Brasil condena ação armada dos EUA na Venezuela e alerta para risco à paz na América do Sul
O Brasil elevou o tom e voltou a **condenar veementemente a ação armada dos Estados Unidos na Venezuela**, classificando-a como uma intervenção que **ameaça a paz e a estabilidade na América do Sul**. A declaração foi feita pelo embaixador brasileiro Sérgio França Danese durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).
A intervenção, que incluiu o que o Brasil descreveu como “sequestro” do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, foi considerada uma **”linha inaceitável”** do ponto de vista do direito internacional. Danese enfatizou que tais ações violam frontalmente as normas estabelecidas pela Carta da ONU.
O diplomata brasileiro lembrou que intervenções armadas anteriores no continente deixaram um rastro de regimes autoritários, violações de direitos humanos, mortes, prisões políticas, tortura e desaparecimentos forçados. “O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos ter deixado para trás e coloca em risco o esforço coletivo de preservar a região como uma zona de paz”, declarou Danese, reafirmando o **compromisso do Brasil com a paz e a não intervenção**.
Brasil critica violação do direito internacional e da soberania
Segundo o embaixador brasileiro, a ação norte-americana **viola frontalmente as normas das Nações Unidas**, que proíbem o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado. Danese ressaltou que a exploração de recursos naturais ou econômicos não justifica o uso da força ou a mudança ilegal de um governo.
O representante brasileiro defendeu que o futuro da Venezuela deve ser decidido **exclusivamente pelo seu povo**, por meio do diálogo e sem interferência externa, dentro do marco do direito internacional. “O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não deve ser confundido com esferas de influência. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, afirmou.
Colômbia e Cuba ecoam críticas e alertam para impactos regionais
Outros países sul-americanos compartilharam a mesma linha de condenação. A embaixadora colombiana, Leonor Zalabata Torres, afirmou que os EUA violam o direito internacional e a soberania venezuelana, declarando que **”não existe justificativa alguma, em nenhuma circunstância, para o uso unilateral da força nem para cometer um ato de agressão”**. Torres alertou para os **impactos humanitários e regionais da crise**, destacando que ações unilaterais colocam em risco a estabilidade e agravam as condições da população civil, com efeitos devastadores que transcenderão fronteiras.
O embaixador cubano, Ernesto Soberón Guzmán, acusou os Estados Unidos de visarem o **controle da produção de petróleo venezuelano**. “O objetivo final dessa agressão não é a falsa narrativa de combate ao narcotráfico, mas o controle das terras e dos recursos naturais da Venezuela”, declarou Guzmán, rejeitando também as acusações de que Cuba mantém atividades secretas no país.
Argentina se diferencia e apoia ação militar dos EUA
Em contraponto, a Argentina foi um dos poucos países a manifestar apoio à ação militar dos Estados Unidos. O embaixador argentino na ONU, Francisco Fabián Tropepi, classificou o “sequestro” de Nicolás Maduro como um **”passo decisivo no combate ao narcoterrorismo”** e uma oportunidade para a restauração da democracia na Venezuela.
Tropepi relembrou a concessão de asilo a líderes da oposição venezuelana e a expulsão de diplomatas argentinos da Venezuela após o reconhecimento de Edmundo Gonzáles Urrutia como presidente eleito. “A República Argentina confia que esses fatos representem um passo decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região e, ao mesmo tempo, abram uma etapa que permitirá ao povo venezuelano recuperar plenamente a democracia, o Estado de Direito e o respeito aos direitos humanos”, declarou.


