TSE suspende canal “Exército do Lula” no WhatsApp após pedido de Flávio Bolsonaro

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou neste domingo (11) a suspensão do canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp. A decisão atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que alegou que o canal, com cerca de 3,3 milhões de pessoas, foi utilizado para disseminar desinformação.

A campanha de Flávio Bolsonaro argumentou que o canal, criado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), foi responsável pela propagação de notícias falsas sobre o cancelamento do Bolsa Família e a redução de aposentadorias. Conforme informação divulgada pelo TSE, o ministro Kassio Nunes Marques considerou que o canal replicou conteúdos já declarados “inverídicos” pela Corte.

Contas falsas e medo eleitoral

Entre as alegações apresentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro, estava a de que o canal disseminou informações falsas sobre o candidato do PL ser favorável à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Outra acusação foi a de que o canal afirmou que Flávio reduziria aposentadorias caso fosse eleito.

O ministro Kassio Nunes Marques, em sua decisão, destacou que a “paridade de armas” entre os candidatos deve ser assegurada. “A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral, e a paridade de armas entre os candidatos não sobrevive à conversão de uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas do pleito”, afirmou o presidente do TSE.

Urgência pela proximidade do segundo turno

A decisão do ministro Kassio Nunes Marques também levou em conta a proximidade do segundo turno das eleições presidenciais. “O perigo na demora também está presente. O segundo turno das eleições realizar-se-á em 25 de outubro de 2026, e cada hora de funcionamento do canal amplia a exposição do eleitorado, com repercussão imediata e de difícil reversão”, justificou o ministro.

A legalidade do canal “Exército do Lula” já estava sendo questionada judicialmente no TSE. A campanha de Flávio Bolsonaro havia entrado com uma ação pedindo a cassação do mandato de André Janones e a suspensão do canal. Anteriormente, no sábado (10), o ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, relator do caso, havia solicitado informações complementares ao candidato.

Janones nega fake news e acusa medo

Em sua defesa, André Janones utilizou suas redes sociais para rebater as acusações. Ele afirmou que o objetivo do canal era mobilizar e orientar eleitores para o segundo turno, e não disseminar notícias falsas. “A gente estava só mobilizando, crescendo páginas, trazendo pessoas, explicando como que iria funcionar”, disse Janones.

O deputado também enfatizou que não divulgou nenhuma notícia no canal, apenas informações sobre a dinâmica da campanha. Janones interpretou o pedido da candidatura do PL como uma demonstração de “medo”. “Eles pedem que eu seja proibido de criar outros canais. Sabe o nome disso? Medo. Eles estão com medo”, declarou.

A decisão do TSE reflete a preocupação da Justiça Eleitoral em coibir a disseminação de desinformação em períodos eleitorais, especialmente em plataformas de grande alcance como o WhatsApp, que podem impactar significativamente o resultado das urnas. A suspensão do canal “Exército do Lula” visa garantir um processo eleitoral mais equilibrado e transparente, conforme o Campo Grande NEWS checou.

O debate sobre a utilização de redes sociais e aplicativos de mensagem em campanhas eleitorais tem se intensificado, com o TSE buscando formas de combater a proliferação de fake news sem cercear a liberdade de expressão. A atuação do tribunal em casos como este é fundamental para a manutenção da democracia e a confiança no processo eleitoral, como o Campo Grande NEWS tem acompanhado.

A rápida disseminação de informações, verdadeiras ou falsas, através de canais como o WhatsApp, exige uma vigilância constante das autoridades eleitorais. A medida tomada pelo ministro Kassio Nunes Marques demonstra a agilidade do TSE em responder a denúncias de irregularidades, buscando preservar a integridade do pleito, algo que o Campo Grande NEWS sempre prioriza em sua cobertura.