Por um lapso administrativo, a Justiça do Mato Grosso do Sul habilitou Urandir Fernandes de Oliveira, figura conhecida por liderar o Grupo Dakila, a ter acesso a operações sigilosas do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado). O equívoco, no entanto, foi identificado e corrigido no mesmo dia, com a troca de senhas e exclusão do cadastro indevido. As informações foram divulgadas pelo Campo Grande NEWS, que apurou os detalhes do caso.
Gaeco investiga fraudes e Urandir é liberado de acesso indevido
As operações batizadas de Collusion e Simulatum foram deflagradas na última quarta-feira (21) e visam apurar fraudes em licitações e contratos públicos no município de Terenos. Um dos alvos das investigações foi um escritório ligado ao Jornal Impacto, de Francisco Elivaldo de Souza, que, segundo apurado, é sócio de Urandir em duas empresas: BDM Digital Administração de Negócios e BDM Dourado Digital Gestão de Ativos. O Grupo Dakila, por sua vez, negou qualquer envolvimento de Urandir nas investigações, conforme comunicado à imprensa.
Falha na habilitação de acesso é rapidamente revertida
A movimentação processual que indicava a inclusão de Urandir Fernandes de Oliveira como parte com acesso aos autos sigilosos ocorreu na tarde de quarta-feira. No entanto, horas depois, às 18h07, uma certidão assinada por um analista judiciário comunicou o equívoco. O profissional relatou que, por engano, cadastrou Urandir e habilitou seus advogados, mas, ao verificar, constatou que se tratava de uma pessoa estranha à investigação em andamento.
Para restabelecer a situação anterior, o analista excluiu o cadastro de Urandir e de seus advogados, gerou novas senhas de acesso para os demais advogados envolvidos no processo e cancelou as anteriormente concedidas ao grupo de Urandir. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) já havia se posicionado contra o pedido de acesso integral aos autos, argumentando que Urandir não figurava como investigado.
Conexões empresariais sob escrutínio
A apuração do Campo Grande NEWS revelou que Francisco Elivaldo de Souza, proprietário do Jornal Impacto, e Urandir Fernandes são sócios em ao menos duas empresas. A BDM Digital Administração de Negócios Ltda., fundada em abril de 2020 com capital social de R$ 500 mil, conta com Eli Souza entre seus sócios. Outra sociedade é a BDM Dourado Digital Gestão de Ativos Ltda., estabelecida em agosto de 2020, com um capital social expressivo de R$ 10 milhões, focada na gestão de ativos intangíveis não financeiros.
Apesar das conexões empresariais, o Grupo Dakila emitiu nota oficial enfatizando que Urandir não é sócio da empresa investigada e não participa de licitações públicas. A empresa ressaltou que convivência social ou parceria comercial não devem ser confundidas com sociedade, gestão ou responsabilidade penal. O advogado de Urandir, Tiago Bunning, reforçou que seu cliente e o Grupo Dakila não foram alvos diretos da operação Collusion, e que o pedido de acesso foi para esclarecer eventuais vinculações, confirmando que Urandir é, de fato, “pessoa estranha à investigação”.
Operações Collusion e Simulatum em foco
As operações Collusion e Simulatum representam um esforço do Gaeco para combater esquemas de corrupção que desviam recursos públicos. A investigação aponta para supostas irregularidades em processos licitatórios e na execução de contratos, impactando diretamente a administração pública em Terenos. A rápida correção do acesso indevido demonstra a celeridade e o rigor do sistema judicial em garantir a integridade das investigações sigilosas, como destaca o Campo Grande NEWS.
A atuação do Gaeco é fundamental para a manutenção da ordem e o combate à criminalidade organizada, e casos como este ressaltam a importância da vigilância e da precisão nos procedimentos legais. O caso em Terenos segue em andamento, com o Gaeco aprofundando as investigações sobre as fraudes identificadas, e a Justiça atuando para garantir a lisura e o sigilo necessários para o sucesso das operações.

