Onda verde em Campo Grande: 18 vias sincronizadas prometem menos paradas e mais fluidez

A busca por um trânsito mais ágil e previsível em Campo Grande ganha um novo capítulo com a expansão do sistema de “onda verde”, que sincroniza semáforos para otimizar o fluxo de veículos. A proposta é que motoristas que mantenham uma velocidade próxima a 40 km/h consigam atravessar sequências de cruzamentos sem precisar parar no sinal vermelho. Contudo, a implementação dessa tecnologia tem mostrado um avanço modesto nos últimos anos, com um aumento de apenas duas vias sincronizadas em comparação com 2023.

Onda verde: avanços e desafios na Capital

Conforme divulgado pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), o número de vias com semáforos sincronizados passou de 16 em 2023 para 18 atualmente. Essa adição representa um acréscimo modesto, com quatro novas vias incluídas e duas removidas da lista. As novas adições são a Avenida Bandeirantes, Rua Brilhante, Avenida Salgado Filho e Rua Joaquim Murtinho. Em contrapartida, a Avenida Fernando Corrêa da Costa e a Rua Ceará, que constavam na relação do ano anterior, foram retiradas.

Apesar do ritmo de expansão, motoristas que utilizam essas vias relatam uma melhora perceptível no fluxo, especialmente durante os horários de pico. A velocidade média de referência para o funcionamento da onda verde é de 40 km/h, um dado que, segundo a Agetran, contribui significativamente para a redução de paradas desnecessárias e para um deslocamento mais eficiente.

O taxista Wilson Pereira Costa, com 24 anos de experiência nas ruas de Campo Grande, compartilha sua percepção sobre os benefícios do sistema. “A Antônia Maria Coelho funciona bem. Na Brilhante, o fluxo é muito bom”, afirma, destacando também as avenidas Afonso Pena e Rui Barbosa como exemplos de bom funcionamento. Para ele, a sincronia dos semáforos “melhora bastante, fica mais rápido e não dá tanto engarrafamento”.

O que é a onda verde e como ela funciona

A onda verde é um sistema de programação de semáforos que permite aos veículos, ao manterem uma velocidade determinada, encontrar uma sequência de sinais abertos. O objetivo principal, segundo a Agetran, é conferir maior fluidez ao trânsito e aumentar a segurança viária. Atualmente, a sincronização abrange importantes corredores da cidade, incluindo toda a Avenida Bandeirantes e as ruas Brilhante, Bahia e Rui Barbosa.

Na Avenida Mato Grosso, a sincronização ocorre entre as ruas Ceará e Calógeras, no sentido Centro/Bairro. Já na Rua 13 de Maio, o trecho sincronizado vai da Mato Grosso à Fernando Corrêa da Costa. Essa mesma configuração se estende para as ruas Pedro Celestino, José Antônio e 25 de Dezembro. A efetividade do sistema, segundo relatos, é maximizada quando os motoristas respeitam a velocidade média estabelecida, que gira em torno de 40 km/h.

Rogério Bento da Silva, motorista da Prefeitura de Nova Andradina, confirma a experiência positiva. “Eu já peguei andando a 40 km/h e consegui passar em todos os sinais verdes”, conta. Ele ressalta que o sistema é particularmente útil nos horários de pico, tornando o trânsito mais dinâmico. No entanto, ele aponta a Rua 13 de Maio como um ponto que ainda pode apresentar congestionamentos.

Benefícios econômicos, ambientais e de segurança

A expansão da onda verde em Campo Grande, uma cidade com quase 900 mil habitantes e mais de 600 mil veículos, conforme dados do Detran-MS, traz consigo uma série de benefícios. Maria Moura Borba de Oliveira, gerente de Engenharia do Detran-MS, explica que a sincronização dos semáforos contribui para a redução de paradas desnecessárias, tornando o deslocamento mais rápido e previsível.

Essa otimização do fluxo resulta em ganhos econômicos e ambientais. A arrancada do veículo, especialmente em primeira marcha, é um dos momentos de maior consumo de combustível e emissão de CO₂. Com menos paradas, os motoristas podem economizar combustível e diminuir a emissão de poluentes. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa redução no consumo e emissões é um dos pontos fortes do sistema.

Adicionalmente, a segurança viária é aprimorada. Um trânsito mais fluido tende a diminuir a ansiedade e a impaciência dos condutores, o que pode evitar comportamentos de risco, como tentar passar no sinal amarelo ou vermelho. A sincronização também ajuda a reduzir colisões traseiras causadas por frenagens bruscas. O transporte coletivo também se beneficia, com ônibus cumprindo horários com maior regularidade, tornando o transporte público mais atrativo, como atesta a análise do Campo Grande NEWS.

Expansão futura depende de estudos técnicos

Apesar dos benefícios evidentes, a expansão da onda verde para novas vias em Campo Grande depende de estudos técnicos aprofundados de engenharia de tráfego. A prefeitura, responsável pela gestão do trânsito urbano na Capital, é quem deve elaborar e conduzir esses estudos. Segundo a gerente do Detran-MS, a escolha das novas vias e a ampliação do sistema devem ser baseadas em dados técnicos para garantir a efetividade.

A Agetran organiza a sincronização em setores, considerando as características de cada corredor, buscando equilibrar o fluxo em vias de mão dupla e em complexos viários específicos. O sistema, implementado em Campo Grande desde maio de 2009, já passou por diversas fases de desenvolvimento. Interrupções de energia ou outras ocorrências podem descompassar a programação dos semáforos, e nesses casos, a população pode acionar a agência pelo telefone 156 para que a equipe técnica verifique o problema, uma informação detalhada pelo Campo Grande NEWS.

O trânsito na Capital, com sua frota crescente, clama por soluções que melhorem a mobilidade. A onda verde representa uma dessas soluções, e sua expansão, embora lenta, promete trazer mais fluidez e segurança para os deslocamentos diários em Campo Grande. A expectativa é que, com a continuidade dos estudos e investimentos, mais vias sejam incorporadas ao sistema, beneficiando um número ainda maior de motoristas.