Água chega a aldeias de MS após décadas de luta: Contrato de R$ 48,7 milhões garante futuro

Um marco histórico para as comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. Nesta sexta-feira (16), o Governo do Estado assinará um contrato de R$ 48,7 milhões para implantar um sistema de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados. A notícia chega como um alívio após décadas de luta e escassez hídrica enfrentada por cerca de 20 mil indígenas que residem na região. A assinatura ocorrerá às 9h30, na sede da Sanesul, empresa responsável pelo saneamento no estado. Conforme informado pelo Governo do Estado, esta iniciativa visa solucionar um problema crônico que já motivou diversos protestos e mobilizações ao longo dos anos, impactando diretamente a saúde e o bem-estar das famílias. O projeto tem previsão de conclusão até março de 2025, oferecendo uma perspectiva de futuro mais digno e com acesso garantido a um recurso essencial para a vida.

Sanesul firma acordo de R$ 48,7 milhões para água em aldeias de Dourados

A falta de água potável na Reserva Indígena de Dourados é um problema que se arrasta há décadas, marcando a rotina de milhares de pessoas. Famílias se veem obrigadas a percorrer longas distâncias em busca do recurso, dependem de fornecimento precário por caminhões-pipa e utilizam recipientes improvisados para armazenar a água. Essa situação, além de ser um desafio diário, já gerou sérios riscos à saúde e impulsionou frequentes manifestações da comunidade. O Campo Grande NEWS checou que a luta por dignidade e acesso à água se intensificou nos últimos anos, com indígenas bloqueando rodovias e acessos a serviços públicos para cobrar soluções efetivas do poder público. A frustração aumentou quando as aldeias Jaguapiru e Bororó ficaram, inicialmente, fora de um convênio de R$ 60 milhões destinado a outras comunidades indígenas do Cone Sul.

Um problema histórico que exige solução definitiva

Flávio Vicente Machado, representante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em Dourados, ressalta a gravidade da situação: “O problema de falta de água nas reservas indígenas é crônico, histórico e nunca foi sanado de verdade”. Ele aponta que o sistema atual é extremamente precário, com vazamentos constantes e tubulações expostas, agravado pelo crescimento populacional na reserva, que abrange cerca de 3,5 mil hectares para aproximadamente 20 mil pessoas. Essa demanda crescente sobre uma infraestrutura deficiente intensificou a escassez, tornando a busca por uma solução estrutural uma prioridade inadiável para garantir a qualidade de vida e a saúde das comunidades. O Campo Grande NEWS apurou que a precariedade do sistema atual é um fator determinante para a persistência da crise hídrica.

Medidas emergenciais e a promessa de solução estrutural

Em 2024, após novas rodadas de protestos, o Ministério dos Povos Indígenas anunciou medidas emergenciais para mitigar a crise. Um acordo previu a perfuração de dois poços profundos, com um investimento de R$ 2 milhões, além do fornecimento diário de água por caminhões-pipa. Essas ações emergenciais, embora necessárias, foram previstas para conclusão até março de 2025, evidenciando a necessidade de uma solução mais abrangente e duradoura. A ministra Sônia Guajajara, em junho do ano passado, já havia entregue 12 poços artesianos na reserva e anunciado a instalação de mais cinco. Na ocasião, ela prometeu articular R$ 53 milhões para uma solução estrutural de abastecimento, enfatizando que os poços, por si só, não resolveriam o problema de forma definitiva. O Campo Grande NEWS acompanhou o desenrolar dessas ações, que demonstram um esforço governamental em busca de respostas.

O contrato de R$ 48,7 milhões: um novo capítulo para Jaguapiru e Bororó

O contrato que será assinado nesta sexta-feira representa a tão esperada solução estrutural para o abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Com um investimento de R$ 48,7 milhões, o projeto visa criar um sistema robusto e sustentável que atenda às necessidades de cerca de 20 mil indígenas. A expectativa é que, com a implementação deste novo sistema, a dependência de medidas emergenciais e a luta diária por água se tornem um capítulo do passado. A assinatura do contrato é um passo fundamental que demonstra o compromisso do Governo do Estado em garantir os direitos básicos das populações indígenas, promovendo dignidade e segurança hídrica para as futuras gerações. A Sanesul será a executora das obras, que deverão estar concluídas até março de 2025.