A Santa Casa de Campo Grande vive um cenário de caos e superlotação. A redução drástica no número de anestesiologistas, motivada por atrasos nos pagamentos, tem levado à suspensão de cirurgias eletivas e à ocupação de corredores por pacientes em macas. A situação, que já vinha sendo sinalizada, se agravou e expõe a precariedade do atendimento em um dos principais hospitais da cidade.
Vídeos recentes, enviados ao Campo Grande News, revelam a dimensão do problema: macas enfileiradas, com espaço mínimo entre elas, tomam conta do pronto-socorro, especialmente na ala ortopédica. A circulação de pacientes e profissionais de saúde torna-se dificultosa em meio à multidão. Essa aglomeração é um reflexo direto da paralisação de procedimentos que dependem de anestesia, inclusive os considerados de baixa complexidade.
Pacientes e familiares relatam esperas intermináveis. Há relatos de pessoas internadas há mais de uma semana aguardando procedimentos simples, sem qualquer previsão de quando serão atendidas. Essa situação não apenas sobrecarrega a unidade, mas também impede que outros pacientes que necessitam de leitos recebam o atendimento adequado. O jejum prolongado de pacientes que aguardam cirurgias adiadas repetidamente também se tornou uma triste realidade.
Um acompanhante, que preferiu não se identificar, desabafou: “Ela está com queimaduras, mais de uma semana esperando um procedimento simples, ocupando uma vaga que poderia ser de alguém que precisa mais. Além disso, não ter nenhuma previsão é desumano, mas não é considerado urgente”. A falta de clareza sobre os procedimentos agrava o sofrimento de quem já está fragilizado pela doença.
Além do caos assistencial, problemas estruturais também se somam à gravidade do quadro. Relatos indicam que apenas um elevador está em funcionamento em toda a unidade. Para quem acompanha pacientes com dificuldades de locomoção, como uma cadeirante que cuida da avó com problemas cardíacos, a espera pelo elevador pode ultrapassar meia hora, adicionando mais estresse a uma situação já delicada.
O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS) esclarece que não há um comunicado formal de greve por parte dos anestesiologistas. A entidade explica que os contratos são firmados com empresas médicas, o que impede a caracterização de greve. No entanto, o sindicato confirma que os contratos entre a Santa Casa e as empresas prestadoras de serviços estão em atraso há mais de sete meses, e que acordos firmados com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) não estão sendo cumpridos.
Em nota oficial, a Santa Casa de Campo Grande confirmou a redução do contingente de anestesiologistas devido ao atraso nos pagamentos. A instituição ressaltou que essa diminuição impactou diretamente a capacidade técnica e operacional do hospital, resultando em atrasos cirúrgicos. As cirurgias eletivas estão temporariamente suspensas, enquanto os procedimentos de urgência e emergência continuam sendo realizados, mediante avaliação das equipes médicas e da diretoria técnica.
A situação na Santa Casa de Campo Grande é um alerta sobre a necessidade de soluções urgentes para o financiamento da saúde pública e a garantia de condições de trabalho dignas para os profissionais. O Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto os desdobramentos desta crise, buscando trazer informações precisas e atualizadas sobre o atendimento na unidade. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de repasses financeiros tem sido o principal gatilho para a crise atual.
A dificuldade de acesso à saúde em momentos críticos, como a necessidade de cirurgias, afeta diretamente a vida das pessoas e de suas famílias. A reportagem do Campo Grande NEWS buscou ouvir as partes envolvidas para entender a fundo as causas e as possíveis soluções para o impasse que afeta milhares de pacientes. A complexidade da gestão hospitalar e a dependência de repasses financeiros são fatores cruciais que precisam ser debatidos para evitar que cenários como este se repitam. O Campo Grande NEWS destaca a importância da transparência e da comunicação entre a administração do hospital, os profissionais de saúde e a população.

