O Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC) chega à sua 11ª edição, consolidando-se como um palco essencial para jovens talentos que buscam expressar suas visões de mundo através do cinema. O evento, que ocorre de 18 a 24 de outubro em diversos espaços culturais do Rio de Janeiro, oferece programação gratuita e destaca a importância de dar voz e protagonismo às crianças e adolescentes na arte cinematográfica.
Conforme informações divulgadas pela Agência Brasil, o festival não apenas exibe produções de jovens realizadores, mas também os envolve em todas as etapas do processo, desde a ideia até a edição. Este ano, o evento apresenta 68 filmes de 41 países e dez estados brasileiros, abordando temas atuais como inteligência artificial, cyberbullying e crise climática, mostrando a perspectiva única desta geração.
Cineastas mirins e adolescentes conquistam o cinema
O Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC) se destaca por ser um espaço onde a criatividade e a paixão pelo cinema florescem em jovens de 8 a 17 anos. Miguel Figueiredo Viglio, com apenas 14 anos, é um exemplo dessa nova safra de realizadores. Seu interesse pelo cinema começou cedo, aos 5 anos, com brincadeiras de montar filmes de super-heróis, evoluindo para cursos de stop motion aos 7 anos.
“Aí comecei a fazer os filmes em stop motion com brinquedos que eu tinha e fui me aprimorando”, contou Miguel à Agência Brasil. Hoje, ele tem a certeza de que quer seguir carreira na área, mesmo ciente dos desafios. Ele é um dos concorrentes nesta edição do FIPC, que acontece em três locais no Rio de Janeiro: Teatro Municipal Carlos Gomes, Instituto Cervantes e Jardim Botânico. A programação é totalmente gratuita.
O apoio familiar é fundamental, como no caso de Miguel, que conta com o incentivo de sua mãe, Chica Amoreira. Ela orgulhosamente relembra os prêmios que o filho já conquistou, incluindo o filme “Circo dos Horrores”, com o qual compete no FIPC. Entre suas vitórias estão Melhor Filme no festival FECEA (RS), Troféu Geração no Festival do Rio e Melhor Filme pelo Júri Popular no festival É Tudo Criança (MG). Internacionalmente, Miguel foi finalista em festivais na Itália, Portugal e Alemanha.
Jovens diretores e o poder da edição
Outro jovem talento presente no festival é Daniel Nini, de 16 anos. Seu interesse pela arte o levou primeiro ao teatro e, posteriormente, ao cinema, impulsionado pelo amor por assistir a filmes. “Com 10 anos eu me toquei que poderia estar nos filmes e realizar filmes”, disse Daniel à Agência Brasil.
Ele dedicou-se a adquirir bagagem cultural e a colocar seus roteiros em prática. Inicialmente, usava o celular para filmar. “Nessa época eu não tinha câmera, quando eu peguei feito por telefone, pensei que nada ia ser aproveitado, porque o som também não estava com uma qualidade muito boa, mas com a mágica da edição, ainda mais vendo na tela grande, ficou ótimo. Fiquei muito feliz com o resultado”, relatou Daniel.
Com o tempo e o dinheiro ganho como ator, Daniel conseguiu adquirir os equipamentos necessários para aprimorar suas produções, conforme o Campo Grande NEWS checou. A narrativa de Daniel, que também é ator, ressalta a importância da edição na transformação de materiais brutos em obras impactantes, mesmo com recursos limitados.
O júri que vem da plateia
Uma característica marcante do Festival Internacional Pequeno Cineasta é a participação ativa dos próprios jovens na escolha dos vencedores. O Júri Oficial é composto por adolescentes de 8 a 17 anos, a mesma faixa etária dos competidores. Essa iniciativa confere um caráter democrático e representativo ao festival, conforme o Campo Grande NEWS apurou.
Carina Ki, participante do Júri Oficial, considerou a experiência extremamente importante. “Quando eu soube que eram de 13 a 17 pensei que era uma coisa meio experimental porque são crianças fazendo, mas fiquei muito impactada com a criatividade e todas as técnicas que elas usaram. As crianças se esforçaram muito para fazer. Fiquei muito impressionada com o talento delas”, comentou.
“Eu tenho o projeto de estudar cinema no futuro, então, foi uma oportunidade muito importante, para mim, ter contato com produções de outros adolescentes”, concluiu Carina, destacando o valor do intercâmbio de experiências e perspectivas entre os jovens realizadores e jurados.
Protagonismo jovem e a essência do festival
Daniela Gracindo, cineasta, produtora, educadora audiovisual e idealizadora do FIPC, ressalta o diferencial do festival: a autonomia dos jovens. “Eles ficam se sentindo mais participativos com protagonismo, porque a opinião deles importa. Já muda completamente a postura daquela criança que senta na cadeira sabendo que vai eleger o filme que vai ser premiado. A postura dela na cadeira de cinema é outra”, avaliou Daniela.
A 11ª edição do festival demonstra um crescimento notável, com mais atividades e um interesse cada vez maior de crianças e adolescentes pela arte do cinema. A ideia surgiu quando Daniela produzia uma homenagem ao avô Paulo Gracindo. A Oficina Pequeno Cineasta, criada em 2009, acompanha jovens em todas as etapas da realização de um filme, desde a concepção até a edição.
A partir da oficina, surgiu a primeira edição do festival em 2010, que, segundo Daniela, era “bem mais tímida”. “Cada edição que eu faço é uma potência tão grande de troca de cultura, de conexão, de conseguir se aproximar da criança, porque a gente tem esse espaço qualificado onde elas podem e devem se expressar por meio da sétima arte”, apontou Daniela, conforme o Campo Grande NEWS verificou.
Diversidade de temas e intercâmbio cultural
Este ano, o FIPC exibirá 68 filmes produzidos por jovens de 8 a 17 anos, selecionados a partir de 467 inscrições de 41 países. As obras incluem ficções, documentários e animações que abordam desde amizade e preconceito até inteligência artificial e crise climática. A competição é dividida em categorias Nacional e Internacional, para crianças (8-12 anos) e jovens (13-17 anos).
As mostras especiais incluem a Oficina Pequeno Cineasta, Filmes Hispânicos e Sustente Sua História, focada em produções sobre sustentabilidade. Temas como afetos, perdas, trabalho, violência e a relação entre humanidade e natureza são explorados em filmes de diversas nacionalidades, promovendo um rico intercâmbio cultural e de perspectivas.
A abertura do festival, no dia 18, contará com um encontro especial entre cineastas do Brasil e da Guiana Francesa, com a exibição de curtas produzidos por crianças e jovens locais. Workshops como “Cinema na Sala de Aula” e ações como o programa “Pequeno Cineasta na Escola” levam a experiência cinematográfica para dentro das salas de aula e comunidades, formando novas plateias e incentivando o pensamento crítico.
O festival encerra no dia 24 de outubro, com a premiação dos vencedores e uma homenagem a Gracindo Jr., que faleceu em setembro. O FIPC conta com o apoio institucional da Prefeitura do Rio, por meio das Secretarias Municipais de Cultura e de Educação, do Sistema Nacional de Cultura e do Ministério da Cultura.


