Rio de Janeiro ganha reserva marinha para proteger espécies e impulsionar pesca e turismo

A cidade do Rio de Janeiro celebra um marco na conservação ambiental com a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Marinha Urupirá. Com 3 mil hectares, a nova unidade abrange ambientes marinhos, ilhas e costões rochosos na zona oeste da capital, estendendo-se da Ilhota do Frade, em Guaratiba, até a Pedra do Pontal, no Recreio. O objetivo é proteger ecossistemas ricos em biodiversidade, incluindo espécies ameaçadas, ao mesmo tempo em que se garante a continuidade de atividades econômicas essenciais, como a pesca artesanal e o turismo sustentável.

A iniciativa é vista como um passo fundamental para o cumprimento das metas 30×30, às quais o Brasil aderiu. Essas metas, estabelecidas na COP-15 da Biodiversidade em Montreal, visam proteger 30% do território nacional, incluindo áreas terrestres e marinhas, até 2030. Segundo o secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas, o Estado já alcançou a meta para a proteção terrestre e agora foca nas águas jurisdicionais.

A categoria Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) é especialmente adequada para essa proposta, pois permite a conciliação entre conservação e atividades tradicionais. O projeto Ilhas do Rio, organização da sociedade civil que participou da criação da unidade, destaca que as comunidades pesqueiras terão papel ativo na gestão da área. Estão previstas ações como monitoramento participativo dos recursos pesqueiros e ecossistemas, pesquisas científicas, educação ambiental, fiscalização reforçada e o desenvolvimento ordenado do ecoturismo e da visitação.

Um estudo técnico realizado pelo Ilhas do Rio para embasar a criação da reserva revelou a riqueza da biodiversidade local. Foram identificadas 102 espécies de peixes em recifes de corais, sendo três delas endêmicas do Brasil. Destaque para 39 espécies de interesse pesqueiro, como garoupas, corvinas, sargos, robalos e xarés. Além disso, o levantamento encontrou 143 espécies de organismos bentônicos, como polvos e lagostas, e registrou a presença de espécies ameaçadas de extinção, como o coral-cérebro, a estrela-do-mar Astropecten brasiliensis e o ouriço-lilás.

A gerente de pesquisas do Ilhas do Rio, Aline Aguiar, ressalta a importância da região para a reprodução de espécies ameaçadas, como garoupas e chernes. “Esses estudos mostraram que a região, as ilhas, os costões rochosos, áreas rasas, elas são muito importantes para as espécies de peixe, por exemplo, espécies ameaçadas como garoupas e chernes [Hyporthodus niveatus], são locais onde aquelas espécies estão se reproduzindo”, explica.

Ainda segundo Aguiar, “ao mesmo tempo, a gente tinha esse conhecimento que existiam as comunidades locais de pesca tradicional, que tinham aquilo ali como um território de pesca. Então, é muito importante você balancear e entender quem são as pessoas que dependem daquele território e proteger esses usos também”. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa abordagem garante que o conhecimento tradicional das comunidades seja integrado às estratégias de conservação, fortalecendo a relevância da reserva.

A área também é rota de passagem para espécies ameaçadas de grande porte, como a baleia-jubarte e diversas tartarugas-marinhas, incluindo a cabeçuda, de pente, oliva e de couro. A fauna aviária também é contemplada, com a presença de aves ameaçadas como o trinta-réis-de-bico-vermelho e o trinta-réis-de-bando. Invertebrados como a borboleta-da-praia e a formiga Atta robusta também habitam a região, reforçando a importância da reserva para a conservação da biodiversidade.

O nome Urupirá, de origem indígena, foi escolhido para resgatar a memória histórico-cultural da região. A palavra significa “cesto do peixe”, em referência à forte identidade pesqueira do território e à ancestralidade da Ilha das Palmas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa escolha simbólica reforça o vínculo entre a comunidade e o mar, integrando a cultura local à proteção ambiental.

A criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Marinha Urupirá representa um avanço significativo para o Rio de Janeiro e para o Brasil no que diz respeito às metas de conservação e ao desenvolvimento sustentável. A iniciativa, que alia a proteção de ecossistemas marinhos e costeiros à manutenção de atividades econômicas tradicionais, serve como modelo para outras regiões. O Campo Grande NEWS acompanhou os desdobramentos que levaram à criação desta importante área de conservação, demonstrando o compromisso da região com a sustentabilidade.