A praticidade de pedir comida por delivery ou chamar um carro por aplicativo se tornou um hábito para muitos, facilitando a rotina corrida. No entanto, essa conveniência pode se transformar em um vilão para o orçamento familiar, com gastos que, somados, impactam significativamente as finanças. Moradores de Campo Grande compartilham suas experiências e estratégias para lidar com essa realidade.
O economista Odirlei Dal Moro alerta que, apesar da facilidade, o uso frequente desses serviços pode comprometer o orçamento. Ele recomenda planejamento financeiro e o uso dos aplicativos apenas em ocasiões específicas. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostram que o transporte por aplicativo subiu 3,9% em setembro, evidenciando o aumento dos custos.
Andreia Castilho, supervisora de 24 anos, é um exemplo de quem sente o impacto no bolso. Ela utiliza o iFood principalmente à noite, após o trabalho, o que resulta em um gasto médio mensal de R$ 300 com jantares. Somado aos R$ 150 de transporte por aplicativo, suas despesas com esses serviços chegam a R$ 450 mensais. Para controlar, ela anota todos os gastos a cada dez dias.
“A gente nem vê, depois que coloca na ponta do lápis vê para onde foi cada coisa. Vou anotando, faço a cada 10 dias, vou anotando tudo. Só vou comprando, depois vejo se dá ou não”, relata Andreia, demonstrando a importância do registro para a conscientização financeira.
Thaisa Modesto, atendente de 22 anos, divide com o marido gastos de aproximadamente R$ 200 por mês com delivery de lanches e espetinhos. Seus gastos com transporte por aplicativo caíram para cerca de R$ 100 mensais, pois ela passou a priorizar o ônibus para ir e voltar do trabalho, uma alternativa mais econômica. Ela observa quais categorias consomem mais dinheiro e busca reduzir os gastos quando necessário.
“Tem mês que a gente tenta não gastar, vê o que está gastando muito e o que não está gastando e tenta cortar um pouco, como lanche e Uber. No começo eu vinha e ia embora de moto Uber, quando era temporada de chuva eu pagava 15,00 de carro, e o ônibus é mais barato”, explica Thaisa, mostrando a adaptação de seus hábitos.
Sâmela Miajo, enfermeira esteta de 28 anos, mantém seus gastos com delivery baixos, no máximo R$ 100 por mês, focando em pedidos nos fins de semana. Ela prefere preparar suas próprias refeições, pois está economizando para investir. Mesmo com um consumo reduzido, Sâmela reconhece o peso do delivery no orçamento quando o cansaço fala mais alto.
“Pesa no bolso, às vezes vai fazer outra coisa e vê, fica com preguiça de fazer uma janta, aí dá uma pesadinha”, confessa Sâmela, validando a tentação da comodidade.
O economista Odirlei Fernando Dal Moro reforça que a conveniência dos aplicativos, quando se torna um hábito frequente, eleva os custos. “Esse pequeno gasto diário ao longo de um mês compromete e muito o orçamento familiar”, afirma. Ele sugere que voltar a cozinhar em casa pode ser mais econômico e saudável.
Dal Moro recomenda o estabelecimento de uma programação financeira mensal, com limites para cada categoria de consumo. A orientação é reservar os serviços de entrega para ocasiões específicas, como fins de semana ou datas comemorativas, em vez de utilizá-los diariamente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a alimentação fora do domicílio registrou queda de 0,10% em setembro, mas o transporte por aplicativo teve alta de 3,9%.
O consumidor, segundo o economista, precisa ponderar se a praticidade compensa o custo adicional. “Tem que retirar esse consumo do orçamento, pois compromete muito o orçamento da pessoa”, alerta. Ele aponta para um dilema: pagar caro pela comodidade e enfrentar problemas financeiros, ou optar pela disciplina, abrindo mão de alguns benefícios modernos, mas mantendo a saúde financeira. A análise, conforme o Campo Grande NEWS apurou, é que esses serviços modernos, embora práticos, diminuem a renda disponível.
Para um controle financeiro eficaz, o Campo Grande NEWS consultou especialistas que indicam o registro detalhado de todos os gastos, a definição de um orçamento mensal claro e a busca por alternativas mais econômicas, como o transporte público e o preparo de refeições em casa. Essas estratégias, quando aplicadas consistentemente, podem fazer uma grande diferença no equilíbrio das finanças pessoais e familiares, permitindo que a comodidade dos aplicativos seja desfrutada sem comprometer o futuro financeiro.

