Um antigo prédio comercial na Rua Antônio Maria Coelho, no Centro de Campo Grande, transformou-se em um cenário de abandono, acúmulo de lixo e ponto de consumo de drogas. O local, que já abrigou uma agência de viagens, encontra-se em ruínas e serve como depósito irregular de entulhos, muitas vezes em troca de dinheiro para a compra de entorpecentes. A situação tem gerado preocupação e indignação entre os moradores e comerciantes da região, que convivem diariamente com a degradação e os transtornos causados pelo espaço.
A fachada deteriorada e a grande quantidade de resíduos acumulados no interior do imóvel são um reflexo do descaso e da falta de solução para o problema. O cenário é composto por restos de entulho, móveis quebrados, cobertores e embalagens de marmitas, dividindo espaço com um cão vira-lata que se tornou o único morador fixo do local. A situação se agrava com relatos de queima de fios de cobre, uma prática perigosa e que contribui para a poluição do ar.
Conforme informações apuradas pelo Campo Grande NEWS, o imóvel está abandonado há anos. Imagens do Google Street View de 15 anos atrás já demonstravam o início da deterioração, que se intensificou com o passar do tempo. A origem do abandono remonta a um crime ocorrido em 2011, quando o então proprietário foi autor de um feminicídio nas proximidades. Após sua morte em 2021, o imóvel passou por processo de partilha e foi vendido a um novo proprietário, que alega estar exausto de tentar manter o local limpo.
Proprietário desabafa sobre dificuldades em manter o local limpo
O atual proprietário do imóvel, que prefere não se identificar, expressou o seu descontentamento com a situação. Ele relata que a limpeza do local é uma tarefa árdua e praticamente inútil. “A gente arruma de manhã e, à tarde, já arrebentam tudo de novo. Eu já limpei mais de 100 vezes. Chega uma hora que não dá mais. Sem segurança, não tem como”, desabafou. A falta de estrutura e segurança dificulta qualquer tentativa de revitalização ou manutenção do espaço.
Moradores relatam descarte irregular e uso para consumo de drogas
A comerciante Nívea Vilena, de 44 anos, é uma das pessoas que convivem com os problemas gerados pelo prédio abandonado. Ela conta que é comum ver pessoas em situação de rua utilizando o imóvel para pernoitar e para o consumo de drogas. “Alguns vizinhos, quando limpam o quintal, oferecem R$ 5 para o pessoal retirar o entulho. Eles levam tudo para esse imóvel e usam o dinheiro para comprar droga”, relatou. Essa prática, além de gerar um foco de sujeira, contribui para a proliferação do uso de entorpecentes na região central.
A queima de fios de cobre também é uma constante, segundo Nívea. O material, muitas vezes proveniente de furtos, é queimado no local para a extração do metal, liberando uma fumaça tóxica e malcheirosa que afeta os arredores. A situação configura um grave risco à saúde pública e ao meio ambiente, além de aumentar a sensação de insegurança para os moradores.
Prefeitura é questionada, mas não se manifesta
O Campo Grande NEWS entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para saber quais medidas seriam tomadas em relação ao prédio abandonado e ao descarte irregular de lixo e drogas. No entanto, até o momento da publicação desta reportagem, não houve retorno por parte do órgão municipal. O espaço continua aberto, em estado de abandono e servindo como ponto de problemas para a comunidade.
A falta de ação do poder público agrava a situação, deixando os moradores e comerciantes à mercê dos transtornos. A expectativa é que a prefeitura tome providências urgentes para solucionar o problema, seja através da fiscalização, da desapropriação do imóvel ou de ações sociais voltadas para as pessoas em situação de rua que utilizam o local. O Campo Grande NEWS, conforme checou, continuará acompanhando o caso e buscando respostas para a comunidade.
A situação do antigo prédio comercial na Rua Antônio Maria Coelho é um reflexo de problemas mais amplos enfrentados pela região central da cidade, como o abandono de imóveis, a questão social das pessoas em situação de rua e o tráfico de drogas. A solução exige um esforço conjunto do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil para reverter o quadro de degradação e garantir mais qualidade de vida e segurança para todos.

