Gerson Palermo: solto por desembargador, volta a ser alvo de operação contra tráfico

Gerson Palermo, figura apontada como ligada ao tráfico internacional de drogas, tornou-se alvo de um novo mandado de prisão nesta quinta-feira (15). A prisão ocorreu durante a Operação Capolinea, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), que investiga um esquema criminoso responsável pelo transporte de entorpecentes da Bolívia para o Brasil. Palermo, que já estava preso, teve a nova ordem judicial cumprida em meio à ação.

A operação, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, também resultou na prisão de Aguinaldo Chaleira, conhecido como Sumatra, e de um homem suspeito de envolvimento no sequestro de uma sobrinha de Palermo. A FICCO investiga uma organização criminosa que utilizava métodos diversos para o transporte de drogas, incluindo o uso de minério de ferro, pneus, tanques de combustível de caminhões e cargas de grãos. A rota principal envolvia a fronteira de Corumbá com Puerto Quijarro, na Bolívia, com distribuição para Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

Vigilante da PF suspeito de vazar informações

Um dos pontos de atenção na investigação é a suspeita de que um vigilante da Polícia Federal em Corumbá tenha colaborado com a organização criminosa. Ele é acusado de repassar informações internas sobre a rotina da delegacia, presença de equipes policiais e a situação de presos. Segundo as investigações, ele também teria enviado fotografias de apreensões e documentos internos da unidade policial.

Palermo e Aguinaldo Chaleira foram detidos na Bolívia antes de serem entregues às autoridades brasileiras. Chaleira é identificado como membro de uma família com histórico de envolvimento com o tráfico de drogas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a operação cumpre um total de 41 mandados, incluindo 20 de busca e apreensão, 14 de prisão preventiva e sete de prisão temporária. A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio de bens no valor de R$ 24 milhões e a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol.

O caso que levou à Operação Tiradentes

Gerson Palermo também é investigado na Operação Tiradentes, iniciada pela Polícia Federal em fevereiro de 2024. Essa investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades na concessão de decisões judiciais. Em abril de 2020, durante um plantão judiciário, o então desembargador Divoncir Schreiner Maran concedeu prisão domiciliar a Palermo, que cumpria pena por crimes relacionados ao tráfico de drogas, com a condição de uso de tornozeleira eletrônica.

A liminar foi revogada no dia seguinte, mas Palermo rompeu a tornozeleira e fugiu, episódio que passou a integrar a investigação sobre possíveis favorecimentos indevidos. A Operação Tiradentes apurou que a decisão pode ter sido concedida em troca de vantagens, com movimentações financeiras suspeitas envolvendo familiares do magistrado. O caso levou ao afastamento de Divoncir Schreiner Maran de seu cargo.

A origem da investigação e a atuação da organização

A investigação da Operação Capolinea começou após uma apreensão realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em 13 de agosto de 2025, na BR-262, em Três Lagoas. Policiais encontraram cerca de 35 quilos de cocaína e 12 quilos de maconha escondidos em pneus sobressalentes de um caminhão. O motorista informou que recebeu os pneus em Corumbá com destino a Bauru, São Paulo.

A análise de um celular apreendido com um dos principais operadores do esquema, que estava escondido na Bolívia, permitiu aos investigadores mapear a estrutura da organização criminosa. De acordo com a Polícia Federal, o grupo negociou aproximadamente 24 toneladas de drogas durante o período analisado. O nome ‘Capolinea’, que significa ‘fim da linha’ em italiano, reflete a intenção de interromper as atividades do principal investigado e a rota de tráfico explorada pelo grupo. O Campo Grande NEWS destaca que a operação visa desarticular um esquema que movimentou milhões em atividades ilícitas.

Métodos de transporte e alcance da operação

Para garantir a passagem das drogas sem fiscalização, os criminosos aliciavam funcionários de mineradoras, incluindo supervisores e operadores de balança, com pagamentos realizados via Pix. A operação ocorre em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Até o momento, dois alvos foram presos e um revólver calibre .32 apreendido. Um terceiro investigado não foi encontrado em seu endereço.

O principal líder da organização criminosa, segundo a investigação, estava escondido na Bolívia há cerca de seis anos, após ter sido beneficiado por um habeas corpus concedido durante um plantão do Tribunal de Justiça. Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas e organização criminosa. A Polícia Federal estima que o grupo tenha transportado cerca de 24 toneladas de drogas, com um valor total de R$ 24 milhões em bens bloqueados pela Justiça.