A Santa Casa de Campo Grande anunciou uma medida drástica que impactará o atendimento na capital: a partir de agora, o hospital atenderá **apenas casos de urgência e emergência**. Essa restrição, válida nas próximas 24 horas, surge como consequência direta da **escassez de materiais, insumos e recursos financeiros** que tem assolado a instituição.
A decisão, comunicada oficialmente na manhã desta quinta-feira (15), visa preservar os recursos disponíveis para os pacientes que realmente necessitam de cuidados imediatos e de alta complexidade. Pacientes com condições estáveis, que poderiam ser tratados em outras unidades de saúde, poderão ser transferidos, conforme avaliação da equipe médica. A direção do hospital informará oficialmente as autoridades competentes sobre a situação, incluindo a Justiça, o Ministério Público e as secretarias de Saúde municipal e estadual.
Dificuldades financeiras e de suprimentos levam à medida extrema
A diretora técnica da Santa Casa, Patrícia Berg, explicou que o hospital atende, em média, **110 pessoas diariamente**. No entanto, uma parcela significativa desse público, cerca de 75% a 80%, não se enquadra em critérios de urgência ou emergência. Com a nova diretriz, essa demanda não urgente poderá ser redirecionada para outros hospitais da rede pública, garantindo que a Santa Casa concentre seus esforços nos casos mais críticos.
O superintendente da Santa Casa, Luiz Alberto Hiroki Kanamura, detalhou que a medida busca **garantir a continuidade dos serviços essenciais**, priorizando a vida e a segurança dos pacientes em estado grave. “Os nossos pacientes que possam ser transferidos e atendidos em qualquer hospital da rede estão tendo a transferência solicitada”, afirmou Kanamura. Ele ressaltou, contudo, que a solicitação de transferência não garante que todos os pacientes serão realocados, dependendo da disponibilidade e capacidade das outras unidades de saúde.
Pacientes internados também podem ser afetados
A restrição de atendimento pode afetar também pacientes que já se encontram internados na Santa Casa. Aqueles cujas condições clínicas permitam a transferência para outras instituições hospitalares poderão ser encaminhados, desde que recebam a assistência adequada em outra unidade. A administração do hospital está em processo de avaliação para determinar quantos pacientes poderão ser incluídos nesse cenário, buscando evitar a desassistência em qualquer hipótese.
A falta de insumos médicos, como materiais para procedimentos, órteses e próteses, tem sido um fator crítico para a operação da Santa Casa. A instituição relatou que a última proposta de repasse financeiro recebida, no valor de R$ 37.418.741,66, foi considerada **insuficiente** para cobrir as necessidades operacionais e de aquisição de suprimentos essenciais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a direção busca ativamente por soluções para reverter o quadro e normalizar o atendimento.
Comunicação com autoridades e busca por soluções
A decisão de restringir o atendimento será formalmente comunicada à Justiça, ao Ministério Público e às secretarias municipal e estadual de Saúde. O objetivo é manter as autoridades informadas e buscar em conjunto uma solução para a crise financeira e de abastecimento que a Santa Casa enfrenta. O Campo Grande NEWS acompanha de perto as negociações e os desdobramentos desta situação delicada para a saúde pública.
A administração da Santa Casa reafirma que a restrição é uma medida temporária, adotada enquanto se busca uma solução sustentável para garantir a continuidade dos serviços. A prioridade máxima, segundo a diretoria, é o bem-estar e a segurança dos pacientes, especialmente aqueles em situação de maior gravidade. A expectativa é que, com o diálogo e a colaboração das esferas governamentais, o hospital possa retomar sua plena capacidade de atendimento em breve. Acompanhe as atualizações sobre o caso no Campo Grande NEWS.

