Em Campo Grande, a luta contra os furtos em residências ganha um novo aliado: os grupos de WhatsApp. Além das tradicionais câmeras, cercas elétricas e alarmes, a população tem apostado na força da comunidade e na comunicação rápida para aumentar a segurança. A iniciativa, que já conta com milhares de participantes, tem se mostrado eficaz em unir vizinhos e alertar sobre atividades suspeitas, fortalecendo a vigilância comunitária.
WhatsApp: a nova fronteira da segurança em Campo Grande
A busca por tranquilidade em Campo Grande tem levado moradores a investir em diversas estratégicas para proteger seus lares. Câmeras de monitoramento, sensores de presença, cercas elétricas e concertinas são apenas algumas das medidas adotadas. No entanto, um movimento crescente tem demonstrado que a união e a comunicação entre vizinhos podem ser tão ou mais eficazes.
Grupos de vigilância comunitária, impulsionados pelas redes sociais, têm se fortalecido como uma ferramenta poderosa. A troca de informações em tempo real via WhatsApp permite que os moradores fiquem atentos a qualquer movimentação incomum, criando uma rede de proteção colaborativa.
O portal Campo Grande NEWS checou que essa mobilização não é apenas uma tendência passageira, mas uma resposta concreta aos desafios de segurança enfrentados. A iniciativa de Elias Camilo, morador da região do Prosa há 35 anos, exemplifica o sucesso dessa abordagem. Ele criou o primeiro grupo no WhatsApp há cinco anos, e hoje, a iniciativa se expandiu para três grupos, com mais de mil integrantes cada, totalizando cerca de 3.200 pessoas, que se autodenominam “Guardiões da Região Prosa”.
Vizinhança conectada: mais olhos e ouvidos para a segurança
Elias Camilo explica que os grupos vão além da região do Prosa, abrangendo também moradores dos bairros Nova Lima e Segredo. “Hoje não é mais só a região do Prosa. Nós trabalhamos com três grupos, incluindo moradores do Nova Lima e do Segredo. Ao todo, são cerca de 3.200 pessoas, e tentamos conhecer quem mora ao nosso lado, quem vive próximo da gente, para que possamos ter mais segurança”, relata.
A dinâmica dos grupos é focada na ação e na troca de informações relevantes. “Quando alguém precisa sair, avisa no grupo: ‘Olha, vou viajar’, ‘Vou sair’, ‘Estou precisando de ajuda’ ou ‘Está acontecendo tal coisa’. Não é um grupo para dar bom dia ou boa tarde, é um grupo de ação”, enfatiza Elias.
A presença de policiais e guardas civis metropolitanos nos grupos, seja por parceria ou por serem moradores locais, potencializa a eficácia da comunicação. Essa conexão direta agiliza a atuação das forças de segurança diante de qualquer sinal de atividade suspeita no bairro.
Estratégias combinadas: tecnologia e comunidade em sintonia
Um morador, que prefere não se identificar, reforça a importância dessa rede de apoio. Há dois anos participando do “Guardiões da Região do Prosa”, ele relata que a tranquilidade aumenta, especialmente durante viagens. Sua residência já foi alvo de furtos, o que o levou a adotar um conjunto de medidas de segurança.
“Nossa residência conta com circuito de câmeras, sistema de alarme, muros altos com concertina, sensores de presença, além de travas e cadeados reforçados em portas e portões. Também temos cachorros que auxiliam na vigilância. Mesmo com todo esse aparato, ainda nos sentimos inseguros em diversas ocasiões”, compartilha.
Ele destaca o trabalho contínuo da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, mas aponta para o Judiciário como um ponto crítico. “O problema reside no segundo pilar: o Judiciário. Infelizmente, o esforço policial é muitas vezes neutralizado em audiências de custódia, onde indivíduos presos em flagrante são liberados rapidamente”, lamenta.
O cenário na região é agravado pela ocupação de um edifício conhecido como “Carandiru”, apontado como ponto central de receptação e tráfico de drogas. “Apesar de existir um processo para a remoção do prédio, assinado por milhares de moradores, a Justiça protela a decisão, esquivando-se da responsabilidade”, afirma o morador, que vê a situação gerar desvalorização imobiliária e transformar as ruas em algo semelhante a uma “Cracolândia”.
Para reverter esse quadro, ele defende uma ação conjunta entre Judiciário, Prefeitura e forças policiais, visando a realocação de famílias, a demolição ou devolução do prédio, e o tratamento para dependentes químicos. “É fundamental que delinquentes reincidentes permaneçam detidos, garantindo que o policiamento local não continue apenas ‘enxugando gelo'”, conclui.
Recomendações oficiais: como inibir furtos e auxiliar investigações
O delegado adjunto da Defurv (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos), Jackson Frederico Vale, ressalta a importância de medidas preventivas que vão além da vigilância comunitária. “Nós observamos, no dia a dia da investigação, que as câmeras de segurança ajudam muito. Elas não impedem totalmente o crime, mas inibem e, principalmente, auxiliam na identificação e prisão dos autores. Hoje, ter câmera de segurança é algo essencial”, explica.
O delegado enfatiza que a falta de imagens já prejudicou investigações. A popularização das câmeras tem sido um fator crucial para o avanço dos trabalhos policiais. “Já tivemos casos em que furtos acabaram evoluindo para crimes mais graves e não foi possível avançar na investigação justamente pela falta de imagens”, pontua.
“Além das câmeras, todos os outros mecanismos de proteção são válidos: alarmes, cercas elétricas, concertinas, reforço em portões e fechaduras. Tudo o que dificulte a ação do criminoso contribui para a proteção do imóvel”, completa Vale. O portal Campo Grande NEWS, em sua cobertura sobre segurança, ressalta a importância da colaboração entre cidadãos e autoridades para a construção de um ambiente mais seguro.
A iniciativa dos grupos de WhatsApp em Campo Grande serve como um exemplo inspirador de como a tecnologia, aliada à união comunitária, pode fortalecer a segurança local. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa abordagem colaborativa não só inibe a ação de criminosos, mas também promove um senso de pertencimento e responsabilidade mútua entre os vizinhos, criando uma rede de proteção mais robusta e eficaz.

