CNBB alerta para retrocessos na democracia e ética no Brasil em 2025, pedindo diálogo e pacificação
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou sua profunda preocupação com o cenário político e social do país, especialmente em relação à democracia e à ética. Em sua carta de Ano-Novo, divulgada na última segunda-feira (29), a entidade aponta “graves retrocessos” observados em 2025, que fragilizaram a confiança nas instituições e o tecido social.
A entidade ressalta que a democracia, um “patrimônio do povo brasileiro”, exige cuidado constante, diálogo aberto e respeito aos mecanismos de controle e equilíbrio entre os poderes. A CNBB enfatiza a necessidade urgente de o Brasil reencontrar o caminho da pacificação, do respeito mútuo e da construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
Segundo a CNBB, o ano de 2025 foi marcado por “profundas tensões e retrocessos sociais”, que deixaram “feridas abertas” na sociedade. Essas experiências, conforme a carta, abalaram seriamente a confiança nas instituições e representaram um desafio para todos aqueles que acreditam em um país mais justo. Conforme informação divulgada pela CNBB, o ano de 2025 foi marcado por “profundas tensões e retrocessos sociais”.
Desafios à ética e à convivência democrática em 2025
A crítica da CNBB abrange diversos aspectos que prejudicaram a convivência democrática em 2025. A entidade aponta que interesses econômicos e disputas de poder enfraqueceram mecanismos essenciais de controle. Entre os pontos destacados, a CNBB denuncia a “perda de decoro e a falta de responsabilidade por parte de algumas autoridades”, especialmente no Congresso Nacional, o que teria contribuído para o enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção.
A flexibilização de marcos legais importantes, como a Lei da Ficha Limpa e a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, também foi alvo de críticas. A CNBB expressou preocupação com as ameaças à proteção ambiental e aos povos originários e tradicionais, citando a aprovação do marco temporal pelo Congresso Nacional.
A violência e a intolerância foram outros pontos abordados, com a condenação do discurso de ódio, da manipulação da verdade e do aumento de crimes como o feminicídio. A entidade também lamentou que o pagamento de juros e amortizações da dívida pública tenha limitado a capacidade de investimento em áreas cruciais como educação, saúde e segurança, perpetuando a desigualdade social e o crescimento de “economias ilícitas”.
Cenário nacional: vitórias e desafios
Apesar do balanço crítico, a carta da CNBB também reconhece vitórias importantes celebradas em 2025. No campo social, foi destacado o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com o aumento da taxa de médicos por habitante. Na esfera econômica, a CNBB valorizou a queda da taxa de desemprego, a estabilidade da inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
A entidade também celebrou a retirada de algumas tarifas americanas sobre produtos brasileiros, negociada pelo governo federal, e a abertura de novos mercados internacionais. No setor ambiental, o protagonismo do Brasil em energias renováveis e a realização da COP30 em Belém foram ressaltados como compromissos com o cuidado do planeta.
A CNBB reafirmou que “nenhum projeto político pode se sobrepor à vida, ao respeito à pessoa humana, à justiça social e ao cuidado com a casa comum”. Experiências positivas como a taxação de grandes fortunas e a mobilização popular pela redução da jornada de trabalho também foram mencionadas.
Valores cristãos e a defesa da vida
Em sua mensagem, a CNBB reiterou a posição firme da Igreja Católica contra a legalização do aborto, defendendo a “sacralidade da vida desde a concepção até o seu fim natural” como o primeiro dos direitos. A entidade ressalta que defender a vida também implica lutar contra a fome, a miséria e a desigualdade, buscando garantir que “todos tenham vida e vida em abundância”.
A carta conclui com uma mensagem de esperança, citando Dom Helder Câmara e Thiago de Mello, para reforçar que, apesar das dificuldades, a esperança é a força transformadora para o futuro. A mensagem é assinada por lideranças da CNBB, incluindo Dom Jaime Cardeal Spengler e Dom João Justino de Medeiros Silva.


