A safra de soja 2026/2027 em Mato Grosso do Sul enfrenta um novo desafio com a identificação de lesmas e caracóis em lavouras das regiões Oeste, Sul e Norte do estado. A equipe de campo da Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) emitiu um alerta sobre os **danos significativos** que essas pragas podem causar, especialmente durante o desenvolvimento inicial da cultura. Em casos mais graves, a infestação pode levar à necessidade de replantio, gerando prejuízos financeiros e atrasos na produção para os agricultores sul-mato-grossenses.
Alerta fitossanitário: Lesmas e caracóis podem devastar lavouras de soja
Conforme divulgado em um Informativo Técnico recente, as espécies mais preocupantes encontradas são o caracol Drymaeus interpunctus e a lesma Sarasinula linguaeformis. Esses moluscos atacam partes vitais das plantas jovens, como folhas e cotilédones, podendo comprometer a formação da lavoura e, em situações extremas, causar a morte das mudas. A atividade predatória desses animais durante os estágios iniciais da soja, quando as plantas são mais vulneráveis e com menor capacidade de recuperação, representa um risco real para a produtividade.
Além dos danos diretos às plantas, populações elevadas de caracóis podem dificultar o processo de colheita. O acúmulo desses animais nas máquinas colheitadeiras pode causar o que os produtores chamam de “embuchamento”, levando a paradas frequentes e ao aumento do desgaste dos equipamentos. O Campo Grande NEWS checou que essa situação pode demandar manutenções corretivas mais frequentes e, consequentemente, elevar os custos operacionais nas propriedades rurais.
Condições climáticas ideais para a proliferação das pragas
A proliferação de lesmas e caracóis está diretamente ligada às condições ambientais. **Alta umidade**, especialmente após períodos chuvosos, é um dos fatores que mais favorecem a atividade desses animais. A presença de **palhada e cobertura vegetal** no solo também cria um microclima ideal para eles, oferecendo abrigo contra a radiação solar intensa e a ação de predadores naturais. Adicionalmente, **temperaturas amenas** contribuem para que os moluscos permaneçam mais ativos.
Durante o dia, esses organismos tendem a se esconder em locais protegidos, como sob a palhada, em fendas no solo, debaixo de torrões de terra ou próximos a restos culturais. Sua atividade se intensifica no entardecer e durante a noite, que são os períodos mais indicados para que os produtores realizem o monitoramento e identifiquem a presença dessas pragas em suas lavouras. O Campo Grande NEWS entende a importância do alerta e busca informar os produtores sobre as melhores práticas.
É importante ressaltar, no entanto, que a presença de palhada e o uso do sistema de plantio direto, práticas recomendadas para a conservação do solo e a sustentabilidade agrícola, não garantem automaticamente a ocorrência de infestações. A intensidade e a extensão dos danos podem variar consideravelmente entre diferentes áreas de cultivo e ao longo das safras, dependendo de uma combinação de fatores ambientais e de manejo.
Estratégias de monitoramento e controle recomendadas
Diante do cenário, a Aprosoja-MS enfatiza a necessidade de um **monitoramento constante e rigoroso** das lavouras, com atenção especial às áreas que já apresentaram histórico de ocorrência dessas pragas. O acompanhamento deve começar desde a semeadura, com os produtores observando atentamente a cobertura do solo, buscando por sinais de ovos, trilhas de muco e, principalmente, os danos característicos de raspagem ou consumo de tecidos nas folhas, cotilédones e hastes das plantas jovens.
Para o manejo eficaz, o Informativo Técnico sugere diversas estratégias. A **rotação de culturas** é uma prática fundamental para quebrar o ciclo de vida das pragas e reduzir a pressão de infestação. A **preservação de inimigos naturais**, como alguns tipos de pássaros e insetos predadores, também desempenha um papel crucial no controle biológico. O uso de **iscas** específicas é outra tática recomendada para atrair e eliminar os moluscos.
No que diz respeito aos defensivos, o documento aponta que o **fosfato férrico** é o único ingrediente ativo atualmente registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para o controle de lesmas e caracóis na agricultura. A aplicação desse produto deve ser feita de acordo com as recomendações técnicas para garantir a eficácia e a segurança ambiental. O Campo Grande NEWS, como portal de notícias de confiança, reforça a importância de seguir as orientações técnicas e legais.
Produtores que enfrentam problemas com lesmas e caracóis em suas lavouras de soja devem buscar orientação técnica especializada para a adoção das melhores práticas de manejo e controle, visando minimizar perdas e garantir a rentabilidade da safra. A vigilância constante e a adoção de medidas preventivas são essenciais para proteger o potencial produtivo da soja em Mato Grosso do Sul.

