Líder de rebelião em 2005 volta à prisão por série de assassinatos

Apontado como um dos líderes da histórica rebelião no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande em 2005, Diógenes Costa Davi, conhecido pelos apelidos de “Dil”, “Destro” e “Poquemon”, foi novamente detido pela Polícia Civil. A prisão ocorreu durante a Operação Suppressio, que investiga uma série de crimes violentos e a atuação de uma organização criminosa no Bolsão, região nordeste de Mato Grosso do Sul, em meio a uma acirrada guerra de facções pelo domínio territorial.

Guerra de facções e prisão de líder de rebelião

Diógenes Costa Davi, que já teve passagens pela polícia em 2011 e foi investigado pelo Gaeco em 2018, é apontado como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) desde 2005. Sua nova prisão, realizada pelo SIG (Setor de Investigações Gerais) da 1ª Delegacia de Paranaíba, está diretamente ligada à investigação de crimes violentos em cidades como Paranaíba, Aparecida do Taboado e Três Lagoas. A operação visa desarticular a organização criminosa que estaria por trás de uma escalada de violência na região.

O histórico de Diógenes no crime organizado

O envolvimento de Diógenes Costa Davi com o crime organizado remonta a pelo menos 2005, ano em que ele foi identificado como um dos líderes da rebelião no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. Na época, o motim resultou no isolamento de diversos detentos considerados lideranças no sistema penitenciário estadual. Diógenes foi transferido para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, junto com outros presos.

Em janeiro de 2008, Diógenes retornou à Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, após cerca de um ano de isolamento. Ele estava entre os 16 presos apontados como líderes das rebeliões de 2005 e com ligações com o PCC. Contudo, a passagem pelo sistema federal não o afastou da facção.

Três anos depois, em março de 2011, Diógenes foi preso novamente em Três Lagoas, após fugir da Colônia Penal de Campo Grande. Na ocasião, a polícia apreendeu uma pistola calibre 9 milímetros que levou os investigadores até ele. Segundo as informações policiais divulgadas na época, Diógenes teria confessado que estava na cidade para executar duas pessoas que deviam dinheiro ao PCC. Esse episódio já o ligava à mesma região onde seu nome ressurgiria anos depois.

Investigações do Gaeco e novas acusações

Em 2018, o nome de Diógenes Costa Davi voltou a figurar em uma investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Interceptações telefônicas, parte da Operação Regresso, revelaram conversas atribuídas a “Destro”, posteriormente identificado como Diógenes. O Gaeco o denunciou como integrante do PCC, conhecido também pelos codinomes “Dil” e “Poquemon”.

Durante essa investigação, foram interceptadas conversas sobre crimes violentos. Em uma delas, Diógenes teria expressado a necessidade de matar um homem identificado como Clóvis, por este ter falado sobre sua esposa, Vanessa Afonso dos Santos, no Conselho Tutelar. Vanessa também foi presa na operação atual e é suspeita de mandar sequestrar adolescentes.

Outro relatório mencionou negociações para a execução de um homem conhecido como “Popaye”. Em uma ligação interceptada, um interlocutor afirma que mataria Popaye e que tinha “carta branca” para fazê-lo. Na mesma conversa, Diógenes teria pedido maconha. O Gaeco também atribuiu a Diógenes participação em conversas sobre o planejamento de roubo a um caixa eletrônico, indicando que ele estaria “organizando as coisas do comando”.

Operação Suppressio e prisão da esposa de Diógenes

Atualmente, Diógenes Costa Davi está entre os investigados na Operação Suppressio, que tramita em Três Lagoas. O processo foi instaurado com pedido de prisão temporária por suspeita de promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa. Lucelia Feitosa Centurion, Vanessa Afonso dos Santos e Erick Pereira da Conceição também estão entre os detidos.

Um habeas corpus apresentado ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) em favor de Vanessa Afonso dos Santos revelou detalhes sobre os crimes investigados. Ela teve a prisão temporária convertida em preventiva e é apontada como suposta mandante de sequestro e cárcere privado de adolescentes. Conforme o acórdão, relatos das vítimas e outras informações fundamentaram a prisão, ligando os atos à atuação da organização criminosa.

A defesa de Vanessa alegou falta de indícios suficientes e ausência de requisitos para a prisão, mas a 1ª Câmara Criminal do TJMS rejeitou o habeas corpus por unanimidade, mantendo a prisão preventiva. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o advogado que constava como defensor de Diógenes informou ter sido desconstituído e nenhum outro representante foi localizado até o momento. A situação de Diógenes Costa Davi, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, demonstra a persistência de sua atuação no mundo do crime, apesar das inúmeras prisões e investigações ao longo dos anos, como destaca o Campo Grande NEWS em suas reportagens sobre segurança pública na região.