Irmãos Zahran: R$ 1,5 milhão em notas promissórias e 7 Rolex apreendidos em operação contra estelionato

A Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de São José do Rio Preto (SP) deflagrou a Operação Castelo de Cartas, que resultou na apreensão de R$ 1,5 milhão em notas promissórias e R$ 250 mil em espécie durante buscas em endereços de alto padrão em Campo Grande (MS) e no interior de São Paulo. A ação teve como alvo os irmãos Gabriel e Camillo Zahran, herdeiros do Grupo Zahran, investigados por um esquema de investimentos fraudulentos.

Herdeiros Zahran são alvos de operação por estelionato

A investigação apura crimes de estelionato e associação criminosa, com vítimas espalhadas por diversos estados, que teriam sofrido prejuízos milionários. Conforme o delegado Fernando Tedde, da Deic, os irmãos utilizavam o prestígio do sobrenome familiar para atrair empresários, prometendo retornos financeiros elevados em negócios e empresas que, segundo a investigação, não existiam.

As buscas cumpriram mandados em endereços de luxo, onde foram apreendidos não apenas o dinheiro e as notas promissórias, mas também 10 carros de luxo, 7 relógios Rolex e 1 Cartier, joias, aparelhos eletrônicos de última geração, como dois iPhones, além de máquinas de cartão e vasta documentação. Quatro armas de fogo municiadas, sendo três revólveres e uma pistola, também foram encontradas e apreendidas.

Um dos alvos das buscas foi o condomínio Green Life, na Avenida Nelly Martins, em Campo Grande, onde reside Gabriel Gandi Zahran Georges. Ele e o irmão, Camillo Zahran, são apontados como os responsáveis por vender investimentos “de fachada”, conforme apurado pela Deic. As investigações tiveram início em abril de 2025.

Gabriel detido, Camillo foragido

Gabriel Zahran foi detido e levado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol, onde prestou depoimento por cerca de três horas. Em contrapartida, Camillo Zahran é considerado foragido, com mandado de prisão em aberto contra ele. Gabriel é conhecido por ostentar uma vida de luxo nas redes sociais, com viagens e festas, enquanto Camillo mantém um perfil mais reservado.

A segunda fase da Operação Castelo de Cartas, deflagrada nesta quarta-feira (28), foca nos crimes de associação criminosa e estelionato. O valor total dos golpes ainda não foi divulgado, mas as vítimas com prejuízos milionários estão localizadas em diferentes cidades, incluindo Mato Grosso do Sul. Conforme o Campo Grande NEWS checou, os irmãos já enfrentam ou enfrentaram outros processos judiciais no estado.

Histórico de processos e nota do Grupo Zahran

Gabriel Zahran já respondeu por homicídio culposo em 2021, caso que foi resolvido por acordo. Camillo Zahran é alvo de uma ação de cobrança no valor de R$ 5,3 milhões por investimentos não concretizados. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a defesa dos irmãos, representada pelo advogado Márcio de Ávila Martins Filho, alegou que a investigação corre sob sigilo e preferiu não comentar o caso.

Em nota oficial, o Grupo Zahran informou que “as pessoas mencionadas na reportagem nunca possuíram qualquer tipo de vínculo com suas empresas”. A nota destaca que, embora sejam membros da família, eles “não prestam serviços, não exercem funções administrativas e não participam da gestão de nenhuma das empresas, que operam de forma independente, com governança própria e em conformidade com a legislação vigente”.

A ação da Deic visa desarticular uma rede de fraudes financeiras que se aproveitava da credibilidade familiar para enganar investidores. A quantidade de bens de luxo apreendidos, incluindo os sete relógios Rolex, reforça a magnitude do esquema investigado. A operação continua em andamento, com a expectativa de novas apreensões e prisões. A polícia pede que quem tiver informações sobre o paradeiro de Camillo Zahran entre em contato. O caso segue em sigilo, mas o Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos desta investigação que abala o cenário empresarial e familiar do país.