Quilombo Tia Eva é tombado como Patrimônio Cultural Brasileiro

A Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, carinhosamente conhecida como Quilombo Tia Eva, em Campo Grande (MS), celebrou um marco histórico nesta segunda-feira (28). A comunidade recebeu oficialmente o título de tombamento como Patrimônio Cultural Brasileiro, em uma cerimônia emocionante realizada em seu próprio território. A entrega foi conduzida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e marcou um momento de reconhecimento e valorização da ancestralidade e resistência quilombola no Brasil.

Tia Eva: um marco para a história e cultura brasileira

A importância da comunidade Tia Eva transcende o estado de Mato Grosso do Sul. Ela se tornou a primeira comunidade a ser inscrita no novo Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, uma iniciativa do Iphan. O reconhecimento, declarado em março de 2026 e formalizado com a inscrição em maio, consolida a trajetória de luta e preservação cultural da comunidade. Conforme informação divulgada pelo Iphan, a cerimônia de entrega do título aconteceu em frente à histórica Igreja de São Benedito, um dos principais marcos do quilombo.

O evento reuniu não apenas membros da comunidade Tia Eva, mas também representantes de outros territórios quilombolas de Mato Grosso do Sul, além de autoridades culturais. Participaram da solenidade o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, e a secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do Ministério da Cultura, Roberta Martins. A programação foi enriquecida com apresentações culturais vibrantes, que celebraram a riqueza das tradições afro-brasileiras, com a participação de griôs, jovens e crianças da comunidade, demonstrando a vitalidade e a continuidade cultural.

Antes da cerimônia de tombamento, o encontro “Cultura Transforma o Território: as políticas públicas de cultura do presente e para o futuro do Brasil” promoveu um diálogo essencial. Gestores, artistas, movimentos sociais e representantes de culturas populares e comunidades quilombolas debateram o papel das políticas públicas de cultura e sua intrínseca relação com os territórios ancestrais. Essa discussão reforça a necessidade de políticas inclusivas e que respeitem a diversidade cultural brasileira. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a iniciativa evidencia a importância de fortalecer os laços entre o poder público e as comunidades tradicionais na construção de um futuro cultural mais equitativo.

A origem e o legado de Tia Eva

O Quilombo Tia Eva está localizado em área urbana de Campo Grande, mas suas raízes se aprofundam na história de **Eva Maria de Jesus**. Nascida em condição de escravização em Goiás, Eva Maria de Jesus conquistou sua alforria e, no início do século XX, estabeleceu-se na região de Campo Grande, onde adquiriu as terras que dariam origem à comunidade. Sua figura é central para a identidade do quilombo, sendo lembrada por sua força, resiliência e papel fundamental na formação da comunidade.

Conhecida como **Tia Eva**, ela foi uma figura multifacetada e essencial para a subsistência e o bem-estar de sua comunidade. Atuou como curandeira, compartilhando conhecimentos ancestrais sobre ervas e curas. Foi cozinheira, garantindo o sustento de muitos, lavadeira, parteira, auxiliando no nascimento de novas vidas, e benzedeira, oferecendo conforto espiritual e físico. Sua trajetória está intrinsecamente ligada à devoção a São Benedito, santo de grande importância para a cultura afro-brasileira, e às ricas tradições culturais e religiosas que seus descendentes continuam a preservar com orgulho.

Igreja de São Benedito: um símbolo sagrado e histórico

Um dos pontos mais emblemáticos do Quilombo Tia Eva é a **Igreja de São Benedito**. Carinhosamente chamada de “igrejinha” pela comunidade, este templo é um **ponto de referência histórico e religioso** de grande valor. Sua arquitetura e história contam parte significativa da saga dos quilombolas e de sua fé. A igreja já possui proteção nos âmbitos municipal e estadual, e seu tombamento como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Iphan reforça a importância de sua preservação para as futuras gerações. A igreja é um local de encontro, celebração e manifestação de fé, mantendo viva a memória e as tradições da comunidade.

O tombamento do Quilombo Tia Eva é um reconhecimento da importância histórica, cultural e social das comunidades remanescentes de quilombos no Brasil. Ele não apenas protege um patrimônio material e imaterial, mas também reafirma a luta e a resistência de um povo que, através de gerações, tem mantido vivas suas tradições, sua identidade e sua cultura. A iniciativa serve de inspiração e exemplo para outras comunidades que buscam o reconhecimento de seu legado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a valorização desses espaços é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e que reconhece a diversidade de suas origens.

A cerimônia de entrega do título de tombamento, realizada no coração da comunidade, foi um momento de profunda emoção e celebração. A presença da ministra da Cultura e de representantes do Iphan demonstra o compromisso do governo federal com a preservação e o fortalecimento das culturas tradicionais. O Quilombo Tia Eva, com sua rica história e sua vibrante comunidade, agora tem seu lugar garantido no panteão do patrimônio cultural brasileiro, um testemunho vivo da força e da resiliência afro-brasileira. Conforme o Campo Grande NEWS checou, este reconhecimento é um passo crucial para garantir a continuidade das tradições e a proteção do território quilombola.