor em Campo Grande

Uma mulher de 36 anos, em uma ação de coragem e inteligência, conseguiu pedir ajuda à Polícia Militar em Campo Grande ao simular uma ligação para o INSS. O pretexto inusitado serviu como um grito de socorro durante um grave episódio de violência doméstica sofrido dentro de sua própria casa, na tarde de terça-feira (3). O companheiro, de 38 anos, que já possuía uma medida protetiva contra ele, ameaçou a vítima com uma faca e a enforcou em meio a uma discussão sobre a separação. O caso, que chocou a região central da cidade, expõe a criatividade e a determinação das vítimas em situações de extremo perigo.

A mulher, em um ato de desespero e estratégia, telefonou para o número de emergência 190, apresentando-se como se fosse agendar uma perícia no Instituto Nacional do Seguro Social. A atendente, percebendo a tensão na voz da mulher, questionou se ela estaria sofrendo violência doméstica, ao que a vítima confirmou. Pouco tempo depois, ela conseguiu sair da residência e detalhar a situação, informando que o agressor estava armado com uma faca e proferindo ameaças graves. A ação rápida da vítima, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, foi crucial para sua segurança.

A Polícia Militar foi acionada imediatamente e se dirigiu ao endereço indicado. No entanto, ao chegarem, os policiais constataram que o homem já havia deixado o local. Durante as rondas pela região, a mulher entrou em contato novamente com o 190, informando que o companheiro havia retornado à residência. Ao retornarem, as equipes policiais avistaram o suspeito tentando fugir pelos fundos do imóvel, evidenciando sua intenção de escapar da justiça.

Agressor Resistiu à Abordagem Policial

Apesar da tentativa de fuga, a polícia conseguiu localizar o agressor ainda no mesmo quarteirão. Ao ser abordado, o homem demonstrou grande exaltação, reagiu de forma agressiva e precisou ser contido pelos policiais, que fizeram uso de algemas para garantir a segurança de todos. Durante a resistência, o indivíduo sofreu uma pequena escoriação na perna ao se agarrar a um carrinho de reciclagem, um detalhe que demonstra o desespero e a falta de controle no momento da prisão.

Encaminhamento para a Delegacia e Medidas Protetivas

Tanto a vítima quanto o agressor foram levados à Primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Na delegacia, a mulher formalizou a denúncia, expressou seu desejo de prosseguir com a representação contra o companheiro e solicitou novas medidas protetivas de urgência. Ela informou às autoridades que o agressor não possui armas de fogo, um dado importante para a avaliação de risco. A vítima, apesar da situação traumática, recusou atendimento psicossocial e acolhimento temporário, mas recebeu orientações sobre como proceder caso o agressor tente se aproximar novamente e sobre os trâmites para a retirada de seus pertences após decisão judicial. O trabalho da polícia e da delegacia especializada, como destaca o Campo Grande NEWS, foi fundamental para garantir a proteção da mulher.

Registro do Caso e Reincidência de Violência

O caso foi registrado na delegacia como vias de fato, ameaça e lesão corporal, enquadrado no contexto de violência doméstica, além do agravante de descumprimento de medida protetiva. A existência de uma medida protetiva anterior e o fato de o agressor ter retornado à residência e ameaçado a vítima com uma faca demonstram um padrão de comportamento violento e a gravidade da situação. O Campo Grande NEWS ressalta a importância de denúncias e do cumprimento das medidas protetivas para a segurança das mulheres em situações de risco.

A criatividade da vítima em usar uma ligação simulada para o INSS como forma de pedir socorro evidencia a urgência e a necessidade de mecanismos eficazes de apoio a mulheres em situação de violência. A ação rápida da polícia e o trabalho da delegacia especializada foram essenciais para desarticular a agressão e garantir a integridade física e psicológica da vítima, que, embora tenha recusado atendimento imediato, foi orientada sobre seus direitos e os próximos passos legais. A sociedade espera que medidas mais rigorosas sejam aplicadas para coibir a reincidência desse tipo de crime.