Quatro pessoas foram presas em Campo Grande pela Polícia Civil na Operação Chargeback, deflagrada para desarticular uma quadrilha especializada em fraudes com cartões de crédito. O grupo, que atuava há quase três anos, simulava vendas para antecipar valores junto a instituições financeiras, causando um prejuízo estimado em mais de R$ 4 milhões. Entre os detidos estão um militar do Exército e um atendente de cozinha. A ação, que cumpriu 15 mandados de busca e apreensão, também resultou no bloqueio judicial de R$ 2 milhões em contas bancárias dos investigados, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Golpe milionário com cartões de crédito é desarticulado
A investigação aponta que os criminosos utilizavam máquinas de cartão vinculadas a empresas de fachada. Com elas, simulavam compras utilizando cartões próprios, de comparsas ou de terceiros. Logo após as transações fraudulentas, solicitavam a antecipação dos valores aos bancos. O plano era receber o dinheiro rapidamente, antes que os verdadeiros donos dos cartões percebessem o golpe e solicitassem o estorno, o que raramente acontecia devido à rapidez do esquema, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil.
Militar do Exército e atendente de cozinha entre os presos
Foram identificados quatro dos presos: Breno Maurício da Costa Bueno, que atua como atendente de cozinha, João Pedro Ferreira Barbosa, militar do Exército, Jackson Pinheiro Lopes, cuja ocupação não foi informada pela polícia, e Maykon Furtado da Costa dos Santos. Mandados de prisão temporária foram expedidos contra Breno, Jackson e João Pedro. Maykon, embora inicialmente alvo de um mandado de busca e apreensão, foi preso em flagrante após a polícia encontrar uma arma de fogo e munições em sua residência no bairro Buriti, em Campo Grande.
Um quinto suspeito, cuja identidade não foi revelada, também foi detido durante a operação. A Polícia Civil segue com as investigações para apurar a existência de outros envolvidos no esquema.
Dinheiro das fraudes era usado para ocultar origem ilícita
O dinheiro obtido por meio das fraudes era sistematicamente utilizado para a compra de imóveis e veículos. Essa prática, conforme a Polícia Civil, tinha como objetivo principal dificultar o rastreamento e a comprovação da origem ilícita dos valores, caracterizando o crime de lavagem de dinheiro. O bloqueio judicial de R$ 2 milhões em contas bancárias visa justamente a recuperação de parte dos valores desviados.
Durante a Operação Chargeback, foram apreendidas diversas máquinas de cartão, dezenas de cartões de crédito, celulares, computadores, um veículo importado e uma pistola com a numeração adulterada. A quantidade de material apreendido reforça a dimensão da organização criminosa, conforme o Campo Grande NEWS apurou.
Antecedente criminal de um dos suspeitos
Um dos presos, Maykon Furtado da Costa dos Santos, já possui antecedentes criminais. Em 2021, ele foi preso em flagrante em Ponta Porã transportando uma submetralhadora calibre 9 milímetros. A arma estava escondida em um compartimento secreto no painel de um veículo durante uma fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Na ocasião, Maykon teria admitido saber da existência da arma e que receberia pelo transporte.
A defesa de Jackson e Breno informou que ambos estão colaborando com as investigações e à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Os advogados ressaltaram que, até o momento, não há condenação ou julgamento definitivo, e reafirmaram a inocência de seus clientes, que será comprovada ao longo do processo. A defesa também garantiu que tomará todas as medidas legais cabíveis para assegurar a liberdade e o devido processo legal.
A Polícia Civil continua os trabalhos para identificar todos os envolvidos e recuperar o máximo possível do valor subtraído. O esquema, que utilizava empresas de fachada para dar aparência de legalidade às transações, demonstra a sofisticação de fraudes financeiras, como destacado pelo Campo Grande NEWS em outras reportagens sobre o tema.
As investigações seguem em andamento, com foco em desvendar completamente a atuação da quadrilha e identificar possíveis receptadores dos bens adquiridos com o dinheiro das fraudes. A Operação Chargeback é mais um exemplo da atuação da Polícia Civil no combate à criminalidade organizada em Mato Grosso do Sul.

