Hospital da Hapvida em Campo Grande: R$ 100 milhões parados e obra sem prazo

O ambicioso projeto de construção de um novo hospital pela Hapvida em Campo Grande, anunciado com um investimento de R$ 100 milhões, permanece parado há mais de um ano. O terreno destinado à unidade, localizado em ponto estratégico da cidade, continua sem qualquer sinal de obra, e a liberação do alvará de construção ainda está em análise na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semades). A falta de um cronograma definido gera incertezas sobre quando o empreendimento, que promete gerar centenas de empregos e ampliar a oferta de serviços de saúde na região, sairá do papel.

A promessa de um hospital de alta complexidade, com 112 leitos e a geração estimada de 456 empregos diretos, foi confirmada pela operadora de saúde em julho de 2025. No entanto, o projeto, que faz parte de um plano de expansão da Hapvida em dez cidades brasileiras, ainda não obteve as autorizações necessárias para o início das obras. O estacionamento do futuro hospital já teve seu projeto aprovado em setembro, mas o alvará principal de construção segue em análise na Semades, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A construção será realizada pela Canadá Empreendimentos Imobiliários Ltda, em um modelo conhecido como “build to suit”, onde a empresa constrói o imóvel e o cede para a Hapvida em regime de comodato por 240 meses. Este modelo visa agilizar a implantação de novas unidades, mas, no caso de Campo Grande, o processo tem enfrentado entraves burocráticos. A Hapvida, que previu um investimento substancial de R$ 100 milhões, não divulgou um prazo para o início efetivo dos trabalhos.

Autorizações pendentes e benefícios fiscais

A Semades confirmou que existe um pedido ativo de alvará de construção para o hospital, mas este encontra-se em fase de análise pela pasta. A demora na liberação pode estar relacionada à complexidade do projeto e à necessidade de alinhamento com diversas regulamentações municipais e ambientais. O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) já concedeu licenças de operação para a Hapvida com vencimentos em 2028 e 2030, indicando um planejamento de longo prazo por parte da operadora.

Em paralelo, a Prefeitura de Campo Grande já aprovou um pacote de benefícios fiscais para a Hapvida e a Canadá Empreendimentos Imobiliários, visando atrair o investimento. Entre os incentivos estão a isenção do IPTU por dois anos, uma redução significativa no ISSQN de 5% para 2% durante seis anos, isenção da tarifa de iluminação pública por uma década e isenção de tributos sobre alvarás e licenciamentos por quatro anos. Essas medidas demonstram o interesse do poder público em viabilizar o empreendimento.

Histórico de incertezas e silêncio da operadora

O projeto do hospital em Campo Grande faz parte de um plano de expansão da Hapvida anunciado em 2024. A confirmação oficial da unidade na capital sul-mato-grossense ocorreu em julho de 2025, mas, desde então, o andamento tem sido lento. No passado, diante de rumores sobre dificuldades financeiras da Hapvida, especialmente relacionadas à fusão com a NotreDame Intermédica, a assessoria de imprensa da operadora negou qualquer pausa nos planos de construção do hospital. O Campo Grande NEWS apurou que, em setembro deste ano, o projeto de estacionamento recebeu aprovação da Semades e da Agência Municipal de Trânsito (Agetran).

Procurada novamente pela reportagem na última terça-feira (19) para comentar sobre a previsão de início das obras, a assessoria de imprensa da Hapvida informou que daria retorno, mas não se manifestou até o fechamento desta matéria. A falta de comunicação oficial sobre os próximos passos do projeto gera apreensão entre os futuros beneficiários e a comunidade local, que aguarda a concretização de uma obra de grande porte e impacto.

A expectativa é que a liberação do alvará de construção ocorra em breve, permitindo que a Hapvida e a Canadá Empreendimentos Imobiliários avancem com a construção. O hospital promete ser um marco para a rede de saúde de Campo Grande, oferecendo serviços de alta complexidade e contribuindo para a economia local com a geração de empregos. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o desenrolar deste caso, buscando informações atualizadas sobre o andamento do projeto.