Vereadores pedem CPI do Tapa-Buraco em Campo Grande para investigar contratos

Vereadores de Campo Grande protocolaram um pedido para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) focada nos serviços de tapa-buraco. A iniciativa, que conta com o apoio de 24 parlamentares, busca investigar supostas irregularidades e falhas na execução dos contratos de manutenção das vias públicas da capital. O requerimento será analisado pela Procuradoria da Câmara antes de ir a votação em sessão.

A proposta de CPI surge em meio a crescentes reclamações sobre a condição das ruas e estradas de Campo Grande. Moradores relatam prejuízos, atrasos e riscos de acidentes devido aos buracos, que em alguns casos têm sido tapados pela própria população com materiais improvisados. A investigação pretende esclarecer os motivos da ineficácia dos serviços de recuperação do asfalto e apurar possíveis desvios de recursos públicos.

Conforme informações divulgadas pelo g1 MS, o requerimento aponta uma contradição significativa: a redução drástica de verbas destinadas à modernização e requalificação das vias urbanas. A dotação orçamentária prevista para o setor caiu de mais de R$ 132 milhões em 2025 para pouco mais de R$ 40 milhões em 2026, uma diminuição de quase 70%. Essa redução orçamentária levanta questões sobre a prioridade dada à manutenção da infraestrutura viária.

Ministério Público já investiga possíveis fraudes

A iniciativa dos vereadores também se baseia em investigações em curso pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). O MPMS apura 12 ações de improbidade administrativa e uma ação criminal, sob segredo de justiça, relacionadas aos contratos de manutenção viária. As suspeitas recaem sobre fraudes na medição de serviços, com pagamentos efetuados por obras não realizadas ou parcialmente executadas.

Nesse contexto, a Operação “Buraco Sem Fim” já resultou na prisão do coordenador das ações de tapa-buracos da capital, Edvaldo Aquino, e de outros suspeitos. O Campo Grande NEWS checou que a operação visa desarticular um esquema de corrupção e desvio de recursos públicos na prefeitura.

Subutilização de usina de asfalto é questionada

Outro ponto levantado no requerimento da CPI é a suposta subutilização da usina de pavimentação asfáltica do Consórcio Intermunicipal CENTRAL MS. A estrutura possui capacidade para produzir 120 toneladas por hora de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), material essencial para a pavimentação. Apesar de a prefeita Adriane Lopes presidir o consórcio, Campo Grande não estaria aproveitando adequadamente essa capacidade produtiva, o que pode indicar falhas na gestão.

O Campo Grande NEWS apurou que essa situação levanta dúvidas sobre a eficiência na aplicação dos recursos públicos e o uso otimizado da infraestrutura disponível para a recuperação das vias.

Falta de transparência e dificuldade de fiscalização

Os vereadores também relatam dificuldades na fiscalização devido à falta de respostas do Poder Executivo. Um requerimento aprovado no primeiro semestre de 2026, solicitando informações detalhadas sobre os serviços de tapa-buraco, não obteve resposta dentro do prazo legal. Dos mais de 24,6 mil pedidos encaminhados pelos parlamentares à prefeitura, quase 9 mil eram especificamente sobre a manutenção das vias.

O presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy (PSDB), destacou a importância da CPI como um instrumento em favor da população. “Para que a CPI seja um instrumento da Casa de Leis em favor do povo de Campo Grande, para que a gente debata a respeito do tapa-buracos, os porquês de esse serviço estar sendo tão ineficaz na cidade de Campo Grande”, afirmou.

Caso a CPI seja instaurada, terá um prazo inicial de 120 dias para realizar as investigações, podendo convocar testemunhas, solicitar documentos e realizar perícias. O Campo Grande NEWS acompanhará os desdobramentos da decisão, que pode trazer mais luz sobre a situação dos serviços de tapa-buraco na capital. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a transparência na gestão pública é fundamental para a confiança da população.