Golpe em lotéricas: empresária relata ter sido alvo duas vezes de quadrilha que já causou R$ 350 mil em prejuízos

Golpe em lotéricas: empresária relata ter sido alvo duas vezes de quadrilha que já causou R$ 350 mil em prejuízos

Um golpe que tem causado **prejuízos significativos a casas lotéricas em Mato Grosso do Sul** está gerando preocupação entre empresários do setor. O esquema criminoso envolve a utilização de táticas de engenharia social para enganar funcionários e subtrair dinheiro, muitas vezes com valores expressivos. Um dos casos mais recentes resultou em um **prejuízo de R$ 350 mil a uma lotérica em Água Clara**, no interior do estado, após uma funcionária ser ludibriada pelos golpistas.

A empresária Adriana Rodrigues, proprietária de dois estabelecimentos lotéricos em Campo Grande, relatou ter sido **alvo da mesma fraude em duas ocasiões distintas**. O primeiro contato ocorreu em agosto de 2025, e o segundo, mais recente, nesta terça-feira (20). Em ambas as situações, a agilidade e a perspicácia da empresária foram cruciais para evitar que ela e seus funcionários caíssem no golpe. Conforme informação divulgada pelo Campo Grande NEWS, a empresária conseguiu identificar a fraude e confrontar os criminosos, que utilizavam métodos bem elaborados para simular autoridade e urgência.

“Eles ligam e não dá tempo de atender. Na ligação aparecia a minha identificação. Na sequência, falaram pelo WhatsApp como se fossem eu, pedindo para a funcionária atender aos pedidos de um tal de Roberto, que logo entraria em contato”, explicou Adriana. Essa tática de **fingir ser o proprietário e usar a identidade visual da empresa** (no caso, a identificação da chamada) é uma das principais armas dos criminosos para gerar confiança nas vítimas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o modus operandi se repete, com os golpistas buscando informações e explorando a boa-fé dos colaboradores.

O golpe passo a passo: como os criminosos agem

O golpe consiste em **contatar a lotérica, geralmente por telefone ou WhatsApp, fingindo ser o proprietário do estabelecimento**. Em seguida, solicitam que os funcionários atendam a pedidos urgentes de um suposto conhecido, identificado como Roberto. Para dar um ar de legitimidade às transações, os criminosos enviam **boletos e comprovantes falsos**, muitas vezes utilizando o Pix para simular a regularidade das operações. A pressão e a urgência são elementos chave para que a funcionária, sob a falsa impressão de estar seguindo ordens do chefe, realize os pagamentos.

Adriana Rodrigues detalhou que, nas duas vezes em que foi contatada, os golpistas usaram o número dela para que a chamada aparecesse como se fosse da proprietária. “Eles ligam e não dá tempo de atender. Na ligação aparecia a minha identificação. Na sequência, falaram pelo WhatsApp como se fossem eu, pedindo para a funcionária atender aos pedidos de um tal de Roberto, que logo entraria em contato”, relatou. A empresária, percebendo a movimentação, **se passou por funcionária para desmascarar a fraude**.

A empresária explicou que os criminosos demonstram conhecimento sobre a rotina, pois perguntam para ter certeza de que o proprietário não está no local. “Eles falam em nome do proprietário, dão ordens com autoridade e dizem que um amigo, chamado Roberto, vai entrar em contato para tratar de alguns jogos. Ele fala ‘agiliza a aí, que eu preciso disso agora’ e reforça que deve ser atendido”, disse Adriana. Essa estratégia visa **minimizar as chances de o funcionário questionar a solicitação**.

Estratégias para evitar cair no golpe

A estratégia de Adriana para se defender foi **fingir que estava caindo no golpe e confrontar o criminoso**. No primeiro episódio, ela chegou a questionar se as pessoas ainda caíam nesse tipo de golpe, e o bandido teria respondido que havia feito R$ 100 mil naquele dia. Essa resposta demonstra a **audácia e a frequência com que essas fraudes estão ocorrendo**.

No segundo contato, a empresária simulou atender a pedidos que somavam R$ 15 mil. Ela chegou a digitar o código de barras de um dos boletos, conseguindo registrar o suposto nome do golpista, identificado como João Vitor da Silva Moraes. Ao revelar sua identidade, o criminoso a bloqueou no WhatsApp. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a **comunicação rápida e a verificação de informações** são essenciais para a segurança.

Adriana ainda não registrou boletim de ocorrência, mas decidiu divulgar o caso para alertar outros empresários e funcionários de lotéricas. Ela mencionou que outros empreendedores já enfrentaram problemas sérios com esse tipo de fraude, citando um conhecido em Nova Alvorada do Sul. A divulgação dessas informações é vital para a **prevenção e conscientização**.

O caso em Água Clara e as investigações

A fraude ocorrida em Água Clara, a 193 quilômetros de Campo Grande, aconteceu em 12 de janeiro. O procedimento foi semelhante: uma funcionária recebeu mensagens falsas, supostamente enviadas pela proprietária, com pedidos urgentes de pagamento. Após a conclusão das transações, o **sistema da lotérica foi automaticamente bloqueado**, levando ao fechamento da unidade ao público desde então. Esse bloqueio automático sugere que os criminosos podem ter acesso a sistemas internos ou exploram vulnerabilidades.

De acordo com o registro policial, o criminoso se passou pela dona da lotérica e solicitou pagamentos a um suposto conhecido, enviando **boletos e comprovantes falsos via Pix**. A funcionária, confiando nas ordens, realizou os pagamentos ao longo do dia. O prejuízo só foi identificado após a constatação do valor subtraído. A Caixa Econômica Federal foi comunicada e acionada para tentar **bloquear a conta usada na fraude**.

O caso segue em investigação policial para identificar os responsáveis e apurar como os golpistas obtiveram as informações necessárias para executar o crime. A falta de registro de boletim de ocorrência por parte de Adriana, apesar de ter sido alvo duas vezes, pode dificultar a consolidação dos dados e a investigação mais ampla. A colaboração de todas as vítimas com as autoridades é fundamental para **combater essa onda de golpes que afeta o setor lotérico**.