Primeiro elevador de Campo Grande consumia energia de uma quadra inteira

Campo Grande: O Elevador Que Apagava Uma Quadra Inteira

Imagine um elevador tão potente que, ao funcionar, consumia toda a energia elétrica de uma quadra inteira, deixando as casas e o comércio da região às escuras. Essa era a realidade em Campo Grande, no final da década de 1940, com a chegada do primeiro elevador instalado em um edifício local. O Edifício Olinda, um marco da modernização da cidade, entrou para a história não apenas por sua arquitetura, mas também pelo seu equipamento singular.

Conforme registros históricos de um levantamento sobre a Rua 14 de Julho, o inovador equipamento consumia praticamente toda a energia da quadra. Essa peculiaridade gerava um impacto visual notável, com a área ficando mergulhada na escuridão sempre que o elevador era acionado. Mesmo com essa limitação energética, a novidade foi uma verdadeira febre na época, simbolizando um avanço significativo para a cidade.

O Edifício Olinda, localizado na esquina da Rua 14 de Julho com a Avenida Afonso Pena, foi construído a partir de 1947. Com seus cinco pavimentos, destacava-se em uma paisagem urbana predominantemente composta por construções baixas. A instalação do elevador representou uma nova forma de ocupar o espaço urbano e um sinal claro de que Campo Grande começava a crescer verticalmente.

Um Marco da Modernização e da Verticalização

A arquiteta Vivianne Maria de Freitas, responsável pelo Projeto Rota 14, um levantamento histórico e arquitetônico da região, comenta sobre o impacto do elevador. “Ele enxugava toda a energia da quadra quando ele era ocupado, mas mesmo assim foi uma grande febre na época”, afirma. A pesquisa, que reuniu registros antigos, jornais e revistas, detalha a história do terreno e do edifício.

Antes do Edifício Olinda, o local abrigou a residência de Eduardo Santos Pereira, tabelião que chegou à cidade em 1911. No ano seguinte, José Alves Mendonça construiu ali um prédio assobradado. Já no início da década de 1920, o espaço era ocupado por um casebre de taipa pertencente aos irmãos espanhóis Suarez. Essa construção foi demolida por determinação do prefeito Arlindo Andrade para dar lugar ao que se tornaria a esquina mais importante da cidade, conforme destaca o Projeto Rota 14.

O Lado B visitou o prédio, que se mantém preservado na esquina da Rua 14 de Julho com a Avenida Afonso Pena. O poço do elevador original ainda existe, embora o equipamento em si já tenha sido substituído devido ao longo tempo de uso. Atualmente, as salas do Edifício Olinda abrigam clínicas e escritórios, e o térreo conta com uma ótica, demonstrando a contínua vocação comercial do local, que já sediou lojas de colchões, assistências técnicas de celular e farmácias.

Projeto Inovador para Profissionais e o Comércio

Na época de sua construção, o Edifício Olinda não impressionava apenas pela altura e pelo elevador pioneiro, mas também por acompanhar a evolução da dinâmica comercial da cidade. Passou a oferecer espaços adequados para profissionais liberais e empresas, refletindo uma nova organização do trabalho.

O projeto arquitetônico, assinado pelo engenheiro Otávio Mendonça de Vasconcelos e executado por Amélio de Carvalho Baís, previu escritórios nos andares superiores e uma loja comercial no térreo. Esses nomes são figuras importantes na história da arquitetura e da construção em Campo Grande. O edifício foi pensado para abrigar profissionais de diversas áreas, como engenharia, agrimensura, odontologia e advocacia.

Entre os profissionais que tiveram seus escritórios no Olinda, destacam-se o advogado Rubem Figueiró, os engenheiros Hélio Baís Martins e Bernardo Baís Neto, Boaventura Echeverria e Antônio Mena Gonçalves. Empresas e publicações, como a Imobiliária Caiçara e a revista Mato Grosso Ilustrado, também tiveram sede no endereço. Essa concentração de atividades transformou o Olinda em um ponto de referência para quem buscava serviços, negócios e atendimento profissional no Centro da cidade, representando uma nova maneira de organizar o trabalho.

A Prefeitura de Campo Grande reconhece o Edifício Olinda como um marco da verticalização urbana. Em material histórico da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o prédio é descrito como o pioneiro a possuir um elevador, “uma novidade que apontava a cidade em direção à modernidade”, detalha o documento, conforme o Campo Grande NEWS checou.

Do Elevador ao Bar Cinelândia: Histórias no Térreo

Enquanto os andares superiores serviam a profissionais, o térreo do Edifício Olinda também guardava sua própria história. Foi ali que funcionou o **Bar Cinelândia**, um estabelecimento que se tornou conhecido na vida social campo-grandense. Localizado em uma esquina movimentada, próximo ao antigo Cine Alhambra, o bar atraía frequentadores que passavam pela região para assistir a filmes ou se encontrar com amigos.

O Cinelândia era descrito como uma mistura de bar e restaurante, chegando a oferecer apresentações musicais. Tornou-se um ponto de encontro popular, especialmente para jovens que se reuniam para conversar e observar o movimento da rua. O bar também estava associado a pequenos prazeres cotidianos, como saborear um spumoni após uma sessão de cinema, mostrando como o edifício se integrava à rotina e às memórias dos moradores e frequentadores do Centro, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A história do primeiro elevador de Campo Grande, com seu consumo energético peculiar, e as memórias associadas ao Edifício Olinda e ao Bar Cinelândia, como noticiado pelo Campo Grande NEWS, revelam um capítulo fascinante da evolução urbana da cidade. Esses detalhes nos ajudam a compreender como a modernidade chegou e se integrou ao cotidiano, moldando a paisagem e a vida social de Campo Grande.