Ex-policial militar usa rede para fugir de presídio em Campo Grande

Ex-policial usa rede improvisada para fugir do Presídio Militar em Campo Grande

Um ex-policial militar de 63 anos, identificado como José Heleno de Oliveira Lima, protagonizou uma fuga cinematográfica do Presídio Militar Estadual, localizado no Complexo Penal do Jardim Noroeste, em Campo Grande. A escapada só foi notada na manhã deste domingo, dia 11, durante a revista de rotina dos detentos, que revelou o desaparecimento de Lima.

A descoberta da fuga deixou as autoridades em alerta, especialmente considerando o histórico do ex-militar. José Heleno, que cumpre pena por roubo desde 2005, não é novato em fugas. Sua ficha criminal inclui passagens por crimes graves, o que aumenta a preocupação com sua soltura.

Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a ousadia na fuga se deu pela improvisação de uma escada utilizando uma rede. O artefato foi encontrado no muro dos fundos do presídio, uma área que, convenientemente, não é coberta por câmeras de segurança. A comunicação da fuga foi feita por uma soldada da Polícia Militar, dando início imediato às buscas pelo foragido.

Histórico de fugas e crimes do ex-policial

O passado de José Heleno de Oliveira Lima é marcado por ações criminosas e pelo rompimento com a corporação policial. Ex-soldado da PM do Acre, ele foi expulso em 2001 após ser pego roubando armas do próprio regimento. Em 2002, mudou-se para Campo Grande, onde rapidamente se envolveu em uma série de assaltos.

Seu modus operandi incluía roubos de veículos, com a simulação de test drive para enganar vendedores, e invasões a residências. Em suas próprias confissões, José Heleno admitiu que sua única fonte de sustento era a atividade criminosa. Ele se passava por funcionário de empresas de alarmes para ganhar a confiança das vítimas antes de cometer os crimes.

Fuga anterior e novos crimes após semiaberto

A trajetória de fugas de José Heleno não é recente. Em 2013, ele já cumpria pena por roubo em Campo Grande. No dia 19 de fevereiro daquele ano, foi transferido para o regime semiaberto do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira. No entanto, a liberdade durou pouco. Apenas cinco dias depois, em 24 de fevereiro, ele empreendeu outra fuga.

Ele só foi recapturado em 8 de abril de 2013, após uma onda de roubos que aterrorizou a cidade. Um dos assaltos mais notórios foi o roubo de um Gol na Avenida Bandeirantes. Ele pediu para levar o carro para a esposa ver, solicitou que o vendedor descesse para chamá-la e, quando o vendedor hesitou, sacou uma arma.

Com o carro roubado, José Heleno realizou dois assaltos a residências. No dia 27 de março de 2013, no bairro Jardim TV Morena, ele levou notebooks, tablets e outros equipamentos eletrônicos. Em 4 de abril, no Carandá Bosque, o alvo foram televisões, celulares, tênis e roupas.

Confissão e negação de uso de arma

Apesar de ter confessado os crimes, José Heleno negou o uso de arma de fogo durante os assaltos. No entanto, as duas vítimas abordadas em suas residências confirmaram que ele estava armado. Sobre a fuga do regime semiaberto, ele declarou que agiu por “ganância”, conforme registrado em depoimento.

A Polícia Militar foi acionada e registrou o Boletim de Ocorrência na Depac Cepol. Uma vistoria minuciosa foi realizada no local da fuga, confirmando a existência da escada improvisada com rede. A reportagem do Campo Grande NEWS entrou em contato com a PM para obter informações sobre os protocolos de segurança no Presídio Militar e aguarda um retorno oficial sobre o caso.

O caso levanta questionamentos sobre a segurança do sistema prisional e a capacidade de detentos com histórico de fugas em arquitetar novas escapadas. O Campo Grande NEWS continua acompanhando o desdobramento das investigações e as buscas pelo ex-policial militar foragido.