Vereadora Luiza Ribeiro Pede CPI Para Investigar Contratos de Tapa-Buracos em Campo Grande

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) apresentou um pedido formal para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Campo Grande. O objetivo é investigar a fundo possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços de tapa-buracos na Capital. A iniciativa busca trazer maior transparência sobre a aplicação dos recursos públicos, avaliar a qualidade dos serviços prestados e entender as razões para a contínua deterioração das ruas e avenidas da cidade.

A situação tem gerado grande insatisfação entre os moradores, que enfrentam diariamente o problema de ruas esburacadas. Esses buracos causam prejuízos materiais, aumentam o risco de acidentes e dificultam o deslocamento diário. Em diversos bairros, como Aero Rancho, Vila Planalto, Jardim Itatiaia, Estrela Dalva e Jardim TV Morena, a população chegou a realizar reparos improvisados nas vias, utilizando terra, pedras e entulhos, devido à demora na ação do poder público.

Um dos pontos de maior preocupação levantados pela parlamentar é a drástica redução de quase 70% na previsão orçamentária destinada à modernização e requalificação das vias urbanas. Para o ano de 2025, estavam previstos mais de R$ 132 milhões, mas para 2026, esse valor caiu para pouco mais de R$ 40 milhões. Essa diminuição levanta questionamentos sobre as prioridades de investimento em infraestrutura.

A proposta da CPI também leva em consideração as investigações já em andamento conduzidas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Conforme noticiado pela imprensa, o MPMS está apurando 12 ações de improbidade administrativa relacionadas aos serviços de tapa-buracos. A Operação Buraco Sem Fim, em especial, investiga suspeitas de fraudes em contratos, medições irregulares e pagamentos por serviços que foram executados apenas parcialmente ou nem sequer foram realizados.

Outro ponto de questionamento abordado pela vereadora Luiza Ribeiro diz respeito à participação de Campo Grande no Consórcio CENTRAL MS. Este consórcio possui uma usina de pavimentação asfáltica com capacidade anunciada de produzir 120 toneladas por hora. Tal equipamento poderia ser fundamental para reduzir custos e ampliar a capacidade de recuperação das vias públicas na cidade, mas seu potencial parece subutilizado.

A magnitude do problema com os buracos nas ruas é evidenciada também pelas demandas que chegam à Câmara Municipal. Somente no primeiro semestre de 2026, das 24.673 indicações apresentadas pelos vereadores à Prefeitura, quase 9 mil foram especificamente relacionadas à necessidade de serviços de tapa-buracos. Isso demonstra a urgência e a extensão do problema.

Luiza Ribeiro também cobra explicações da administração da prefeita Adriane Lopes sobre a falta de resposta a um requerimento aprovado pela Câmara. Este requerimento solicitava informações detalhadas sobre a execução dos serviços de tapa-buracos na cidade. A ausência de respostas agrava a falta de transparência.

Para a parlamentar, a CPI é um instrumento necessário para garantir a transparência na gestão pública, identificar os responsáveis por eventuais falhas e esclarecer como os recursos públicos destinados à manutenção das ruas estão sendo efetivamente utilizados. A proposta prevê um período inicial de investigação de 120 dias, com foco na análise detalhada de contratos, investimentos realizados, a execução dos serviços e a apuração de possíveis irregularidades.

A iniciativa vai além da simples investigação de contratos. Seu objetivo principal é enfrentar um problema crônico que afeta diretamente a segurança, a mobilidade urbana e a qualidade de vida de todos os cidadãos de Campo Grande. Afinal, a manutenção adequada das ruas é um serviço público essencial, e a população tem o direito inalienável de saber como seu dinheiro está sendo aplicado em benefício da coletividade.

Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a situação das vias públicas tem sido um ponto constante de debate na Câmara Municipal. A falta de manutenção adequada e a frequente aparição de buracos geram custos adicionais para os motoristas, que precisam arcar com consertos de pneus, suspensão e outros componentes de seus veículos danificados. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a extensão do problema pode ser dimensionada pelo número de indicações feitas pelos vereadores, que refletem as reclamações da população.

A vereadora Luiza Ribeiro enfatiza a importância da atuação do Ministério Público na investigação de improbidade administrativa. A Operação Buraco Sem Fim, citada pelo Campo Grande NEWS, busca coibir práticas ilícitas que desviam recursos públicos e comprometem a qualidade dos serviços oferecidos à população. A CPI na Câmara Municipal visa complementar essas ações, fiscalizando o uso do dinheiro público de forma mais direta e com poder de convocação de testemunhas e solicitação de documentos.

A redução orçamentária para a recuperação de vias é outro ponto crítico. Enquanto a demanda por tapa-buracos aumenta, a previsão de gastos diminui consideravelmente. Essa discrepância levanta sérias dúvidas sobre a eficiência da gestão dos recursos e sobre a real prioridade dada à infraestrutura urbana. A CPI poderá analisar se essa redução está alinhada com as necessidades reais da cidade e se há outras fontes de financiamento que poderiam suprir essa déficit.

A integração e o uso efetivo de ferramentas como a usina de pavimentação do Consórcio CENTRAL MS também serão foco da investigação. A capacidade produtiva anunciada do equipamento sugere um potencial de otimização de custos e agilidade na execução dos serviços. A CPI buscará entender por que esse recurso não está sendo plenamente aproveitado para solucionar o problema dos buracos em Campo Grande.

Em suma, o pedido de CPI por parte da vereadora Luiza Ribeiro representa um passo importante na busca por transparência e eficiência na gestão pública de Campo Grande. A investigação promete lançar luz sobre as questões que afligem a mobilidade urbana e a segurança dos cidadãos, buscando garantir que os recursos públicos sejam aplicados de forma correta e que os serviços de tapa-buracos atendam às necessidades da população.