A espera por consultas médicas em postos de saúde de Campo Grande tem gerado insatisfação, com prazos que podem ultrapassar 45 dias. Em resposta a essa demanda, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) implementou novas diretrizes que buscam reorganizar o fluxo de atendimento na Atenção Primária à Saúde. A medida, publicada em setembro, estabelece um tempo máximo para a espera por consultas programadas e define um ritmo mínimo de atendimentos para os profissionais.
Novas regras para consultas em Campo Grande
A gestão municipal de saúde de Campo Grande está atenta aos longos períodos de espera para consultas programadas, que em alguns casos chegam a 45 dias. Para combater essa demora, a Sesau publicou a Resolução nº 1.026 no Diogrande, estabelecendo novas regras para a Atenção Primária à Saúde. O objetivo é garantir um atendimento mais ágil e organizado, beneficiando diretamente a população.
Essas diretrizes, em vigor desde setembro, visam otimizar o processo de trabalho nas unidades de saúde, desde o agendamento até o acompanhamento das atividades. A resolução abrange a organização das agendas dos profissionais, o atendimento ao público e a forma como as informações serão gerenciadas.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, a publicação detalha procedimentos para que a gestão possa identificar e solucionar gargalos no sistema de saúde. A intenção é que a população de Campo Grande sinta uma melhora significativa na qualidade e na rapidez do atendimento médico.
Um paciente a cada 20 minutos: o novo ritmo de atendimento
Uma das principais mudanças impostas pela nova resolução é o ritmo de atendimento. Foi estabelecido que os médicos devem realizar, no mínimo, 12 consultas a cada quatro horas. Isso se traduz em uma consulta a cada 20 minutos. Essa meta, no entanto, não é um teto, podendo ser ampliada caso a capacidade da unidade ou do profissional permita mais atendimentos.
Essa diretriz busca assegurar que o tempo de espera seja reduzido, permitindo que mais pacientes sejam atendidos em um menor período. A expectativa é que, com esse fluxo mais dinâmico, as filas de espera para consultas iniciais e de acompanhamento diminuam consideravelmente.
Limite de 45 dias: quando a gestão deve agir
A resolução estabelece que, se o tempo de espera por uma consulta programada ultrapassar 45 dias, o gestor local da unidade de saúde deverá, obrigatoriamente, analisar a situação em conjunto com o distrito sanitário responsável. Essa análise deve abranger a agenda dos profissionais, a demanda de pacientes e a eficácia dos processos de trabalho atuais.
A partir dessa avaliação, deverão ser propostas e implementadas estratégias concretas para regularizar o atendimento. É importante ressaltar que o prazo de 45 dias não garante uma consulta nesse período, mas sim o gatilho para que a gestão intervenha e busque soluções para a demora. O Campo Grande NEWS acompanha de perto a implementação dessas medidas.
Agendas abertas diariamente e controle profissional
Outra determinação importante da resolução é que as agendas dos profissionais de saúde devem ser abertas diariamente. A prática de abrir horários de consulta apenas uma vez por semana, a cada 15 dias ou mensalmente fica proibida, salvo em situações excepcionais que precisem de autorização formal. Essa medida visa aumentar a disponibilidade de horários e facilitar o agendamento para os pacientes.
A gestão das unidades de saúde é a responsável por abrir, fechar e bloquear as agendas. Os profissionais de saúde não devem, por iniciativa própria, bloquear horários, cancelar consultas ou remover pacientes das listas de espera. Essa centralização do controle busca garantir a transparência e a organização do sistema.
Portal Cuida Mais e atendimento de demanda espontânea
O Portal Cuida Mais será uma ferramenta essencial nesse novo modelo. As equipes de saúde deverão disponibilizar duas vagas online por período, uma para a manhã e outra para a tarde. Caso essas vagas não sejam preenchidas, a diretriz prevê a inclusão de dois pacientes de demanda espontânea no mesmo período, seguindo as regras estabelecidas.
Essa iniciativa busca otimizar o uso dos horários disponíveis e atender também aqueles pacientes que necessitam de atendimento sem agendamento prévio. A integração do portal com as necessidades da população é um ponto chave, conforme o Campo Grande NEWS tem destacado em suas reportagens.
Escalas, atestados e a importância do cadastro
As escalas de trabalho dos profissionais deverão ser encaminhadas até o dia 20 do mês anterior para validação, permitindo o acompanhamento pela gestão municipal. Já os atestados médicos físicos devem ser entregues em até 48 horas úteis após a emissão, e as ausências comunicadas imediatamente por meio eletrônico.
É fundamental destacar que as unidades de saúde não podem negar atendimento a pacientes por falta de cadastro prévio no e-SUS, comprovante de endereço ou vínculo territorial. A orientação é acolher e avaliar todos os usuários, garantindo o acesso à saúde. Em caso de falha na internet, o atendimento deve ser realizado manualmente. O descumprimento destas regras pode acarretar penalidades previstas no estatuto dos servidores municipais.

