Clínica de hemodiálise em Campo Grande multada após mortes de pacientes

A clínica de hemodiálise DaVita, em Campo Grande, foi multada pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS) após investigações sobre irregularidades sanitárias que levaram à morte de dois pacientes. Além da penalidade financeira, a empresa foi notificada a adotar medidas corretivas para adequar as condições constatadas.

A decisão administrativa foi proferida em primeira instância pela SES-MS, que apura as intercorrências registradas durante sessões de hemodiálise e as mortes ocorridas. O processo segue os trâmites legais previstos na legislação sanitária vigente, conforme informou o órgão estadual. Agentes da Vigilância Sanitária Estadual já haviam inspecionado a unidade em maio, identificando as falhas que culminaram na autuação.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) também instaurou um inquérito para investigar as supostas irregularidades na clínica. A investigação ministerial identificou **12 falhas sanitárias**, abrangendo desde a segurança dos pacientes e a higienização de equipamentos até o controle de qualidade da água, registros assistenciais e comunicação de eventos adversos. O MPMS busca esclarecer as circunstâncias das intercorrências e possíveis falhas em protocolos assistenciais e sanitários, com base em relatos de pacientes.

Em nota, o MPMS informou que o procedimento, conduzido pela 76ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública de Campo Grande, encontra-se em tramitação e ainda não foi concluído. Devido à natureza das informações, que incluem dados pessoais e de pacientes, o processo tramita em segredo de justiça para resguardar a privacidade dos envolvidos. As diligências para o esclarecimento dos fatos continuam, com a análise de informações solicitadas a órgãos públicos e outras partes envolvidas.

Relembre os casos que levaram à investigação

Os incidentes ganharam notoriedade em 27 de abril, quando pacientes necessitaram de socorro médico simultaneamente. Um dos casos fatais foi o de um homem de 62 anos, morador de Aquidauana, que faleceu em 30 de abril em um hospital da Capital. A certidão de óbito registrou como causa da morte “septicemia bacteriana e pneumonia”. Outra paciente faleceu em 18 de maio, após período de internação.

O caso chegou à Promotoria de Justiça em maio, que requisitou informações e acompanhou as inspeções da Vigilância Sanitária Estadual. Conforme o MPMS, um auto de infração foi lavrado, e uma notificação determinou a adoção de medidas corretivas. A autoridade sanitária manteve a autuação e aplicou a penalidade administrativa.

O que diz a clínica DaVita?

Procurada pelo Jornal Midiamax, a clínica DaVita Tratamento Renal informou que “não comenta investigações ou procedimentos em andamento, respondendo nas devidas instâncias”. A empresa reiterou que permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, colaborando integralmente com as apurações e atendendo às solicitações recebidas.

A atuação da SES-MS e do MPMS demonstra a importância do acompanhamento e da fiscalização rigorosa dos serviços de saúde, especialmente em unidades que realizam procedimentos complexos como a hemodiálise. A segurança e a qualidade do atendimento aos pacientes renais crônicos são fundamentais para garantir o bem-estar e a vida dessas pessoas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as investigações visam garantir que protocolos de segurança sejam seguidos à risca.

A investigação do MPMS é um passo crucial para determinar as responsabilidades e assegurar que falhas não se repitam. A comunidade de Campo Grande aguarda desdobramentos, na esperança de que a justiça seja feita e que a saúde pública seja priorizada. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o caso de perto, trazendo atualizações sobre o andamento do processo administrativo e judicial. A transparência e a rápida resolução são essenciais para restaurar a confiança na unidade de saúde.

As 12 falhas sanitárias apontadas pelo Ministério Público são um indicativo sério de que houve negligência em algum ponto do processo de tratamento. A segurança da água utilizada na hemodiálise, por exemplo, é um fator crítico, pois qualquer contaminação pode ter consequências devastadoras para os pacientes. A higienização adequada dos equipamentos também é vital para prevenir infecções. O Campo Grande NEWS apurou que a falta de controle sobre esses aspectos pode ser um dos pontos centrais da investigação.

A comunicação de eventos adversos é outra área de preocupação. A falha nesse processo pode impedir que as autoridades sejam alertadas sobre problemas recorrentes, dificultando a intervenção precoce. A investigação minuciosa do MPMS busca justamente mapear todas essas falhas e entender seu impacto direto na saúde dos pacientes. O desfecho deste caso poderá servir de alerta para outras clínicas do setor.