A criatividade e a alegria não têm idade, e os idosos do Asilo São João Bosco, em Campo Grande, provaram isso de forma espetacular. Em comemoração aos 103 anos da instituição, os moradores participaram de uma divertida atividade de “cabelo maluco”, mas com um toque especial: cada penteado se transformou em uma homenagem às suas próprias histórias de vida.
Idosos transformam cabelos em obras de arte que contam suas histórias
A brincadeira do cabelo maluco, tradicionalmente associada ao universo infantil, ganhou uma versão emocionante e cheia de significado em Campo Grande. Voluntários e estudantes se uniram para criar cerca de 60 adereços únicos, cada um representando profissões, paixões e passatempos marcantes na vida dos idosos. Violões, peixes, baralhos e até peças de tricô adornaram os cabelos, transformando a celebração em uma verdadeira galeria de memórias vivas.
A professora de artes Isilene Gomes Magalhães, de 62 anos, idealizadora da atividade, ressalta a importância de cada detalhe. “Cada adereço conta uma história de vida”, afirma. A iniciativa faz parte das festividades de aniversário do Asilo São João Bosco, uma instituição que acompanha a história de Campo Grande há mais de um século. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a programação especial se estende até sábado (24), com eventos que incluem circo, churrasco e celebrações religiosas, promovendo momentos de alegria e convívio.
Um reflexo de vidas vividas
Os penteados foram cuidadosamente elaborados para refletir a personalidade e as experiências de cada morador. Houve quem escolheu um violão para relembrar os tempos de músico, ou peixinhos para remeter à vida de pescador. O baralho apareceu para quem ama uma partida, e o tricô, para as habilidosas artesãs. A professora Isilene explica que a proposta foi ir além da diversão, permitindo que os idosos compartilhassem suas jornadas de forma criativa e lúdica.
“Esse projeto está sendo desenvolvido em comemoração aos nossos 103 anos. A nossa história nasceu junto com Campo Grande. Nossa cidade tem 126 anos, então há 103 anos nós atendemos a sociedade campo-grandense”, contextualiza a professora. A ideia era que cada participante se sentisse representado, celebrando sua individualidade e as memórias que moldaram quem são hoje.
Histórias que ganham forma: exemplos inspiradores
Paulo Nello dos Reis, de 70 anos, exibiu um acessório inspirado em um violão, símbolo de sua paixão pela música. “Ele simboliza que há uns 30 anos eu era um músico. Eu tocava num grupo lá na cidade de Araraquara, no interior, e toquei quase no estado de São Paulo inteirinho”, relembra com entusiasmo. Ele participou ativamente da criação de seu adereço, garantindo que o violão representasse fielmente essa época de sua vida.
Leci Brito Pereira, aos 83 anos, escolheu um adereço que remete ao tricô, atividade que domina e que continua a praticar. “Eu faço qualquer coisa de tricô. Blusa, casaco, toalha de mesa”, enumera, sem hesitar em se considerar uma artista. Sua tranquilidade ao apresentar o acessório, que para ela era “normal”, evidencia a naturalidade com que suas habilidades manuais fazem parte de sua identidade.
Herta de Moura optou por uma tiara que representa a criação de gado, uma lembrança vívida de sua vida na fazenda em Mato Grosso do Sul. “Meu marido adorava criar gado e foi muito feliz com a criação. Eu estava sempre junto, tocando gado e tudo, e fomos acostumando com esse serviço”, conta. A tiara é um símbolo de sua dedicação e felicidade ao lado da família no campo.
Voluntários transformam memórias em realidade
A execução dos adereços contou com o empenho de voluntários e estudantes, como Waleska Fernandes Nunes, acadêmica de Nutrição da Unicesumar. A equipe utilizou materiais como EVA colorido, cola quente, arcos de cabelo e presilhas revestidas, priorizando o conforto e a segurança dos idosos. A escolha por arcos foi uma solução prática para aqueles com menos cabelo, como explicou Waleska.
“Foram mais ou menos uns 30 arquinhos e presilhas. Foram usados materiais de EVA colorido, que tem brilho, cola quente e arquinho. Também presilhinhas encapadinhas, para não machucar”, detalha a voluntária. A colaboração entre a equipe da instituição e os voluntários garantiu que cada acessório fosse uma homenagem personalizada, celebrando as histórias individuais em um contexto coletivo. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a produção inicial de cerca de 30 adereços expandiu-se para aproximadamente 60, graças à dedicação de todos os envolvidos.
A programação de aniversário do Asilo São João Bosco continua atraindo sorrisos e memórias. A iniciativa de transformar o “cabelo maluco” em uma celebração das histórias de vida demonstra o poder da criatividade e do afeto em todas as idades. O trabalho jornalístico do Campo Grande NEWS, ao cobrir eventos como este, reforça a importância da memória e da valorização dos idosos em nossa sociedade.

