Um açougue de supermercado em Campo Grande foi fechado na manhã desta quarta-feira (14) após uma fiscalização revelar a presença de 2,2 toneladas de carnes impróprias para o consumo. A operação, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon), apreendeu uma grande quantidade de produtos em condições inadequadas de armazenamento e sem a devida inspeção sanitária.
Entre os alimentos encontrados em situação irregular, destacam-se carnes bovinas e suínas sem rótulo, data de validade e armazenadas em embalagens não lacradas. Conforme o registro da ocorrência, o estabelecimento, localizado na Avenida Rita Vieira, também realizava a desossa de carne sem possuir o registro de inspeção sanitária, uma prática que levanta sérias preocupações sobre a segurança alimentar.
O médico-veterinário responsável pelo local foi preso em flagrante durante a ação. Segundo o delegado Paulo Roberto Diniz, da Decon, a investigação aponta que as carnes eram submetidas a processos de descongelamento e recongelamento, o que compromete significativamente sua qualidade e segurança para o consumo humano. O proprietário do supermercado não foi encontrado no momento da operação.
Apreensão expressiva de alimentos irregulares
A quantidade de alimentos apreendidos impressiona e reforça a gravidade da situação. Foram recolhidos um total de 1.728 quilos de carne bovina e 446 quilos de carne suína. Além disso, a fiscalização encontrou 26 quilos de salgados congelados fora da temperatura adequada, 5 quilos de peixe e 1,9 quilo de sushi, ambos sem qualquer registro de inspeção sanitária, o que impede a rastreabilidade e a garantia de procedência.
O delegado Paulo Roberto Diniz, da Decon, esteve no local da operação e confirmou à reportagem que a carne comercializada no açougue era, de fato, imprópria para o consumo. Ele explicou que a prática de descongelar e congelar a carne novamente é o principal fator que compromete a qualidade do produto.
“Esse procedimento faz com que a carne estrague e não possa ser comercializada”, afirmou o delegado, destacando o risco à saúde pública. A ação policial foi motivada por denúncias recebidas pela delegacia, que levaram à investigação detalhada do estabelecimento. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a interdição se concentrou especificamente no açougue do supermercado.
Riscos do descongelamento e recongelamento de carnes
A prática de descongelar e recongelar alimentos, especialmente carnes, é altamente desaconselhada por especialistas em segurança alimentar. Esse processo favorece a proliferação de bactérias patogênicas, que podem causar intoxicações alimentares graves. A mudança brusca de temperatura compromete a estrutura das proteínas da carne, alterando sua textura, sabor e, principalmente, tornando-a um veículo para microrganismos nocivos.
O médico-veterinário preso durante a operação seria o responsável técnico por garantir que as normas sanitárias fossem cumpridas no açougue. Sua prisão indica a possível negligência ou participação direta nas irregularidades encontradas. A falta de rótulos e datas de validade, além de embalagens não lacradas, impede qualquer tipo de controle e aumenta o risco de consumo de produtos vencidos ou contaminados.
O Campo Grande NEWS checou informações que indicam que a falta de inspeção na desossa é outro ponto crítico. Essa etapa da manipulação da carne requer cuidados rigorosos para evitar a contaminação cruzada e garantir que o produto final atenda aos padrões de higiene. A ausência de registro de inspeção sugere que a carne pode não ter passado pelos controles necessários para atestar sua segurança.
Proprietário não se apresentou
Até o momento da publicação desta notícia, o proprietário do supermercado não havia se apresentado às autoridades. A ausência do responsável legal pelo estabelecimento dificulta o andamento das investigações e a responsabilização pelos crimes contra as relações de consumo. O caso reforça a importância da fiscalização contínua e da denúncia por parte da população para coibir práticas que coloquem em risco a saúde dos consumidores.
A operação da Decon demonstra o compromisso das autoridades em garantir a segurança alimentar na região. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto os desdobramentos da ação, que teve como foco principal a apreensão de carnes em péssimas condições. A divulgação dessas informações visa alertar a população sobre os perigos de consumir produtos de origem duvidosa e a importância de verificar sempre a procedência e o estado de conservação dos alimentos.
O fechamento do açougue serve como um alerta para outros estabelecimentos comerciais. A falta de conformidade com as normas sanitárias pode resultar em sanções severas, incluindo multas, interdição do local e, em casos graves, processos criminais. A segurança alimentar é um direito do consumidor e um dever dos fornecedores, e a fiscalização atua para assegurar que ambos sejam respeitados.

