De Escort raro a Hot Rod: feira em Campo Grande reúne relíquias sobre rodas

Feira de carros antigos em Campo Grande exibe joias sobre rodas

Colecionadores e apaixonados por veículos clássicos têm um encontro marcado neste domingo (27) em Campo Grande (MS). A terceira edição do feirão de carros antigos, realizada na região de Vilas Boas, promete encantar os visitantes com modelos raros e icônicos, muitos disponíveis para venda e exposição. O evento, com entrada gratuita, segue até às 14h.

A iniciativa partiu de John Gentil, gerente de vendas e entusiasta do antigomobilismo, que integra um grupo de colecionadores formado em 2019. O objetivo principal é fortalecer a cultura dos veículos antigos no estado, criando um espaço para que aficionados possam compartilhar e negociar suas preciosas máquinas.

A ideia de incluir a venda surgiu naturalmente, como explica John. “A gente brinca que nesse meio tem os colecionadores e os acumuladores. E aí todos os nossos amigos acabaram se tornando acumuladores, então a gente viu a necessidade de começar a vender alguma coisa. E também [abrir espaço] para trazer carros mais diferentes”, revela.

Relíquias raras em exposição e à venda

Entre as estrelas da feira está um Ford Escort XR3 Benetton, um modelo de 1989 com produção limitada a mil unidades no Brasil. O exemplar pertence a Anderson Alvarenga e é estimado em R$ 45 mil. Inspirado na equipe de Fórmula 1 Benetton, o carro tem uma história peculiar, sendo um dos primeiros dados de presente para Ayrton Senna.

Este Escort especial ostenta uma placa de colecionador regulamentada pela Senatran, atestando sua originalidade. Estima-se que apenas 480 veículos deste tipo, com essa regulamentação, ainda circulem pelo Brasil. Anderson Alvarenga decidiu colocá-lo à venda, acreditando na importância de passar o legado adiante.

“Veículos antigos vão além de simplesmente carros, são modelos raros, icônicos e carregados de história. Para ele, expor e comercializá-los ajuda a preservar a história automobilística”, comenta Alvarenga, ressaltando a presença de outros modelos como Hot Spots, carros V8, Dodge e Landau, todos “muito icônicos, muito difíceis de se ver na qualidade que a gente tem”.

Do Hot Rod americano ao clássico Fusca

Outro destaque é um impressionante Hot Rod laranja, estilo americano, com motor V8 e customizado. Datado de 1934, o veículo é “full tech”, conversível e possui portas no estilo “suicida”. Pertencente a um delegado de Campo Grande, seu valor é estimado em R$ 209 mil.

A exposição conta ainda com um modelo Magnus de 1979, do qual apenas 160 unidades foram fabricadas, além de exemplares de Dodge Dart, Ford Landau, Ford Ranger STX, Twingo, Kombi e buggys. Um F75 Rat Look, também com motor V8 e customizado com bancos de couro de vaca, atrai olhares.

Para os fãs dos queridinhos brasileiros, há Fuscas de 1969, avaliado em R$ 39 mil, e um modelo de 1966, por R$ 60 mil. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a diversidade de modelos agrada a todos os gostos e bolsos.

Paixão passada de geração em geração

A paixão por carros antigos é um legado familiar para o mecânico Victor Kemp, de 26 anos. “Meu pai sempre teve, meus tios também. Meu pai teve vários carros: Gol Turbo, Fusca, Fiat 147, Hot Rod antigo, Puma. Então fui criado desde pequeno no meio, sempre gostei. Sou engenheiro mecânico, fiz faculdade voltada pra isso”, relata.

O amor pelos clássicos é tão forte que virou tatuagem. Victor eternizou em sua pele um BRM que pertenceu ao seu pai, remetendo a momentos de lazer em família. Outra tatuagem, feita em dezembro passado, reproduz seu próprio Fusca, com a placa que se tornou sua marca registrada.

Victor compartilha planos ambiciosos: adaptar seu Fusca para uma viagem até Ushuaia, na Argentina. “O plano é, no ano que vem, já tá com a estrutura pronta, porque o carro vai ser a casa”, explica, detalhando que a cama ficará no lugar do banco do passageiro.

Hobby que se torna negócio

Anderson Alvarenga, de 47 anos, compartilha uma trajetória semelhante. Filho de mecânico e apaixonado por carros desde a infância, ele viu na restauração e comercialização uma forma de manter o hobby financeiramente viável. “Eu pego, deixo ele [o carro] do jeito que eu imagino, com som, design. Daí eu aproveito, curto o carro e depois permito que outro comprador seja também agraciado pelo mesmo prazer de andar nesse veículo”, afirma.

Ele destaca que manter um carro com originalidade e qualidade tem um custo elevado. “Então a gente acaba comercializando para manter o hobby e não onerar a renda principal da família. Acaba tendo um ganho e dá pra pelo menos manter o hobby”, conclui o colecionador.

A iniciativa do feirão, conforme o Campo Grande NEWS checou, demonstra a força da comunidade de antigomobilismo em Mato Grosso do Sul, unindo paixão, história e negócios em um só evento. A atmosfera de camaradagem e o amor pelos clássicos são palpáveis, atraindo cada vez mais adeptos.

O evento reforça a importância de preservar a memória automobilística, permitindo que novas gerações conheçam e se apaixonem por esses ícones sobre rodas. A cada edição, o feirão de carros antigos se consolida como um ponto de encontro essencial para quem vive e respira o mundo dos clássicos. Como aponta o Campo Grande NEWS, a paixão por carros antigos é um elo cultural forte na região.