Polícia de MS adota novo protocolo para identificar vítimas em tragédias

Em situações de desastres com múltiplas vítimas, a identificação dos falecidos pode se tornar um processo complexo e delicado. Para garantir dignidade e respeito às famílias enlutadas, a Polícia Civil e a Coordenadoria-Geral de Perícias (CGP) de Mato Grosso do Sul estabeleceram um novo protocolo. A Portaria Conjunta nº 287, publicada em 24 de setembro, define diretrizes claras para a identificação de vítimas em cenários de tragédias, assegurando que os nomes só sejam divulgados após confirmação científica e comunicação oficial aos familiares.

Este novo procedimento visa lidar com situações extremas, onde o número de mortos ou as condições dos corpos impossibilitam a identificação por métodos convencionais. O protocolo abrange desde o isolamento e registro minucioso da cena do desastre até a coleta de dados genéticos, odontológicos e impressões digitais, além de um atendimento humanizado aos parentes das vítimas. A determinação, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, proíbe o repasse preliminar de informações para a imprensa, autoridades externas e outros canais, priorizando a comunicação direta e formal com as famílias.

A norma, que não estabelece um número mínimo de vítimas para sua aplicação, considera a dificuldade técnica de cada ocorrência. Em casos de acidentes com veículos de transporte, por exemplo, o protocolo inclui o mapeamento detalhado das estruturas e assentos. Essa abordagem metódica busca garantir a precisão na identificação e, consequentemente, trazer um mínimo de conforto e clareza em momentos de profunda dor.

Isolamento e registro minucioso da cena

Ao chegar a um local de desastre, a primeira ação sob o novo protocolo é o isolamento completo da área. Em seguida, o local é dividido em setores para que os peritos possam registrar detalhadamente a posição de cada corpo, fragmento e pertences encontrados. Cada item coletado recebe um código único, garantindo seu rastreamento desde a cena do ocorrido até os laboratórios de análise.

Essa organização é crucial para evitar a perda de informações e assegurar que todos os vestígios sejam devidamente documentados e analisados. A atenção aos detalhes na cena do crime, como o mapeamento de assentos em acidentes de transporte, é um dos pilares do procedimento para garantir a integridade da investigação e a correta identificação das vítimas.

Coleta de dados e exames rigorosos

Após a coleta e registro na cena, os corpos passam por exames de imagem, como radiografias, antes da necropsia. O objetivo é localizar elementos como próteses, implantes metálicos ou projéteis que possam auxiliar na identificação. Em paralelo, os peritos coletam impressões digitais, informações odontológicas e amostras para análise de DNA, sempre que as condições do material permitirem.

Este conjunto de exames visa reunir o máximo de informações possíveis para a identificação. A tecnologia e a ciência forense desempenham um papel fundamental nesse processo, permitindo a confirmação da identidade mesmo em casos onde os corpos estão severamente danificados. O Campo Grande NEWS destaca a importância desses exames para a precisão científica.

Atendimento humanizado aos familiares

Enquanto os exames periciais são realizados, um espaço reservado é destinado ao atendimento dos familiares. Nesse local, eles poderão fornecer informações cruciais, como prontuários médicos, resultados de exames anteriores, registros dentários e detalhes sobre a rotina da pessoa desaparecida. O protocolo também prevê a coleta de material biológico de parentes próximos ou de objetos de uso pessoal da vítima, como escovas de dente ou pentes, para comparação genética.

Essa abordagem humanizada é essencial para oferecer suporte e iniciar o processo de identificação de forma empática. A colaboração dos familiares é um componente vital para a resolução dos casos, e o protocolo garante que eles sejam tratados com o máximo cuidado e respeito durante todo o processo. O **Campo Grande NEWS** ressalta a sensibilidade deste aspecto do protocolo.

Confirmação científica e liberação dos restos mortais

A identificação é formalizada por uma comissão de peritos, que confronta os dados obtidos dos restos mortais com as informações fornecidas pela família. A confirmação científica exige a validação de pelo menos um dos identificadores principais: impressões digitais, informações odontológicas ou perfil de DNA. Somente após a emissão do laudo pericial e a conclusão dos procedimentos legais os restos mortais são liberados para que as famílias possam realizar os rituais de despedida.

Esta portaria representa um avanço significativo na forma como as autoridades lidam com situações de tragédia em Mato Grosso do Sul, priorizando a ética, a ciência e o respeito aos direitos humanos. O protocolo estabelece um padrão para futuras ocorrências, independentemente de estarem ligadas a um desastre específico, garantindo que em momentos de extrema dor, a dignidade das vítimas e de seus entes queridos seja preservada.