Influencer é presa por descumprir medida protetiva e perseguir sogra e cunhada

A influenciadora digital Daniele Santana Gomes, de 31 anos, conhecida como “Coach irônica”, foi presa em Campo Grande nesta sexta-feira (30) por descumprir medidas protetivas e perseguir a sogra e a cunhada. A decisão, proferida pelo juiz Marcus Abreu de Magalhães, da 4ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, atende a um pedido do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e visa proteger a integridade das vítimas, classificando a conduta como violência digital.

Daniele Gomes, que acumula 41 boletins de ocorrência por crimes como difamação, perseguição e ameaças, manteve uma estrutura online com mais de 70 mil seguidores, atuando como “pistoleira digital”, segundo a Polícia Civil. A investigação aponta que ela possivelmente agia mediante vantagens econômicas, disseminando conteúdo difamatório e destrutivo para a reputação de terceiros.

Prisão decretada por desrespeito à Justiça

Medidas protetivas haviam sido expedidas anteriormente, proibindo Daniele e seu namorado, Ítalo dos Santos Barros, de 27 anos, de se aproximarem ou contatarem as vítimas. A ordem judicial também impedia a divulgação de qualquer informação, imagem, áudio ou vídeo relacionado às vítimas ou seus familiares em mídias sociais e aplicativos de mensagem. O casal tinha 48 horas para remover conteúdos ofensivos já publicados.

No entanto, as agressões virtuais continuaram, principalmente no Instagram e TikTok, configurando um claro descumprimento da ordem judicial. O juiz Marcus Abreu de Magalhães destacou que o comportamento de Daniele demonstrava “absoluto desprezo pela autoridade deste juízo”, ultrapassando os limites da liberdade de expressão e configurando um desrespeito ao poder judiciário.

A prisão preventiva foi justificada pela persistência das agressões, que causam profundos danos psicológicos e afetam a saúde mental, a dignidade e a vida social das vítimas. O juiz ressaltou que as advertências anteriores não foram suficientes para impedir a continuidade delitiva, tornando necessária a adoção de medidas mais severas.

Influencer atuava como “pistoleira digital”

A investigação da Polícia Civil, conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia, revelou um histórico de condutas semelhantes de Daniele contra diversas pessoas. Um levantamento apontou 41 boletins de ocorrência contra a influenciadora, incluindo acusações de difamação, stalking, calúnia, injúria, ameaça e até lesão corporal dolosa.

As vítimas identificadas possuem perfis variados, abrangendo médicos, advogados, empresários, jornalistas, psicólogos e até mesmo magistrados (indiretamente). Essa diversidade de alvos, aliada a outros elementos coletados, leva a crer que Daniele atuava como “pistoleira digital”, possivelmente incentivada por vantagens econômicas, como doações, Pix ou promessas de reciprocidade.

Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, Daniele mantinha uma estrutura multiplataforma com mais de 70 mil seguidores, sustentada por conteúdo sensacionalista e destruição reputacional. A investigação aponta o namorado da influencer como coautor dos crimes, mas não há mandado de prisão contra ele.

Violência digital e seus graves efeitos

O juiz enfatizou os graves efeitos da violência digital, que podem levar a danos psicológicos profundos e impactar a saúde mental das vítimas. A persistência de Daniele nas agressões virtuais demonstrou que a advertência anterior não foi suficiente para impedir a continuidade delitiva, justificando a prisão preventiva.

A prisão foi realizada pela Polícia Civil em um bar na região do Tiradentes, em Campo Grande, e Daniele foi encaminhada à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). O caso reforça a preocupação com o uso indevido das redes sociais para a prática de crimes e a importância da aplicação da Lei Maria da Penha para a proteção das vítimas. O espaço segue aberto para o posicionamento das defesas de Daniele e Ítalo, como informado pelo Campo Grande NEWS.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a influencer utilizava suas plataformas para disseminar ataques, prejudicando a imagem de diversas pessoas e empresas. A investigação detalhada pela Polícia Civil, com base nas denúncias e no monitoramento das redes sociais, foi crucial para a comprovação do descumprimento das medidas protetivas e a consequente prisão.