Herdeiro Zahran é réu em fraude de R$ 5 milhões: Operação Castelo de Cartas avança

Operação Castelo de Cartas: herdeiro Zahran é acusado de golpe milionário

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a segunda fase da Operação Castelo de Cartas, que investiga fraudes financeiras. O foco principal é Camillo Gandi Zahran Georges, de 36 anos, herdeiro do Grupo Zahran, acusado de aplicar um golpe de R$ 5 milhões em um casal de amigos em Campo Grande (MS). A operação apura esquemas que envolviam falsas exportações de ouro e representação fictícia da cachaça Pitú.

Camillo Zahran está foragido e foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) juntamente com outros quatro suspeitos. As acusações incluem associação criminosa e estelionato. A investigação teve início após as vítimas procurarem a polícia em agosto de 2024, culminando em uma longa apuração que passou pelas mãos da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações (Dedfaz). Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, o caso revela a complexidade de fraudes financeiras que utilizam a confiança e o prestígio de nomes conhecidos.

Amizade transformada em golpe

Segundo a denúncia do MPMS, assinada pela promotora Suzi D’Angelo, Camillo Zahran teria se aproximado das vítimas através de um personal trainer que o atendia. O educador físico e sua esposa, assim como outro integrante da quadrilha, João Augusto de Almeida de Mendonça, tornaram-se amigos do casal. Essa relação de confiança foi explorada por Zahran para oferecer investimentos com promessas de lucros extraordinários.

“Valendo-se da relação de amizade e confiança com os ofendidos e do prestígio do sobrenome Zahran para conferir credibilidade, Camillo propôs que as vítimas investissem em negócios inexistentes e/ou fraudulentos sob falsa promessa de lucro”, detalha a denúncia. Essa estratégia, focada em capitalizar sobre a confiança estabelecida, é um dos pilares do modus operandi dos golpistas, conforme investigado pela Deic.

Esquemas fraudulentos e bens apreendidos

O golpe se desdobrou em três frentes principais. A primeira envolvia uma suposta exportação de ouro, com promessa de rendimento mensal de 3,75% e devolução do capital em curto prazo. A segunda era a falsa representação da marca de cachaça Pitú. Por fim, um projeto de abertura de um supermercado da rede “Na Boa” que nunca saiu do papel completava o trio de enganações.

O personal trainer começou a investir em abril de 2023, transferindo dinheiro para contas pessoais de João Augusto, apresentado como braço direito de Zahran, e para empresas ligadas a outros denunciados: Adriano Piovezan Soares (FDR Cobranças) e Vagner da Costa Filho (Clean Energy Global Ltda). A denúncia, recebida pela Justiça em dezembro de 2025, pede a condenação dos réus e uma indenização mínima de R$ 5 milhões às vítimas.

Segunda fase da Operação Castelo de Cartas

A segunda fase da Operação Castelo de Cartas, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo, cumpriu mandados em Campo Grande. A ofensiva resultou na apreensão de R$ 1,5 milhão em notas promissórias e R$ 250 mil em espécie. Além disso, foram confiscados 10 carros de luxo, 7 relógios Rolex e 1 Cartier, joias, dois iPhones de última geração, cartões bancários e vasta documentação. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a operação visa desarticular uma quadrilha especializada em fraudes financeiras.

Contra Camillo Zahran, há um mandado de prisão em aberto, sendo ele considerado foragido. Seu irmão, Gabriel Gandi Zahran Georges, de 38 anos, também foi ouvido pela polícia, mas liberado. Ambos são filhos do ex-deputado Gandi Jamil e netos de Ueze Zahran, figuras proeminentes no cenário empresarial.

Posicionamento dos envolvidos

Em nota, o Grupo Zahran informou que as pessoas mencionadas na reportagem “nunca possuíram qualquer tipo de vínculo com suas empresas”. A empresa esclareceu que, embora sejam membros da família, eles não prestam serviços, não exercem funções administrativas e não participam da gestão das empresas, que operam de forma independente e em conformidade com a legislação.

O advogado de Camillo e Gabriel Zahran, Márcio de Ávila Martins Filho, alegou que a investigação corre sob sigilo e não pôde comentar o caso. O espaço permanece aberto para manifestação das defesas dos demais citados. A atuação do MPMS e da Polícia Civil de São Paulo demonstra o compromisso com a investigação de crimes financeiros, como noticiado pelo Campo Grande NEWS.