Campo Grande: Maternidade e Prefeitura se unem para dar suporte a crianças atípicas

A Prefeitura de Campo Grande e a Maternidade Cândido Mariano firmarão uma parceria inovadora para oferecer suporte integral a famílias de crianças atípicas. A iniciativa, anunciada pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, visa garantir acesso a acompanhamento psicológico, fisioterapia e a distribuição de fraldas e dietas especiais, suprindo demandas urgentes e muitas vezes judicializadas.

Prefeitura e Maternidade Cândido Mariano unem forças em prol de crianças atípicas

A colaboração entre a administração municipal e a renomada maternidade representa um marco no atendimento a essa parcela da população. O projeto-piloto, com previsão de início em aproximadamente dois meses, surge como resposta às dificuldades enfrentadas por mães e pais de crianças com necessidades especiais, buscando agilizar e humanizar o acesso a serviços e insumos fundamentais.

A união de esforços visa suprir uma lacuna importante no cuidado com crianças atípicas, oferecendo um leque de serviços que vão desde o acompanhamento terapêutico até o fornecimento de itens essenciais para o dia a dia. Essa parceria, conforme anunciado pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, nesta sexta-feira (16), promete transformar a vida de muitas famílias na capital.

O programa é fruto de discussões que ganharam força após protestos de mães atípicas em Campo Grande, que reivindicavam a regularização do fornecimento de fraldas e dietas especiais. Para lidar com a situação, foi criado o Núcleo de Apoio às Mães Atípicas (Nama), setor da secretaria dedicado a agilizar a concessão desses insumos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o Nama já identificou 614 pacientes em 4 mil processos analisados.

Origem da Parceria e o Papel do Nama

A iniciativa para a criação desta parceria teve origem nas demandas apresentadas por mães atípicas, que frequentemente enfrentavam atrasos e cortes no fornecimento de fraldas e dietas especiais. Em resposta a essa realidade, a Prefeitura de Campo Grande oficializou, em outubro de 2025, o Núcleo de Apoio às Mães Atípicas (Nama). Este núcleo tem como objetivo principal mapear, cadastrar e avaliar as necessidades das famílias, facilitando a concessão administrativa dos insumos e evitando a judicialização do acesso a esses itens.

O Nama, segundo a Resolução nº 920, tem entre suas atribuições o cadastramento de mães atípicas e seus dependentes, a avaliação técnica para concessão de insumos e a articulação com a rede de serviços públicos e órgãos do sistema de Justiça. Um levantamento realizado pelo próprio Nama revelou que, após a análise de cerca de 4 mil processos, 614 pacientes foram identificados como necessitados de apoio, conforme divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

Financiamento e Estrutura do Projeto

O projeto será financiado por meio de emendas parlamentares, tanto de deputados federais, estaduais quanto de vereadores, além de recursos municipais. Há também a possibilidade de apoio do governo estadual para a iniciativa. O valor total do investimento ainda está em fase de definição, mas a prioridade será a compra de fraldas e dietas especiais, conforme detalhado pelo secretário Marcelo Vilela.

A Maternidade Cândido Mariano foi escolhida para coordenar inicialmente este projeto-piloto devido ao seu perfil de atendimento. “A maioria dos nascimentos é ali na Cândido Mariano, então eles já têm esse trato com as mães e crianças”, explicou Vilela. A estrutura do projeto ainda está em fase de organização, mas a expectativa é que os atendimentos comecem em cerca de dois meses, marcando um novo capítulo no cuidado com crianças atípicas na cidade.

Desafios e a Visão da Secretaria de Saúde

Marcelo Vilela ressaltou que, tecnicamente, fraldas e dietas não integram o escopo tradicional da assistência em saúde, sendo mais associadas à assistência social. No entanto, o Poder Judiciário tem entendido que a Secretaria de Saúde deve assumir essa responsabilidade. “Se você analisar, dieta e fralda não fazem parte do escopo do tratamento da assistência em saúde. No entanto, o Judiciário entende que a Secretaria de Saúde deve assumir essa atribuição, embora esse escopo seja mais da assistência social”, disse Vilela.

Apesar dessa particularidade, a discussão sobre a oferta desses insumos já estava em andamento quando o Comitê Gestor e o Nama já conduziam o debate. A conversa com o presidente da Maternidade Cândido Mariano, doutor Daniel Gonçalves, foi fundamental para concretizar a parceria. O secretário também destacou que a Prefeitura assumirá parte da demanda e buscará apoio adicional do governo estadual, demonstrando um compromisso multifacetado com o bem-estar das crianças atípicas e suas famílias. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, essa iniciativa representa um avanço significativo na garantia de direitos e na promoção de uma vida mais digna para todos. A equipe do Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos desta importante colaboração.