A estrutura metálica de uma ponte que caiu sobre um córrego em Campo Grande no dia 30 de julho foi removida das águas, mas acabou abandonada sobre uma ciclovia, bloqueando o acesso de pedestres e ciclistas. A travessia, que liga dois trechos importantes da via, permanece sem conserto, e os moradores da região expressam profunda preocupação com a falta de segurança, especialmente durante a noite, devido à precária iluminação e ausência de sinalização adequada. A situação, que já foi alvo de denúncias anteriores, persiste e causa transtornos e riscos à comunidade.
Ponte caída sobre ciclovia: perigo e indignação
A ponte, que cedeu durante uma forte chuva há mais de dois meses, ligava importantes pontos de acesso à Avenida Lúdio Martins Coelho. Após sua remoção do córrego, a estrutura metálica, visivelmente enferrujada em algumas partes, foi depositada diretamente sobre o pavimento da ciclovia. No local original da travessia, um barranco de terra exposto margeia o córrego, sem qualquer tipo de barreira de proteção ou sinalização que alerte sobre o perigo.
A situação atual, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, mudou o local do problema, mas não o resolveu. A ciclovia, essencial para a mobilidade de muitos moradores, foi parcialmente obstruída, forçando quem a utiliza a se arriscar em desvios ou a entrar em contato direto com a estrutura abandonada. A falta de providências por parte dos órgãos responsáveis tem gerado revolta e apreensão na comunidade local.
A passagem interrompida se encontra em uma bifurcação da ciclovia, um atalho frequentemente utilizado para acessar a Avenida Lúdio Martins Coelho. Embora exista um caminho alternativo, a presença da ponte caída sobre a ciclovia e a ausência de sinalização adequada aumentam o risco de acidentes, principalmente para pessoas que não conhecem a área e podem se aproximar do trecho sem perceber que a travessia está interditada.
Moradores relatam acidentes e temem pela segurança
Adriana Paulino, comerciante de 39 anos e moradora da região, expressa a longa duração do descaso com a ponte. “Essa ponte aí já está virando lenda, né? Porque já tem bom tempo que está naquela situação ali”, desabafa. Ela relata que, desde a queda da estrutura, nenhuma placa ou barreira foi instalada para alertar os usuários da ciclovia. A falta de iluminação no local agrava ainda mais o cenário de risco.
“É preocupante, né? Porque em algumas casas os vizinhos ainda se preocupam de colocar holofote para ter mais claridade, mas ali na ponte mesmo não tem nenhuma iluminação. Não só na ponte, mas no resto da ciclovia também deixa a desejar”, complementa Adriana. Ela menciona que já ocorreram casos de ciclistas que, durante a noite, não perceberam a ausência da ponte e acabaram caindo, necessitando de socorro por parte dos próprios moradores.
A comerciante destaca que a via é usada não apenas por residentes locais, mas também por pessoas de outros bairros que buscam um trajeto mais curto para atravessar a região. “Tem gente que vem de outro bairro e por ali é uma rota mais curta, né? Para atravessar a cidade e acaba se machucando, porque não tem sinalização. À noite é escuro”, lamenta.
Ameaças e incidentes na via sem segurança
Adriana Paulino também compartilhou um incidente preocupante envolvendo duas mulheres que utilizavam bicicletas elétricas e teriam sido vítimas de uma tentativa de estupro ao se aproximarem do local sem saberem da interdição da ponte. Segundo ela, a intervenção de moradores evitou que o crime fosse consumado. “Mas está difícil, está bem complicado essa região aqui”, conclui, evidenciando a insegurança gerada pela falta de manutenção e infraestrutura adequada.
Histórico de descaso e falta de respostas
A ponte, localizada na Avenida Dr. Nasri Siufi, entre os bairros Jardim Leblon e São Conrado, caiu no dia 30 de julho. Na época, a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) informou que a recuperação dependeria de procedimentos administrativos para abertura de licitação, sem previsão de prazo. Mais de dois meses após o incidente, a estrutura foi retirada da água, mas a travessia segue interditada e a ponte, abandonada sobre a ciclovia.
A reportagem entrou em contato com a prefeitura para obter informações sobre a previsão de reinstalação da ponte, os motivos de seu abandono sobre a ciclovia e planos para sinalização e isolamento do trecho, mas aguarda retorno. A situação levanta questionamentos sobre a agilidade e eficiência na resolução de problemas de infraestrutura urbana, especialmente quando envolvem segurança e mobilidade de pedestres e ciclistas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de ação tem gerado um ciclo de preocupação e risco para os frequentadores da ciclovia.
A negligência com a infraestrutura básica, como a manutenção de pontes e a garantia de vias seguras e iluminadas, impacta diretamente a qualidade de vida dos cidadãos e pode levar a acidentes graves e situações de vulnerabilidade. A comunidade espera por providências urgentes para que a ciclovia seja liberada e o acesso seguro seja restabelecido, conforme o Campo Grande NEWS tem acompanhado, atestando a importância da cobertura jornalística sobre os problemas locais.

