Venezuelanos no Exterior Reagem a Ataque dos EUA e Queda de Maduro: Divisão e Esperança

Repercussão Global da Ação dos EUA na Venezuela: Manifestações e Opiniões Divididas na Diáspora Venezolana

A recente ação dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e em anúncios de intervenção na administração do país, gerou reações intensas em todo o mundo. A diáspora venezuelana, composta por milhões de pessoas que deixaram o país em busca de melhores condições, expressou opiniões diversas sobre os desdobramentos, com manifestações ocorrendo em várias cidades.

Enquanto alguns celebram o que consideram um passo rumo à liberdade, outros manifestam preocupação com o intervencionismo estrangeiro e o futuro incerto da nação. A notícia repercutiu em países como Colômbia, Peru, Equador e Espanha, destinos de grande parte dos migrantes venezuelanos, e também nos próprios Estados Unidos.

A Reuters reportou que atos de comemoração pela ação americana ocorreram em países latino-americanos e na Espanha, como em Bogotá, Lima, Quito e Madrid. No entanto, em cidades como a Cidade do México e Buenos Aires, e até mesmo nos Estados Unidos, como em São Francisco e Nova York, também houve protestos contra a intervenção e manifestações de apoio à ação dos EUA, evidenciando a profunda divisão de opiniões.

O Cenário da Diáspora Venezolana: Um Fluxo Migratório Massivo

Desde 2014, aproximadamente 20% da população venezuelana deixou o país. A Colômbia se tornou o principal destino, acolhendo 2,8 milhões de venezuelanos, seguida pelo Peru, com 1,7 milhão, segundo dados da plataforma R4V, que reúne ONGs e a agência de migração da ONU. A Espanha também recebeu cerca de 400 mil venezuelanos.

Andrés Losada, que vive na Espanha há três anos, expressou à Reuters um sentimento misto de preocupação e alegria. Ele vê a situação como difícil, mas acredita que há uma “luz que nos levará à liberdade”. Essa esperança de um futuro melhor e a possibilidade de retorno ao país são sentimentos compartilhados por muitos na diáspora.

Expectativas Políticas e a Luta pela Liderança

Em Quito, Equador, a venezuelana Maria Fernanda Monsilva manifestou sua esperança de que Edmundo González, candidato da oposição, assuma o poder. “Muitos de nós que estamos no exterior queremos voltar”, declarou Monsilva, ressaltando o desejo de retorno ao país em condições dignas.

Contudo, o cenário político interno da Venezuela apresenta outra perspectiva. O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ) declarou que a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, deverá assumir a presidência interina do país, em contradição com a intenção anunciada pelo governo americano de administrar o país durante a transição.

Repúdio à Intervenção em Caracas e Críticas aos EUA

Na capital venezuelana, Caracas, a ação americana foi recebida com protestos e repúdio. O venezuelano José Hernandez, participante de uma manifestação na cidade, classificou a operação como “completamente criminosa”.

Hernandez criticou veementemente a atuação dos Estados Unidos, afirmando que o país age de forma a “roubar recursos de outros países que têm energia e minérios”. Essa visão reflete o sentimento de parte da população venezuelana que vê a intervenção como uma exploração de seus recursos naturais, e não como uma ajuda à democracia.

O Controle do Petróleo e as Implicações Econômicas

O anúncio do presidente Donald Trump de que empresas americanas passarão a controlar o setor de petróleo da Venezuela, país que detém as maiores reservas confirmadas do mundo, adiciona uma camada de complexidade à situação. Essa medida, se implementada, teria profundas implicações econômicas e geopolíticas para a região e para o mercado global de energia.