Militar alega medo de tiro para avançar sinal e causar acidente fatal

O militar do Exército, Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, apresentou sua versão sobre o trágico acidente que resultou na morte da vigilante Miriam Rosa Matos, de 44 anos, no Centro de Campo Grande. Durante interrogatório nesta segunda-feira (19), Rocha afirmou ter avançado o sinal vermelho por receio de ser baleado, alegando que acreditava estar a uma velocidade de 60 a 65 km/h. No entanto, a promotoria apresentou um laudo que estima a velocidade da caminhonete em até 125,44 km/h em uma colisão anterior. As informações foram divulgadas pelo Campo Grande NEWS.

Militar admite consumo de álcool e remédios controlados

Em depoimento, Victor Vicentin Rocha confessou ter consumido bebida alcoólica e fazia uso de medicamentos controlados, como quetiapina e bupropiona. Ele admitiu ter ciência dos riscos de dirigir após ingerir álcool, colocando outras pessoas em perigo. Questionado sobre o uso combinado de álcool e remédios, o militar relatou ter sido alertado por um médico sobre os perigos. Ele também declarou estar se sentindo mal ao assumir a direção da caminhonete, mas não apresentou justificativas detalhadas para não ter buscado alternativas para retornar para casa.

Velocidade divergente e alegação de perseguição

A versão de Rocha sobre a velocidade da caminhonete divergiu drasticamente dos dados apresentados pela promotoria. Enquanto ele estimou trafegar a cerca de 65 km/h no momento da colisão com Miriam, um laudo indicou velocidades entre 121 km/h e 125,44 km/h em uma batida anterior com um Volkswagen Virtus. O militar insistiu em sua percepção de velocidade baixa. Sobre o avanço do sinal vermelho no cruzamento das ruas Maracaju e Padre João Crippa, ele alegou ter agido por medo de ser perseguido e baleado pelo motorista do Virtus, que, segundo ele, os seguia após a primeira batida. Ele confirmou ter passado por outros sinais vermelhos durante o trajeto, afirmando que parava e olhava antes de seguir.

Amigo confirma consumo de álcool e versão de perseguição

Luan Leandro Alves, amigo de Victor e que estava na caminhonete no momento do acidente, corroborou o consumo de bebidas alcoólicas na noite. Ele relatou que cerca de cinco pessoas estavam reunidas e beberam cerveja, além de uma garrafa de bebida destilada. Alves sustentou que o motorista do Virtus tentou ultrapassá-los, buzinando e usando o farol alto, o que teria assustado Victor e o levado a continuar dirigindo por medo. O amigo estimou que o Virtus os acompanhou por quatro ou cinco quadras. O juiz, contudo, questionou essa versão, apontando que imagens do acidente fatal não mostram o carro próximo à caminhonete no momento do impacto com a motocicleta de Miriam. Alves admitiu não saber a distância exata, mas insistiu na perseguição.

Amigo relata problemas de saúde mental e afastamento do Exército

Questionado sobre o consumo de álcool, Luan Alves afirmou que também bebeu, mas considerou Victor mais sóbrio, permitindo que ele dirigisse. Ele também revelou que Victor fazia acompanhamento psiquiátrico e tomava medicamentos, além de ter sido afastado do Exército por depressão. Alves declarou estar ciente do tratamento, mas não alertou Victor sobre os riscos da combinação com álcool. Luan negou que eles tenham tentado fugir após o acidente, afirmando que ambos desceram da caminhonete e que ele foi até Miriam, enquanto Victor permaneceu desorientado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o motorista do Virtus, ouvido anteriormente, negou ter perseguido ou ameaçado Rocha, afirmando apenas ter buzinado e usado o farol alto para tentar fazê-lo parar. Ele perdeu a caminhonete de vista e só ouviu o barulho da colisão fatal, negando qualquer ação agressiva ou tentativa de interceptação.

A investigação segue em andamento para esclarecer todos os fatos que levaram à trágica morte de Miriam Rosa Matos. O caso levanta discussões importantes sobre a responsabilidade no trânsito, os efeitos do álcool e medicamentos na capacidade de dirigir, e a importância de seguir as leis para garantir a segurança de todos. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o desenrolar deste processo.