Uma cena de descaso e preocupação se desenrolou na Avenida Panambi Vera, no Jardim Tijuca, em Campo Grande, nesta quinta-feira (1º). Uma arara-canindé, ave símbolo da região, foi brutalmente atropelada por um motociclista por volta das 10h57. O condutor, sem hesitar, seguiu viagem, deixando a ave ferida e em sofrimento na calçada. A espera pelo resgate se estendeu por mais de uma hora, gerando angústia entre os moradores que testemunharam o ocorrido.
A gravidade da situação e a inércia no socorro mobilizaram trabalhadores locais, que prontamente acionaram a Polícia Militar Ambiental (PMA). No entanto, a resposta da corporação deixou a desejar, com a informação de que apenas uma viatura estava disponível para atendimento. O Campo Grande NEWS apurou que até o momento da publicação, a PMA não havia retornado o contato, aumentando a apreensão sobre o destino da arara.
O autônomo Gleydson Ramires, que estava no local, relatou o drama vivido pela ave. “Ela se machucou, está com a asa quebrada. Ela está andando, mas com o auxílio do bico, parece estar com dor”, descreveu, visivelmente abalado. A preocupação de Gleydson e de outros moradores era palpável, especialmente pela impossibilidade de intervir diretamente, devido à natureza silvestre do animal.
“Já ligamos para a PMA, mas até agora eles não vieram, disseram que tem apenas uma viatura”, complementou Gleydson. A impotência diante da dor do animal e a demora no atendimento especializado criaram um cenário de grande apreensão. A orientação era clara: aguardar o resgate pelos órgãos competentes para garantir o bem-estar da arara.
A ave em sofrimento
A arara-canindé, com sua plumagem vibrante, jazia na calçada, um contraste chocante com sua beleza natural. O ferimento na asa, visivelmente debilitada, impedia qualquer tentativa de voo, deixando-a vulnerável. Moradores se revezavam na observação, garantindo que a ave não fosse ainda mais exposta a perigos.
Gleydson Ramires acrescentou que a região é frequentada por araras que se alimentam em uma árvore próxima. No momento do atropelamento, outras quatro aves estavam presentes, mas, assustadas, se dispersaram. Apenas a arara ferida permaneceu no local, um triste espetáculo de vulnerabilidade.
Esforços para o resgate
Diante da demora, a bióloga e coordenadora de campo do projeto Aves Urbanas-Araras na Cidade, do Instituto Arara Azul, Larissa Tinoco Barbosa, entrou em contato com a PMA e os moradores. Ela confirmou que o animal apresentava a asa machucada e caída, conforme evidenciado em vídeos compartilhados.
Larissa Tinoco Barbosa explicou que a orientação em casos como este é sempre manter o animal em um local seguro, se possível, e acionar imediatamente os órgãos competentes. “Devem entrar em contato ou com a Polícia Militar Ambiental, ou com nós do Instituto Arara Azul, que nós conseguimos fazer a orientação adequada”, ressaltou a bióloga.
O Instituto Arara Azul, com sua vasta experiência em conservação e reabilitação de aves, atua como um importante ponto de apoio e orientação em situações de maus-tratos ou acidentes envolvendo animais silvestres. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a instituição é referência na proteção dessas espécies.
PMA confirma atendimento
Em resposta à reportagem, a Polícia Militar Ambiental informou que estava a caminho para realizar o resgate. A nota oficial confirmou que a ave seria encaminhada ao Centro de Recuperação para Animais Silvestres (CRAS) para receber o devido atendimento médico-veterinário.
A expectativa agora é que o resgate ocorra o mais rápido possível, para que a arara-canindé possa iniciar seu processo de recuperação. A ação rápida da PMA, mesmo após a longa espera, é fundamental para garantir a sobrevivência e o bem-estar do animal. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto a evolução do caso, buscando sempre a informação mais precisa e atualizada para seus leitores.
Este incidente serve como um triste lembrete da importância de coexistência entre o homem e a fauna urbana. A conscientização sobre a necessidade de cuidados com os animais silvestres, especialmente em áreas de tráfego intenso, é crucial para evitar tragédias como esta. O trabalho do Instituto Arara Azul e a atuação da Polícia Militar Ambiental são essenciais para a proteção da rica biodiversidade de Campo Grande.

