A 19ª edição dos Jogos Urbanos Indígenas tomou conta do Parque do Soter neste domingo (27), reunindo cerca de 500 participantes de 21 comunidades de Campo Grande. O evento, promovido pela Prefeitura de Campo Grande por meio da Funesp e da SDHU, foi muito além das competições esportivas, proporcionando um vibrante encontro de culturas, união familiar e celebração da identidade indígena. Enquanto os atletas mostravam suas habilidades em diversas modalidades, famílias e amigos se reuniam para torcer, compartilhar refeições e fortalecer os laços comunitários.
Jogos Indígenas unem famílias e celebram cultura
As disputas começaram cedo, mas o clima de festa e integração era palpável no Parque do Soter. A comunidade indígena urbana de Campo Grande demonstrou a força de sua cultura e o espírito esportivo em um evento que já se tornou tradição. A Prefeitura de Campo Grande, organizadora do evento, destacou a importância dos jogos para a valorização da cultura indígena e o incentivo aos jovens. O evento, que teve início no sábado (26) com uma cerimônia na Morada dos Baís, seguiu com dez modalidades esportivas, mostrando a diversidade de talentos.
De acordo com a Prefeitura, a 19ª edição atraiu aproximadamente 500 pessoas de 21 comunidades da Capital. O evento é uma realização da Fundação Municipal de Esportes (Funesp) e da Subsecretaria de Defesa dos Direitos Humanos (SDHU), reforçando o compromisso com a integração e o respeito às comunidades indígenas urbanas.
Foco na comunidade e no orgulho cultural
Taynara Marques Felix, 34 anos, da comunidade Inamaty Kaxé, exemplifica a dedicação e o espírito dos Jogos Urbanos Indígenas. Ela acordou às 4h para preparar o almoço para sua família e, em seguida, participou de partidas de vôlei, acompanhou seus filhos e torceu pelos demais atletas. Sua comunidade obteve um resultado expressivo, conquistando o terceiro lugar no vôlei e o primeiro lugar na corrida feminina.
Os filhos de Taynara, de 15 e 17 anos, também estavam presentes, participando ativamente das competições. Um deles havia acabado de jogar futebol quando conversou com a reportagem. Mesmo com a equipe eliminada nas quartas de final, Taynara enfatiza que a participação e o envolvimento dos jovens são mais importantes que o resultado final. “Eu falo para eles que não podem ter vergonha. Eu não tenho, vocês também não podem ter”, compartilhou, incentivando a valorização da própria cultura.
Para Taynara, os jogos são uma oportunidade única de lazer e de reunir a comunidade. “Alguns trazem refrigerante e a gente se mistura também. É um lazer”, disse, destacando a atmosfera de confraternização que prevalece no evento. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa integração é um dos pilares fundamentais dos Jogos Urbanos Indígenas, promovendo um ambiente de troca e aprendizado entre as gerações.
Vitória é coletiva, dizem participantes
Domigiane Vicente, 33 anos, da comunidade Paravá, expressou o sentimento de união que permeia o evento. Torcendo por seus familiares, ela afirmou: “Não importa quem vai fazer mais. Acredito que a vitória é nossa, independentemente de quem for ganhador”. Para ela, os jogos também servem para valorizar práticas tradicionais, como o arco e flecha, demonstrando que a cultura indígena urbana se adapta e floresce sem perder suas raízes. “Temos os nossos valores, mas não é por isso que deixamos de praticar esporte.”
A cacique da comunidade Portal Caiobá, Dourilene Moreira, 50 anos, que foi vice-campeã no futsal no ano passado, agora atuava como técnica da equipe feminina, com a expectativa de um resultado ainda melhor. “Nós vamos levar o primeiro”, declarou com confiança antes da partida. Dourilene ressalta que os jogos são essenciais para mostrar a habilidade dos atletas das comunidades indígenas urbanas em diversas modalidades, combatendo estereótipos e promovendo o reconhecimento.
Daniel Francisco, 31 anos, da comunidade Inamaty Kaxé, foi vice-campeão na prova da lança e ainda planejava competir no cabo de guerra. Mesmo com a equipe de futebol já eliminada, ele destacou a importância social do evento: “A gente interage com as outras comunidades. É muito bom, é divertido”, contou. A experiência de Daniel, assim como a de tantos outros, reforça a visão de que os Jogos Urbanos Indígenas são um espaço vital para a **integração**, o **esporte** e a **celebração da identidade indígena** em ambiente urbano.
A cobertura do Campo Grande NEWS sobre os Jogos Urbanos Indígenas evidencia a rica tapeçaria cultural e esportiva que se desenrola em Campo Grande. O evento, organizado pela Prefeitura por meio da Funesp e da SDHU, continua a ser um marco na promoção da cultura e do bem-estar das comunidades indígenas urbanas, como atesta a reportagem do Campo Grande NEWS, que acompanha de perto as manifestações culturais e esportivas da região.

