Cristhiano Luna de Almeida, condenado pela morte do segurança Jefferson Bruno Escobar, conhecido como Brunão, teve o mandado de prisão cumprido nesta sexta-feira (16). O crime ocorreu em 2011, na boate Valley, em Campo Grande, e após 15 anos do ocorrido e diversas batalhas judiciais, ele começará a cumprir a pena de 10 anos em regime fechado. A decisão final transitou em julgado, esgotando as possibilidades de recurso.
O caso, que se arrastou por mais de uma década, viu a pena de Cristhiano variar em diferentes sentenças, que iam de 17 anos a 10 anos de prisão. Ele respondia em liberdade enquanto aguardava o julgamento de seu último recurso, que não foi bem-sucedido. A Justiça expediu o mandado de prisão após o esgotamento das vias recursais.
Segundo o advogado de defesa, José Belga Trad, Cristhiano se apresentou espontaneamente para o cumprimento da pena. “Ele se apresentou e nós vamos fazer os requerimentos cabíveis na defesa dos seus direitos nos autos do processo”, afirmou o advogado. A família da vítima expressou alívio com a prisão, vendo-a como um encerramento para um longo ciclo de espera e incertezas.
Família da Vítima Sente Alívio Após Longa Espera
A mãe de Brunão, Edcelma Gomes Vieira, declarou sentir alívio com a decisão. “Nada vai trazer meu filho de volta, mas pelo menos a gente vê que não ficou impune, que ele foi julgado. Entrou com recurso, só foi protelando, protelando, e agora graças a Deus saiu essa decisão e ele voltou a ser preso. Não vou ter meu filho de volta, mas pelo menos dá aquele alívio de saber que ele está pagando, que vai começar a pagar de novo”, desabafou.
A prima da vítima, Mayara Hortência Cardoso Gonçalves, que sempre esteve à frente na busca por justiça, comentou sobre a prisão. “Acredito em Deus, que ele me guiou por muito tempo. A Justiça é penosa, as vezes acreditamos que nada vai acontecer, mas no tempo que as coisas precisam acontecer, elas acontecem. São 15 anos, muita coisa mudou, eu casei, tive duas filhas, ele tinha minha idade e a gente nunca vai saber como seria o futuro dele. Para a minha família é um grande alívio saber que toda nossa luta não foi em vão”, declarou.
O Crime na Boate Valley
O crime ocorreu na madrugada de 19 de março de 2011, quando Jefferson Escobar, conhecido como Brunão, segurança da boate Valley, tentou retirar Cristhiano do estabelecimento por importunar um garçom. Segundo o processo, a discussão evoluiu para agressão física, resultando em um golpe que fez com que os pulmoões da vítima se enchessem de sangue, impedindo sua respiração. Brunão tinha 29 anos na época.
Na época, Cristhiano alegou ter agido em defesa própria e negou ter aplicado golpes intencionais. Ele praticava jiu-jitsu. A primeira condenação veio em novembro de 2017, sentenciando-o a 17 anos e seis meses de prisão por homicídio duplamente qualificado. A defesa recorreu e conseguiu reduzir a pena, mas um novo recurso anulou o julgamento anterior.
Reformulação de Vida e Novo Julgamento
Em 2021, um novo júri resultou na condenação definitiva de 10 anos de prisão em regime fechado. Cristhiano, que à época do crime era bacharel em Direito e assessor do Tribunal de Contas, mudou radicalmente de profissão após o incidente, tornando-se chef de cozinha. Em entrevista ao Campo Grande NEWS em 2015, ele relatou sua jornada na gastronomia, começando do zero e encontrando na culinária uma “válvula de escape” e uma forma de lidar com as consequências do crime.
Ele admitiu ter um passado de excessos, com “bebia muito e saía muito”, e considerou o caso um alerta divino. “Eu não tive intenção nenhuma de matar e nem de brigar. Hoje entendo que tinha que acontecer, não a tragédia. Mas agradeço, Deus me tornou uma pessoa bem melhor”, disse na época, conforme checou o Campo Grande NEWS. O caso também evidenciou que Cristhiano já possuía um histórico de agressões anteriores ao crime de Brunão, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Considerando o período já cumprido em prisão preventiva ao longo do processo, restam oito anos e seis meses da pena a serem cumpridos. A prisão para o cumprimento da pena se concretizou após mais de uma década de espera por justiça para a família de Jefferson Bruno Escobar.

