A Câmara Municipal de Campo Grande alcançou um consenso histórico nesta sexta-feira (16), reunindo 24 assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dedicada a investigar o serviço de tapa-buracos na cidade. A decisão, fruto de intensas discussões na tarde de ontem, atende às crescentes reclamações da população sobre as precárias condições das ruas e a necessidade de explicações sobre a execução do serviço e os recursos públicos destinados à manutenção viária.
CPI do Tapa-Buraco: Vereadores buscam respostas sobre serviços nas ruas
A iniciativa, proposta pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), ganhou força com o apoio maciço do Legislativo. O requerimento para a instalação da CPI prevê um prazo de 120 dias para apuração detalhada de possíveis cortes no orçamento, irregularidades em contratos e o descumprimento de prazos na execução dos serviços de tapa-buracos. O documento será agora analisado pela Procuradoria Jurídica e pela Mesa Diretora da Câmara antes de sua instalação oficial, um passo crucial para a investigação que promete trazer transparência à gestão dos recursos públicos.
Vontade coletiva por soluções para os buracos nas ruas
Luiza Ribeiro destacou que o debate entre as bancadas considerou as inúmeras reclamações dos cidadãos, o volume expressivo de solicitações encaminhadas pelos próprios parlamentares e a perceptível redução dos recursos destinados à manutenção das vias públicas nos últimos anos. “Desde ontem, na sessão, as bancadas ficaram de apreciar os fatos determinantes na data de hoje. Enfim, foram as lideranças e demais vereadores. Passamos a tarde toda debatendo sobre a CPI e o caos que é esse serviço”, afirmou a vereadora, ressaltando a urgência da situação.
A vereadora apresentou dados alarmantes: somente no primeiro semestre deste ano, foram registradas mais de 10 mil indicações de parlamentares solicitando serviços de tapa-buracos. Esse número expressivo, segundo Luiza, demonstra a real dimensão do problema enfrentado pela população e a **ineficácia das ações atuais do Executivo municipal**, evidenciando a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa. “Há um clamor da sociedade e um silêncio do Executivo, e nada justifica o que eles estão fazendo”, declarou a parlamentar.
O que a CPI pretende investigar e os próximos passos
Entre os pontos cruciais que a CPI pretende investigar está a **redução do orçamento destinado à manutenção das vias nos últimos dois anos**, com um olhar especial para os recursos previstos para 2026. A proposta também prevê a apuração de possíveis irregularidades em contratos firmados para a prestação do serviço, além da verificação do descumprimento de prazos para respostas a pedidos de informação já aprovados pelo plenário da Câmara. O requerimento estabelece um prazo inicial de 120 dias para os trabalhos da comissão, que poderá ser prorrogado se necessário.
A vereadora Luiza Ribeiro manifestou interesse em presidir a CPI, mas a definição da composição e dos cargos ainda dependerá das próximas etapas formais do processo legislativo. Conforme o Campo Grande NEWS checou, apesar das 24 assinaturas reunidas, a comissão ainda não está oficialmente instalada. O requerimento passará pela análise da Procuradoria Jurídica da Câmara Municipal, que verificará se a proposta atende a todas as exigências legais, regimentais e constitucionais.
Secretário de Obras convocado para prestar esclarecimentos
Em uma frente paralela, mas com o mesmo objetivo de buscar respostas, a Câmara já havia aprovado, na sessão de quinta-feira (15), um requerimento para **convocar o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão**, a prestar esclarecimentos sobre a operação tapa-buracos. O secretário deverá comparecer à sessão ordinária de terça-feira (20), onde se espera que apresente informações detalhadas sobre a execução dos serviços e as razões para as constantes reclamações sobre a situação das ruas. A convocação e o pedido de abertura da CPI são iniciativas distintas, mas ambas visam esclarecer os motivos pelos quais a manutenção viária em Campo Grande não tem atendido às demandas da população.
O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), confirmou que a decisão representa uma posição coletiva do Legislativo diante das cobranças da população por melhorias na infraestrutura urbana. “Os vereadores reuniram-se para anunciar à sociedade de Campo Grande, que tem cobrado respostas sobre o serviço de tapa-buracos, uma decisão coletiva”, explicou o presidente. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, alguns vereadores não assinaram o requerimento por ausência na reunião, mas demonstraram apoio à iniciativa. O vereador Beto Avelar (PP) participou das discussões, mas não assinou por exercer a liderança da prefeita Adriane Lopes (PP) na Câmara. O objetivo, segundo Papy, é que a CPI seja um instrumento da Câmara Municipal em prol da população de Campo Grande, para investigar os motivos pelos quais o serviço de tapa-buracos tem se mostrado ineficaz na cidade.
A Prefeitura de Campo Grande foi procurada para se manifestar sobre o pedido de abertura da CPI. O espaço segue aberto para atualizações. A atuação do Legislativo demonstra um compromisso em fiscalizar o Executivo e garantir que os recursos públicos sejam aplicados de forma eficiente na melhoria da infraestrutura da cidade, atendendo às necessidades urgentes dos cidadãos que sofrem diariamente com os buracos nas ruas. A expectativa é que, com a CPI e o depoimento do secretário, haja um avanço significativo na resolução dos problemas de manutenção viária. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando de perto todos os desdobramentos deste caso.

