A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) está apurando a suspeita de morte de aves em granjas na região de Terenos, Mato Grosso do Sul, após o intenso calor registrado no último fim de semana. As temperaturas ultrapassaram os 40°C, levantando preocupações sobre o bem-estar animal em propriedades avícolas. A investigação busca confirmar se o calor extremo foi o fator determinante para as perdas.
A Iagro, responsável pela fiscalização sanitária animal e vegetal no estado, confirmou que está verificando as informações. No entanto, a agência não forneceu detalhes específicos sobre o andamento da apuração, citando a necessidade de sigilo durante a investigação. A principal cooperativa avícola do município de Terenos, a Camva (Cooperativa Agrícola Mista de Várzea Alegre), negou que tenha registrado qualquer mortandade significativa em suas unidades associadas.
Apesar da negativa da cooperativa, um produtor local, que preferiu não se identificar, relatou à reportagem que de fato houve mortes de aves em sua granja durante o período de calor intenso. Ele mencionou que, mesmo com o uso de ventiladores e nebulizadores, equipamentos essenciais para o controle da temperatura em galpões avícolas, não foi possível evitar as perdas. A orientação recebida da Iagro, segundo o criador, foi para que não comentasse o assunto publicamente, enquanto a situação é apurada.
Investigação em Andamento pela Iagro
Kamilla Luca, responsável pelo Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) na Iagro, informou que a equipe da agência está em contato com a responsável técnica da cooperativa Camva para coletar mais informações. “A equipe da Iagro está apurando a informação junto à RT da cooperativa”, declarou Luca, reforçando que a situação é tratada com seriedade pela agência estadual.
O Campo Grande News buscou contato com a sede da cooperativa Camva, mas funcionários não quiseram se pronunciar sobre as suspeitas de mortandade. A falta de declarações oficiais por parte da cooperativa aumenta a incerteza sobre a extensão do problema na região.
Produtor Confirma Perdas e Dificuldades com o Calor
O produtor que confirmou as mortes em sua propriedade explicou que o calor extremo representa um desafio considerável para a avicultura. Ele salientou que, em situações de temperaturas tão elevadas, os sistemas de ventilação e nebulização, que normalmente ajudam a manter o ambiente propício para as aves, podem se tornar insuficientes. O estresse térmico pode levar rapidamente os animais à morte.
Além disso, o criador relatou que muitos produtores optam por não reportar casos de mortandade em suas propriedades, preferindo resolver a situação internamente. Essa prática pode dificultar a obtenção de um panorama completo sobre o impacto do calor na avicultura da região. O Campo Grande News apurou que a falta de transparência em alguns casos pode mascarar a gravidade do problema.
Cooperativa Nega Prejuízos, Mas Iagro Continua Apuração
No final da tarde, Alexandre de Souza, gerente da cooperativa Camva, afirmou ao Campo Grande News que realizou visitas a todos os locais de coleta de ovos e não constatou a presença de animais mortos. Apesar da declaração do gerente, a Iagro mantém a investigação em curso, indicando que as informações recebidas pela agência demandam uma apuração mais aprofundada.
Jean Zimmer, presidente da Avimasul (Associação de Avicultura de Mato Grosso do Sul), declarou que não tinha conhecimento sobre qualquer mortandade de aves e orientou que a reportagem buscasse informações diretamente na Iagro. A falta de conhecimento generalizado entre os representantes do setor pode indicar que os casos, se confirmados, são pontuais ou ainda não foram amplamente divulgados.
Entendendo o Estresse Térmico em Aves
A morte de aves de produção, especialmente as destinadas à produção de ovos, pode ser exacerbada durante períodos de calor intenso. As aves não possuem glândulas sudoríparas como os humanos, o que significa que elas não conseguem dissipar o calor corporal de maneira tão eficiente. Elas dependem de outros mecanismos, como a respiração ofegante, para tentar se refrescar.
Em ambientes com alta umidade, a capacidade das aves de perder calor para o ambiente é ainda mais comprometida. Quando somada à alta densidade de animais em um mesmo espaço, característica comum em granjas comerciais, essa condição pode criar um microclima sufocante dentro dos galpões. Essa combinação de fatores pode levar as aves a um quadro de estresse térmico severo e, em casos extremos, à morte em um curto período de tempo, conforme informações reunidas em pesquisas sobre o tema.
O Campo Grande News continuará acompanhando o desenrolar das investigações da Iagro e buscando informações sobre o impacto do calor extremo na avicultura de Mato Grosso do Sul. Acompanhe as atualizações em nosso portal.

