Drones faziam até 11 entregas em presídio; Gaeco investiga conivência
A Operação Colete de Troia, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), revelou um esquema complexo de entrada de materiais ilícitos na Penitenciária Estadual de Dourados (PED). Drones sobrevoavam a unidade prisional repetidamente, realizando até 11 entregas em poucas horas, sem que os policiais conseguissem impedir a ação. A investigação apura a participação de policiais penais, falhas nos protocolos de segurança e a suspeita de conivência de servidores com o crime organizado.
Conforme apurado pelo Campo Grande News, a investigação teve início em 2024 após sucessivos episódios de entrada de drogas, celulares, chips e outros materiais proibidos na PED. O esquema utilizava drones para lançar malotes diretamente nas celas durante a madrugada, dificultando a interceptação.
Um dos pontos centrais da investigação é a discrepância na atuação entre as equipes de policiais penais. Enquanto alguns plantões registram apreensões e intervenções bem-sucedidas, outros frequentemente terminam sem a recuperação dos materiais. As justificativas apresentadas incluem a falta de pessoal, armamento e equipamentos adequados para ações noturnas, o que levanta suspeitas sobre omissões deliberadas.
Suspeita de conivência e falhas nos plantões
A Operação Colete de Troia, coordenada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, busca esclarecer se as falhas na segurança da PED decorrem de limitações operacionais reais ou de omissões intencionais para facilitar a entrada de produtos ilegais. A falta de um procedimento uniforme para lidar com as entregas clandestinas também está sob escrutínio.
O Campo Grande News checou que um servidor, que estava de serviço em um plantão não regular, foi alvo de busca e apreensão no último domingo (18), três dias antes da operação. Na ocasião, 11 malotes foram entregues por drone. O celular e R$ 18 mil em espécie foram apreendidos com o policial, e a origem do dinheiro está sendo investigada.
A investigação aponta a existência de uma organização criminosa composta por servidores públicos, presos e indivíduos externos à unidade. Policiais penais são suspeitos de utilizar suas posições para facilitar a entrada de drogas e celulares, que seriam posteriormente distribuídos e comercializados dentro da prisão.
COPE sem atuação em entregas de drones
A atuação do Comando de Operações Penitenciárias (COPE), que possui uma base ao lado da penitenciária, também levanta questionamentos. Relatos indicam que integrantes do COPE permanecem sem ser acionados para intervir em ocorrências de drones, mesmo com a proximidade da unidade prisional. Essa falta de mobilização é vista como um ponto crucial a ser esclarecido na apuração sobre possível conivência de agentes públicos.
A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) afirmou, em nota, que colabora com o Gaeco e outros órgãos de segurança no combate à corrupção e à entrada de materiais ilícitos. A agência ressalta que a Corregedoria-Geral acompanha as apurações e que a Polícia Penal realiza vistorias nas celas da PED em apoio às ações da operação.
Investigação apura ligação entre servidores e criminosos
A investigação, que começou em meados de 2024, busca identificar a participação individual dos envolvidos, a possível existência de pagamentos para facilitar as entregas e a responsabilidade de servidores pelas falhas de segurança. Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Dourados, Ivinhema, Rio Brilhante e Paranavaí (PR), incluindo a própria PED.
O material apreendido, como o celular do policial investigado, poderá fornecer pistas sobre contatos, movimentações financeiras e possíveis vínculos entre servidores, presos e os responsáveis pelo envio dos pacotes. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a atuação do COPE, apesar de estar sediado ao lado da penitenciária, não tem sido acionada para impedir essas entregas aéreas.
A Agepen enfatiza que eventuais condutas individuais sob investigação não representam o trabalho da Polícia Penal como um todo, composto por servidores comprometidos com a legalidade. A agência reforça que desvios de conduta devem ser rigorosamente apurados e os envolvidos responsabilizados.
A investigação, conforme o Campo Grande NEWS apurou, foca em entender as diferenças de resultados entre os plantões. Enquanto algumas equipes apresentam registros de apreensões, outras frequentemente falham em interceptar os drones, alegando falta de recursos. A suspeita é que essas falhas possam ser omissões deliberadas, permitindo que drogas e celulares cheguem aos detentos.
A operação, que teve início em 2024, visa desarticular a organização criminosa que se aproveita das vulnerabilidades do sistema prisional. A suspeita de conivência de policiais penais é um dos pilares da investigação, buscando garantir a integridade e a segurança dentro da Penitenciária Estadual de Dourados.

