Ruas esburacadas, lama em dias chuvosos e poeira constante em tempos secos transformaram a rotina de moradores de diversos bairros de Campo Grande. Há décadas, a promessa de asfalto paira sobre essas comunidades, mas a realidade, marcada por dificuldades de trânsito, acidentes e prejuízos à saúde e ao cotidiano, persiste. A prefeitura anunciou um pacote de obras de pavimentação para 29 bairros, beneficiando mais de 80 quilômetros de ruas com asfalto e drenagem, mas o Tribunal de Contas ainda analisa parte dos lotes, sem previsão para o início dos trabalhos. Conforme informação divulgada pelo g1, os entraves burocráticos e a falta de datas definidas deixam os cidadãos em um limbo de espera e frustração.
Moradores sofrem com a falta de asfalto há anos
A situação precária das vias em Campo Grande afeta diretamente a vida de quem reside nos bairros mais afastados do centro. Em áreas próximas à chácara Cachoeira, os buracos se tornaram verdadeiros obstáculos, provocando acidentes e forçando motoristas a realizar manobras arriscadas para evitar danos aos veículos. Em outros locais, a ausência de pavimentação dificulta a locomoção, especialmente para idosos e pessoas com deficiência, que enfrentam barreiras físicas diárias para se deslocar.
Na Vila Manoel da Costa Lima, o problema se agrava com buracos que impedem o acesso a um condomínio e ao Centro de Atendimento à Mulher. O policial militar da reserva Claudinei Braz relatou ao g1 que a prefeitura foi notificada sobre a situação há cerca de seis meses, mas nenhuma providência foi tomada. A via, que recebe grande fluxo de veículos, incluindo ônibus, torna-se perigosa com motoristas invadindo a contramão para desviar dos desníveis, aumentando o risco de colisões.
A encarregada de recursos humanos, Claudia Clixto, foi vítima de um acidente no local ao tentar acessar o condomínio. Mesmo reduzindo a velocidade e sinalizando a conversão, um motociclista que vinha atrás não conseguiu frear a tempo e colidiu com seu carro, evidenciando os perigos da infraestrutura deficiente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de pavimentação é um problema recorrente que afeta a segurança e a mobilidade urbana na região.
Poeira e lama: um problema de saúde pública
No bairro Santa Emília, a Rua Coronel Adalto Barbosa é um exemplo crítico da falta de infraestrutura. Em dias secos, a poeira fina invade as casas, causando transtornos respiratórios, especialmente para crianças e pessoas com problemas de sinusite. Quando chove, a rua se transforma em um lamaçal, com a sujeira adentrando os imóveis e exigindo um árduo trabalho de limpeza por parte dos moradores e comerciantes. A empresária Juliana Torres de Souza Silva destacou a piora na qualidade de vida, afetando diretamente a rotina familiar.
Após temporais, a situação se torna ainda mais caótica, com água e lama invadindo as residências e comércios. Motoristas precisam improvisar para não atolar, e os desníveis e valetas dificultam até mesmo a entrada e saída de veículos das garagens. Em um ato de desespero e busca por soluções, alguns moradores decidiram tapar os buracos por conta própria, utilizando cascalho para amenizar os transtornos, como relatou Giovanni, que precisou trocar de carro devido à dificuldade de acesso à sua garagem. A situação é descrita como uma catástrofe pelos residentes, que esperam há mais de 50 anos por uma solução definitiva.
O anúncio de obras e a desconfiança dos moradores
Em 25 de agosto, a Prefeitura de Campo Grande anunciou um pacote de pavimentação para 29 bairros, com a promessa de beneficiar mais de 80 quilômetros de ruas. O projeto, que envolve 12 empresas de engenharia e a instalação de sistemas de drenagem, está sob fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS). Contudo, a notícia não dissipou o ceticismo dos moradores, que já ouviram promessas semelhantes no passado. Solange Xavier, residente do Santa Emília há 13 anos, expressou a sua desconfiança: “Só acredito vendo. Só quando passar o asfalto, aí eu vou falar: agora saiu. Falaram a verdade mesmo”, disse ao g1.
A falta de uma data concreta para o início das obras e a análise pendente de quatro dos 16 lotes pelo TCE-MS aumentam a apreensão. Segundo o órgão, a prefeitura ainda não formalizou a contratação em dois casos, e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) suspendeu os procedimentos em outros dois para ajustes técnicos. O tribunal informou que os processos estão em análise na divisão de engenharia, sem previsão de conclusão. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a burocracia e a falta de agilidade nos trâmites têm sido os principais entraves para a realização das obras tão esperadas.
Aero Rancho: um bairro esquecido no pacote de obras
Curiosamente, o bairro Aero Rancho, onde muitos moradores também sofrem com a falta de asfalto, ficou de fora do pacote de obras anunciado pela prefeitura. Nival Medeiros dos Santos, residente há mais de 40 anos, descreveu as dificuldades enfrentadas por ele, que usa muletas, e por cadeirantes e idosos. “Nem com a muleta direito não dá para você andar aqui. Principalmente cadeira de roda. Como vou andar aqui de cadeira de rodas?”, questionou, ressaltando a necessidade urgente de pavimentação para garantir a acessibilidade e a segurança de todos.
Diego Carvalho de Souza, morador da Rua Bueno, no Aero Rancho, compartilha da mesma frustração. Ele e sua mãe convivem com os problemas há anos, e as promessas de asfalto se repetem sem que a obra se concretize. “A esperança é que no ano que vem seja contemplado, mas o problema é que isso vem se arrastando há vários anos. Então, todo ano é sempre o ano que vem”, lamentou Diego. A comunidade do Aero Rancho aguarda ansiosamente por uma solução que melhore a qualidade de vida e a mobilidade no bairro. O Campo Grande NEWS acompanha de perto a evolução das obras e as demandas dos moradores, buscando trazer informações atualizadas sobre a situação da pavimentação em Campo Grande.

