Mulher aguarda há 40 dias por desfibrilador em Campo Grande

Uma paciente de 53 anos está internada há quase 40 dias na Santa Casa de Campo Grande, em estado grave, à espera de um dispositivo essencial para a sua sobrevivência: o Cardioversor Desfibrilador Implantável (CDI). O aparelho, similar a um marcapasso, é fundamental para o controle de arritmias cardíacas severas. A escassez deste equipamento na rede pública de saúde da Capital se arrasta desde agosto de 2023, gerando angústia e desespero para as famílias que dependem do sistema público.

A situação da mulher, que já passou por dois hospitais públicos, é um reflexo da crise de falta de equipamentos cardiológicos em Campo Grande. Sua família, em busca de uma solução urgente, acionou a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul e move uma ação judicial contra o Município e o Estado. O objetivo é garantir que a cirurgia de implantação do CDI seja realizada em um hospital particular, com um custo estimado em R$ 250 mil. Paralelamente, outra paciente na mesma unidade hospitalar também aguarda pelo mesmo dispositivo, evidenciando a dimensão do problema.

Família recorre à Justiça diante da demora

O filho da paciente, um ferrador de cavalos de 35 anos, expressou sua profunda preocupação e frustração com a demora. Ele relatou que tanto o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul quanto a Santa Casa não dispõem do aparelho necessário. Essa falta não afeta apenas sua mãe, mas também outra paciente internada no mesmo CTI, que também aguarda há mais de um mês por uma solução médica. A família, que solicitou o sigilo de seus nomes, buscou a Defensoria Pública em dezembro do ano passado.

Uma ação judicial foi ajuizada no mesmo mês, tramitando na 1ª Vara do Juizado Especial de Saúde da Capital. O pedido é para que o Município de Campo Grande e o Estado de Mato Grosso do Sul custeiem urgentemente a cirurgia em uma unidade privada. A ação prevê uma multa de até R$ 100 mil caso a determinação não seja cumprida. O valor total estimado para o procedimento, incluindo o aparelho e a cirurgia, é de R$ 250 mil, conforme informações obtidas pelo filho da paciente.

CDI: um dispositivo vital em falta há meses

Enquanto a decisão judicial não é proferida, a mãe permanece internada na Santa Casa. “Já passou pelo Hospital Regional e agora está lá. Não podemos tirá-la do hospital porque a situação é séria, correria risco de vida. Dependemos totalmente do CDI para ela voltar para casa”, desabafou o filho. A gravidade da situação é reforçada pelo fato de que o dispositivo é crucial para a estabilidade do quadro clínico da paciente.

Um documento do Core (Complexo Regulador Estadual) anexado ao processo judicial, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, indica que o estoque do desfibrilador está zerado na rede pública da Capital desde 1º de agosto de 2023. A escassez não se limita ao CDI, afetando também a disponibilidade de marcapassos convencionais e ressincronizadores cardíacos. Essa informação, detalhada pelo Campo Grande NEWS em sua apuração, demonstra a persistência do problema ao longo de cinco meses.

Impacto da falta de equipamentos na saúde pública

A ausência desses dispositivos essenciais para a saúde cardiovascular tem um impacto direto e severo na vida dos pacientes e na capacidade de resposta do sistema de saúde público. A reportagem contatou as assessorias de imprensa das Secretarias Municipal e Estadual de Saúde para obter um posicionamento sobre as medidas que serão tomadas para resolver a falta de estoque e os casos específicos. Aguarda-se um retorno para complementar esta matéria com as informações oficiais, conforme a política editorial do Campo Grande NEWS de buscar a verdade e a transparência.

A situação em Campo Grande levanta preocupações sobre a gestão de insumos médicos e a capacidade de atendimento a pacientes com necessidades cardiológicas complexas. A demora na obtenção de um CDI pode levar a complicações graves, incluindo paradas cardíacas e óbito, especialmente em pacientes já em estado crítico e internados em UTIs. A busca por justiça por parte das famílias é um reflexo da esperança em reverter quadros de saúde delicados através da intervenção do Poder Judiciário, como tem sido noticiado e acompanhado pelo portal.